Introdução:
Este artigo é a minha (do autor Pratyeka) consideração baseado no artigo acadêmico "A Teoria da Vida do Dr. Daisaku Ikeda"(池田大作先生の生命論), de autoria de Dong Wu (董武) e Wang Weiying (王偉英), publicado em março de 2004 na revista científica Estudos de Educação Soka (Soka Kyoiku Kenkyu, Nº 3) da Universidade Soka. A tradução do artigo original pode ser lido na "Teoria da Vida do Presidente Daisaku Ikeda".
O propósito dessa consideração, é tornar "Teoria da Vida de Presidente Ikeda" - doravante chamo de "Teoria da Vida" - mais acessível a leitores, acrescentando breves explicações sobre as teorias e leis da física, astrofísica, mecânica quântica e filosofia da ciência e cosmologia, pois sem entender ao menos mínimo de conhecimento sobre essas leis e teorias, torna-se relativamente difícil compreender a "Teoria da Vida".
Para não perder o estilo da tese dos autores, essa matéria é contada de forma narrativa, do ponto de vista dos autores.
Perfil dos Autores da "Teoria da Vida"
Dong Wu (董武)
Afiliação: Pesquisador do Centro de Estudos Japoneses e da Associação de Pesquisa Daisaku Ikeda na Universidade de Pequim. Ex-Professor Associado no Instituto de Administração de Pequim.
Especialidades: Relações Internacionais, Filosofia Oriental e Estudos do Pensamento de Daisaku Ikeda. Autor do livro A Soka Gakkai Japonesa (2009).
Wang Weiying (王偉英)
Afiliação: Professora Associada no Faculdade de Língua e Cultura Chinesa de Pequim e Pesquisadora Convidada da Associação de Pesquisa Daisaku Ikeda na Universidade de Pequim.
Especialidades: Pedagogia de Valores Humanos e Filosofia da Dignidade da Vida. Pesquisadora das intersecções entre o Budismo Mahayana e a ciência moderna.
Rede de Estudo sobre o Pensamento Ikeda no Mundo:
China: Os autores deste artigo, o Sr. Dong Wu e a Sra. Wang Weiying, são pesquisadores afiliados a instituições acadêmicas (universidades) na China, e atuam principalmente em universidades e institutos de pesquisa no país, como especialistas no "Pensamento de Daisaku Ikeda e Filosofia Oriental". Na China, mais de 40 universidades (inclusive Universidade de Pequim) e centros de pesquisa se dedicam ao estudo de Daisaku Ikeda. Ambos os autores são membros ativos que participam dessa rede acadêmica de intercâmbio e amizade sino-japonesa, incluindo simpósios e outras atividades.
A questão sobre a essência da vida
“De onde viemos e para onde vamos?” Este, que é o maior tema da existência humana, constitui tanto o ponto de partida quanto a conclusão da filosofia e da religião.
Ao focarem nesse problema, a filosofia e a religião direcionam sua atenção ao propósito e ao significado da vida, buscando explicar aquilo que é a "preocupação máxima" da humanidade.
A Reflexão do Dr. Ikeda
A reflexão do Dr. Ikeda sobre a vida sustenta sua visão humana e sua prática de revolução social. Entender essa teoria é compreender o coração de todo o seu legado.
Cosmologia budista e cosmologia moderna
Teoria do Big Bang: Para entender a origem da vida, precisamos olhar para o universo. A ciência tenta explicar isso com teorias como a do Big Bang e a dos Universos múltiplos. Entretanto, o Dr. Ikeda reconhece que a capacidade de percepção humana possui limites em relação a qualquer uma dessas teorias. Teoria do Multiversos
(1 Ano Luz = 946.073.047.258.080.000.000.000 km ou 9,46 trilhões de km)
A Teoria do Multiverso sugere que o nosso universo visível é apenas uma pequena fração de um cosmos infinitamente maior e mais complexo. Na cosmologia moderna, a explicação mais aceita baseia-se no conceito de Inflação Eterna. De acordo com esse modelo, o processo de expansão ultra-rápida que deu origem ao nosso Big Bang nunca parou completamente.
Enquanto a inflação terminou na nossa região do espaço-tempo há 13,8 bilhões de anos — permitindo que o nosso universo se resfriasse e formasse matéria —, ela continua a acontecer eternamente em outras regiões. Isso gera continuamente novos Big Bangs, criando 'universos-bolha' independentes. Cada um desses universos paralelos pode possuir suas próprias leis da física, diferentes constantes cosmológicas e dimensões variadas, existindo muito além do limite do nosso horizonte de observação.

Como o Redshift mede a distância do Universo?
A imagem ilustra o fenômeno do Desvio para o Vermelho (Redshift), uma das ferramentas mais importantes da astrofísica para medir distâncias cósmicas. Devido à Expansão do Universo, o próprio tecido do espaço-tempo está se esticando, o que afeta a luz que viaja através dele.
Objetos mais próximos: A luz viaja por menos tempo e espaço, sofrendo menos os efeitos da expansão. Por isso, suas ondas permanecem mais curtas (deslocadas em direção ao azul/verde).
Objetos mais distantes: A luz emitida há bilhões de anos precisa percorrer um espaço muito maior que está em constante expansão. Durante essa longa jornada, a onda de luz é "esticada", tornando seu comprimento de onda mais longo e fazendo com que sua cor mude em direção ao vermelho (maior redshift).Em resumo, quanto mais distante está uma galáxia, mais rápido ela se afasta de nós e mais vermelha a sua luz parece, permitindo que os cientistas calculem a sua distância exata no cosmos.

Quanto à questão da natureza fundamental do universo, em última análise, ela é algo que deve ser confiada à filosofia e à religião. Ao transformar essas questões científicas em filosofia e religião, o Dr. Ikeda faz com que as pessoas passem, em um instante, do mundo material e real para o mundo da subjetividade religiosa, permitindo que a percepção religiosa sobre a natureza da vida obtenha um pano de fundo racional, livre e dinâmico.
Conceito de Três Mil Grandes Mundos:
No Budismo, a menor unidade do universo é chamada de ‘Um Pequeno Mundo’, que seria algo parecido com o nosso Sistema Solar (com o Sol, Terra e outros planetas). O ‘Três Mil Grandes Mundos’ é a forma como esses mundos vão se juntando:
A junção desses três passos (1.000 elevado ao cubo, que dá um total de 1 bilhão de mundos) é o que chamamos de Três Mil Grandes Mundos (Sanzen Daisen Sekai).
Concebia-se que o universo continha inúmeros Três Mil Grandes Mundos. Essa era a unidade máxima de tamanho que as pessoas na antiga Índia usavam para tentar medir o tamanho do universo.
Um Três Mil Grandes Mundos (Sanzen Daisen Sekai) pode-se comparar ao Superaglomerado
O Superaglomerado de Einasto é uma das maiores e mais massivas estruturas cósmicas já descobertas pela astronomia moderna, identificada em um grande estudo publicado em 2024. Esta colossal metrópole de galáxias foi batizada em homenagem ao astrofísico estoniano Jaan Einasto, um dos pioneiros na descoberta da estrutura em grande escala do universo.Massa Inimaginável: Ele possui uma massa equivalente a cerca de 26 quatrilhões de sóis (26.000.000.000.000.000). Para fins de comparação, se a massa deste superaglomerado fosse o Monte Everest, o nosso Sol seria o equivalente a uma pequena bola de golfe.
Tamanho Monumental: O tamanho médio desta estrutura é de aproximadamente 200 milhões de anos-luz. Sua extensão é tão vasta que um raio de luz levaria cerca de 360 milhões de anos para viajar de uma extremidade à outra.Distância da Terra: Está localizado a cerca de 3 bilhões de anos-luz de distância da Terra.O estudo de estruturas gigantescas como o Superaglomerado de Einasto é fundamental para os cosmólogos, pois a forma como essas massas se agrupam ajuda a decifrar os mistérios sobre a distribuição da matéria escura e a influência da energia escura na aceleração do nosso tecido espaço-temporal.
como uma realidade infinita e imensurável —
uma imensidão sem limites,
O Dr. Daisaku Ikeda explica: “Se tentarmos entender o surgimento da vida no universo pensando apenas em termos de “existência” ou “não existência”, seremos forçados a concluir que a vida surgiu do nada."
A visão Budista transcende o cenceito de dualidade, de existência e não existência. o Dr. Ikeda compreende que: "O próprio universo — incluindo a Terra — é essencialmente uma entidade viva que contém a vida em seu estado de 'kuu' (空 potencialidade latente). Quando as condições para que ela se manifeste como uma realidade tangível 'U' (有 manifestação fenomênica) estão reunidas, a vida tem o potencial de emergir como um organismo vivo em qualquer parte do universo' (5)."
"Nada surge do nada" - Parmênides de Eleia (filósofo da Grécia Antiga) estabeleceu um dos princípios fundamentais mais famosos da filosofia ocidental."O 'Ser puro' e o 'Nada puro' são, em última análise, a mesma coisa"
Georg Wilhelm Friedrich Hegel, um dos filósofos mais importantes da história, apontava que o "Ser" meramente existente — desprovido de qualquer característica ou definição — é equivalente ao "Nada"*, no sentido de que seu conteúdo é completamente vazio.Em palavras bem simples, isso significa que dizer que algo apenas "é", sem dizer o que esse algo é, dá no mesmo que falar de coisa nenhuma.
"O 'Ser puro', por ser meramente 'existente', revela-se completamente vazio (Nada) quando examinamos o seu conteúdo. Portanto, o Ser puro e o Nada puro são uma e a mesma coisa."
Em síntese: Hegel demonstra que o "Ser" e o "Nada" não são estados fixos, mas sim aspectos de um único movimento dinâmico de transformação contínua — o “Devir” (Werden, que é igual a "vir a ser" ou o "tornar-se" ).
A Limitação do Dualismo entre "Ser" e o "Nada":
Tentar compreender o universo apenas por meio de "dois conceitos fixos e opostos" (o dualismo do "Ser" e do "Nada") torna impossível explicar o surgimento da vida — pois seríamos forçados a concluir que a vida surgiu subitamente do nada.
A Solução de Hegel: Hegel defendeu que a essência do universo não é composta por "dois conceitos fixos e opostos", mas sim pela própria "energia de transformação" (o Devir), que transita continuamente do "Ser para o Nada" e do "Nada para o Ser".
* Nota: Devir significa "tornar-se algo novo"; ou seja, é o processo contínuo de mudança, transformação e evolução.
O conceito budista desvenda o enigma e o mistério
entre existir e não existir, matéria e vazio.
Para o Budismo, a vida não surge do "nada" (criação do zero) e nem é puramente matéria física. A vida existe em um estado latente no próprio universo. Quando as condições adequadas se reúnem, ela se manifesta; quando essas condições terminam, ela retorna ao estado de latência no universo.
Como o universo é infinito e sem começo, a própria "vida" é uma propriedade fundamental e eterna do universo, e não um evento isolado que aconteceu por acaso.












