sábado, 12 de outubro de 2024

Grupo de Sobreviventes Japoneses da Bomba Atômica recebe Premio Nobel da Paz de 2024

 O Nihon Hidankyo, uma organização formada por japoneses sobreviventes às bombas atômicas (hibaskusyas) de Nagasaki e Hiroshima, foi anunciado nesta sexta-feira (11/10) como ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2024.


Memorial da Paz de Hiroshima (mais informações clique aqui) 
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Museu da Bomba Atómica de Nagasaki (mais informações clique aqui)
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O Comitê Norueguês escolheu como o vencedor do Nobel da Paz de 2024, o Nihon Hidankyo, justificou a premiação da organização, fundado em 1956, pelo seu esforço contínuo pela eliminação das armas nucleares em todo o planeta.

Nobel_PrizeO presidente do Comitê, Joergen Watne Frydnes, disse que o Nihon Hidankyo tem prestado "uma enorme contribuição para a necessidade de banir as armas nucleares".

Joergen Watne Frydnes ressaltou que o chamado "tabu nuclear" estava agora "sob pressão" — e elogiou o uso feito pelo grupo de depoimentos de testemunhas vítimas das bombas para garantir que armas nucleares não voltem jamais a ser utilizadas.


Em 2016, a Japão Hidankyo lançou a campanha de "Assinatura Internacional Hibakusha'' (Assinatura Internacional Hibakusha), que foi a primeira vez que os sobreviventes da bomba atômica apelaram ao mundo. E até 2020 (em 20 anos), a Japão Hidankyo conseguiu 13,7 milhões de assinaturas no mundo inteiro. 

Estudantes participando no movimento de campanha de "Assinatura Internacional Hibakusha"
(esses estudantes são filhos e netos das vítimas da bomba atômica)
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A seguir, a íntegra da declaração do Comitê de Premio Nobel da Paz, sobre a premiação da Nihon Hibakukyo:

O Comité Norueguês do Prémio Nobel decidiu conceder o Prémio Nobel da Paz de 2024 à organização japonesa Nippon Hidankyo. É um movimento popular de sobreviventes das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, também conhecidos como hibakusha (sobreviventes da bomba atômica), e demonstrou através de depoimentos de testemunhas oculares que vêm se esforçando para realizar um mundo livre de armas nucleares e que as armas nucleares nunca devem ser usado novamente. Este é o motivo do prêmio.

O lançamento da bomba atómica em Agosto de 1945 desencadeou um movimento global cujos membros (da Nippon Hidankyo) trabalharam incansavelmente para elevar a consciencialização sobre as consequências devastadoras da utilização de armas nucleares para a humanitária. Gradualmente, foram desenvolvidas fortes normas internacionais que condenam o uso de armas nucleares como moralmente inaceitáveis. Essa norma ficou conhecida como “tabu nuclear”.

Os testemunhos dos sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki são únicos neste contexto mais amplo.

Estas testemunhas históricas baseiam-se nas suas histórias pessoais para criar campanhas educativas baseadas nas suas próprias experiências e, ao emitirem um alerta urgente contra a proliferação e utilização de armas nucleares, criam e estabelecem uma oposição generalizada às armas nucleares em todo o mundo. Os Hibakushas ajudam-nos a expressar o indescritível e impensável sofrimento e a dor causados ​​pelas armas nucleares, e isso nos ajuda a compreender esses sofrimentos.

O Comité do Prémio Nobel gostaria de reconhecer um fato encorajador: as armas nucleares não são utilizadas na guerra há aproximadamente 80 anos. Os esforços extraordinários do Japão Hidankyo e dos representantes dos sobreviventes da bomba atómica contribuíram significativamente para estabelecer o tabu nuclear. É, portanto, alarmante que hoje este tabu contra a utilização de armas nucleares esteja sob pressão.

Os países com armas nucleares estão modernizando e melhorando as suas armas. Novos países parecem estar a preparar-se para adquirir armas nucleares. E há ameaças de utilização de armas nucleares na guerra em curso. Neste momento da história da humanidade, vale a pena lembrar o que são as armas nucleares. É a arma mais destrutiva que o mundo já viu.

O próximo ano marcará 80 anos desde que duas bombas atómicas dos Estados Unidos da América mataram cerca de 120 mil civis em Hiroshima e Nagasaki. Um número comparável de pessoas morreu de queimaduras e envenenamento por radiação nos meses e anos que se seguiram. As armas nucleares modernas têm um poder destrutivo muito maior. Estas armas nucleares podem matar milhões de pessoas e ter efeitos catastróficos no clima. A guerra nuclear poderia destruir a nossa civilização.

O destino daqueles que sobreviveram ao inferno de Hiroshima e Nagasaki tem sido escondido e ignorado há muito tempo. Em 1956, organizações hibakusha locais e vítimas de testes nucleares realizados no Oceano Pacífico, formaram a Associação Japonesa de Vítimas de Bombas Atômicas e de Hidrogênio. A abreviatura em japonês é Nihon Hidankyo. Tornou-se o maior e mais influente grupo de sobreviventes da bomba atômica no Japão.

No centro da visão de Alfred Nobel estava a crença de que pessoas dedicadas podem fazer a diferença. Ao atribuir o Prémio da Paz deste ano ao Japão Hidankyo, o Comité do Prémio Nobel gostaria de prestar homenagem a todos os sobreviventes da bomba atómica que optaram por usar o seu sofrimento físico e memórias dolorosas para promover a esperança e o compromisso com a paz.

Nippon Hidankyo forneceu milhares de relatos de testemunhas, emitiu resoluções e apelos formais e enviou delegações anuais às Nações Unidas e a várias conferências de paz para lembrar ao mundo a necessidade urgente do desarmamento nuclear.

Algum dia, os sobreviventes da bomba atómica que servem como testemunhas da história deixarão de existir diante de nós. No entanto, com uma forte cultura de protecção da memória e de envolvimento contínuo, as novas gerações no Japão estão a transmitir as experiências e mensagens dos sobreviventes da bomba atómica. Eles inspiram e educam pessoas em todo o mundo. Ao fazê-lo, contribuem para manter o tabu nuclear, que é um pré-requisito para um futuro pacífico para a humanidade.

A decisão de atribuir o Prémio da Paz de 2024 ao Japão Hidankyo está firmemente enraizada no legado de Alfred Nobel. O premio deste ano junta-se a uma lista impressionante de prémios de paz que a Comissão atribuiu no domínio do desarmamento nuclear e do controlo de armas.

O Prémio da Paz de 2024 cumpre o desejo de Alfred Nobel de reconhecer os esforços que trazem o maior benefício para a humanidade.

Oslo, 11 de outubro de 2024


Estátua da Paz, da cidade de Nagasaki
長崎市にある平和祈念像



Cenotáfio das Vítimas da Bomba Atômica de Hiroshima
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Epígrafe gravado na placa de mármore que fica em baixo da cenotáfio acima.
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sábado, 21 de setembro de 2024

Dez Fatores da Vida (Junyoze)

  Sakyamuni, o fundador do budismo nasceu há 2500 anos, na antiga Índia, num pequeno reino chamado Lumbini, que situava na região do atual Nepal.

   Ele nasceu como um príncipe da clã Sakya, e era chamado de Sidarta Gautama. O nome Sakyamuni que é amplamente conhecido hoje significa "Sábio do Clã dos Shakyas".

Localização de Lumbini

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   O  Siddharta Gautama (nome do Sakyamuni), tornou um jovem de sabedoria aguçada. E apesar de ter uma vida privilegiada como príncipe, começou a pensar sobre o significado da vida e dos sofrimentos presentes no mundo.

    Ele viu que, mesmo que esteja desfrutando da juventude e da saúde no momento, não tinhe como escapar de sofrimentos do nascimento, da velhice , da doença e da morte. Resolveu então, se tornar, monge em busca às  resposta sobre essas questões. 

   Sakyamuni retratou posteriormente que, embora ele vivia como príncipe, e que tinha uma vida que todos o invejarem, nunca esteve feliz, pois sabia que aquilo não era felicidade eterna.
   Essa foi a razão principal do jovem Siddharta abandonar a esposa e filho, e a vida confortável do palácio e sair em busca da resposta para questões fundamentais da vida.

   Siddharta começou a viver vida ascética e conheceu vários mestres eremitas e aprendeu suas práticas. No entanton nehum ensino deles satisfez o Shidharta. Resolveu então iniciar a prática de austeridade. 
   Ele  buscou a percepção, abandonando bens materiais, incluindo a alimentação. Essa prática de austeridade severa durou por 6 anos e no final o Shidarta quase morreu de desnutrição, pois a pratica estava levando ele para a automortificação.
   Shidarta percebeu então que o ascetismo extremo não traz a percepção que ele busca.

   Após aceitar leite e pudim de arroz de uma garota chamada Sujata,  Siddharta entrou nas profundezas da sua mente através da meditação debaixo da árvore de bodhi.
   Finalmente, 
Siddharta despertou para a verdade. Isto é, ele atingiu a iluminação. Ele percebeu a Lei eterna que permeia na vida e no universo. 



Ilustração de Sakyamuni pregando o ensino para as pessoas.

Sakya



  Após atingir a iluminação, Sakyamuni começou a pregar a sua percepção - Lei Eterna- às pessoas.
Ele ensinou e conduziu as pessoas durante 42 anos. E começou pregar o Sutra de Lótus, dizendo que "durante quarenta e poucos anos, não revelei a verdade" (無量義経 Sutra de Infinitos Significados).  E no Sutra de Lótus, quando chegou ao capítulo Hoben, ele revelou sobre o verdadeiro aspecto de todos os fenômenos (Shoho Jisso)


Sakyamuni esclarece inicialmente que a sabedoria que todos os budas perceberam é “infinitamente profunda e imensurável”, e está muito além da capacidade de compreensão de Sharihotsu e de outros homens de erudição. 

Finalmente, ele expõe que a sabedoria de todos os budas não é outra senão a compreensão do “Verdadeiro aspecto de todos os fenômenos” (shoho jisso), onde a gente lê: Shoi shoho Nyoze so, Nyoze syo Nyoze tai Nyoze riki Nyoze sa Nyoze in Nyoze en Nyoze ka Nyoze ho Noze Hon matsu kukyo to na liturgia.


 O significado dos dez fatores pode ser resumido da seguinte forma: 

Os Dez Fatores da Vida (Junyoze 十如是), são descritos no 2o capítulo do Sutra de Lótus (Hoben-pon= capítulo Meios), e através da  "aparência, natureza, entidade, poder, influência, causa externa, causa interna, relação, efeito latente, efeito manifesto, consistência do início ao fim", explica a composição essencial de todos os fenômenos. 

Liturgia da Soka Gakkai Internacional


Eis a conclusão do trecho do capítulo Hoben que lemos todos os dias.

O significado literal do termo nyoze, “é como”. Porém, o seu verdadeiro significado é “como a verdade é”, ou seja,  “como o verdadeiro aspecto é”.  Através da classificação em 10 categorias em "aparência, força, ação… até consistência do início ao fim", os Dez Fatores da Vida (Junyoze) explica a nossa vida que a cada instante muda (transforma).

É a parte que nós lemos na liturgia:

A parte que lê  "Shobut-chie Jin jin muryo. Gochiemon Nangue nan nyu" [諸仏智慧、甚深無量 其智慧門、難解難入]  (Liturgia da SGI pág.5), tem seguinte significado: "Sabedoria do Buda é tão profunda e imensurável que só poderia ser compreendida e compartilhada entre os budas".
Depois vem seguinte frase: "Yuibutsu Yobutsu Naino kujin Shoho Jisso (唯仏与仏 乃能究尽) que siginifica: “O verdadeiro aspecto de todos os fenômenos só pode ser compreendida e compartilhada entre os Budas.”, e logo vem a parte essencial do capítulo Hoben, que é: Shoi shoho (諸法実相),  Nyoze so (如是相), Nyoze syo (如是性), Nyoze tai (如是体), Nyoze riki (如是力), Nyoze sa (如是作),  Nyoze in (如是因), Nyoze en (如是縁), Nyoze ka (如是果),  Nyoze ho (如是報), Noze Hon matsu kukyo to (如是本末究竟等).


O significado dessa parte mais importante desse capítulo que é também a mais importante da metade anterior do Sutra de Lótus (que é até o 14º capítulo, “Práticas Pacíficas) é: 

A aparência (nyo ze so), a natureza (nyo ze sho), a entidade (nyo ze tai), o poder (nyo ze riki), a influência (nyo ze sa), a causa interna (nyo ze in), a relação (nyo ze en), o efeito latente (nyo ze ka) o efeito manifesto (nyo ze ho), e a consistência do início ao fim (nyo ze honmatsu kukyoto) são todos manifestação do verdadeiro aspecto, ou seja, a Lei Mística. 


A estrutura do Dez Fatores da Vida
10 fatores



Os dez fatores podem ser classificados em: 


Os 3 fatores da aparência, da natureza e da entidade explicam a composição essencial de todos os fenômenos.

Os 6 fatores do poder, da influência, da causa interna, da relação, do efeito latente e do efeito manifesto analisam as funções e o modo como operam todos os fenômenos. 

E a consistência do início ao fim indica que os nove fatores, desde a aparência até o efeito manifesto, possuem uma relação coerente e consistente.


_senseiO presidente Ikeda, diz seguinte no “Preleção dos Capítulos Hoben e Juryo”:

"Permitam-me explicar os dez fatores por meio de um exemplo. A sua própria existência é um “fenômeno”. Suas feições fisionômicas, postura e assim por diante constituem a “aparência” do “fenômeno” que é sua vida. Da mesma forma, sua vida tem várias energias (“poder”), e elas produzem várias ações externas (“influência”). 

Além disso, sua própria vida passa a ser uma causa (“causa interna”) que, ativada por condições internas e externas (“relação”), gera mudanças em si mesma (“efeito latente”), e em seu devido momento esses efeitos latentes manifestam-se de forma concreta (“efeito manifesto”).
O que existe em seu coração, embora invisível aos olhos, tais como traços de sua personalidade — tolerância, impaciência, gentileza e discrição — ou os vários aspectos de seu temperamento, constituem sua “natureza” (nyo ze sho).

A sua totalidade física e espiritual, ou seja, sua “aparência” (nyo ze so) e sua “natureza” (nyo ze sho) juntas formam sua “entidade” (nyo ze tai), a pessoa que você é. Esses nove fatores também ligam sua vida e seu ambiente sem nenhuma omissão nem inconsistência (“consistência do início ao fim”). Esse é o verdadeiro aspecto dos dez fatores de sua vida.


Todos nós, sem exceção, vivemos dentro da estrutura dos Dez Fatores da Vida. Ninguém poderia dizer que não possui “aparência”, pois se assim fosse, estaríamos diante de uma pessoa invisível. 

Da mesma forma, ninguém poderia afirmar que não tem personalidade, nem energia, ou que não desempenha nenhuma atividade, por menor que seja. 

Tampouco poderia existir uma situação em que a “aparência” correspondesse a uma pessoa, a “natureza” a outra e a “entidade” a uma terceira pessoa, pois há uma consistência entre todos esses fatores que juntos formam a totalidade de cada indivíduo.


Fim



sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Kuon Ganjo

 O que é Kuon Ganjo”?


Os membros da Soka Gakkai, já deve ter visto ou lido esse termo nos impressos algumas vezes.

Você lê a explicação no jornal Brasil Seikyo ou na revista Terceira Civilização e... 

deve ter pensado "Não entendi patavina!"




Realmente, o princípio de Kuon Ganjo é dificílima de explicar. Mas vou tentar explicar de forma mais simples possível nessa matéria, resumindo as matérias relecionadas publicados na extranet e nos sites relacionados a Soka Gakkai do Japão. 



Conceito de Kuon Ganjo

(resumo da matéria publicado no Brasil Seikyo, Edição 1731)



Literalmente, “Kuon” significa “remoto passado” e “Ganjo”, o “início de tudo”. Juntos, “Kuon Ganjo” indicam o “tempo sem início”. Sob o ponto de vista do Budismo de Nichiren Daishonin, esse conceito não se refere apenas a um determinado momento ocorrido há muito tempo atrás ou no infinito passado. Podemos pensar em Kuon Ganjo como o momento (ou a realidade) que existiu no infinito passado e que se mantém até hoje, neste exato instante, e que continuará a existir pelo mais distante futuro.


No Registro dos Ensinos Orais, Nichiren Daishonin explica que “‘Kuon’ significa o que não foi trabalhado, que não foi melhorado, mas que existe na forma como sempre existiu”, ou seja, que está como é originalmente, desde o infinito passado



Essa “realidade que sempre existiu e que não foi modificada", em suma significa a nossa própria vida. Em outras palavras, isso indica que, originalmente (desde Kuon Ganjo), todos nós possuímos os Dez Estados de Vida, incluindo o estado de Buda.



Prelecao-Hoben-JuryoNo livro Prelecao-Hoben-JuryoNa Preleção dos Capítulos Hoben e Juryo, o presidente Ikeda afirma: “O Buda da iluminação real no remoto passado significa uma vida dotada com os Dez Mundos e que existe eternamente.” (Pág. 163.).

Em outro trecho, o presidente Ikeda descreve: “Kuon Ganjo refere-se à origem fundamental da vida e do Universo. Essa vida primordial é a vida do Buda da Liberdade Absoluta de Kuon Ganjo (久遠元初の自受用身Kuon Ganjo no Jiju yushin), que é o próprio Nam-myoho-rengue-kyo.



Nichiren Daishonin afirmou: ‘Remoto passado significa Nam-myoho-rengue-kyo.’ Quando a ilusão interior é dissipada, achamos que a vida, fundamentalmente, não tem início nem fim; ‘tornar-se um Buda’ quer dizer revelar e fazer surgir essa vida original, tal como ela é.” (Pág. 176.)


O presidente Toda dizia: "A vida de Nichiren Daishonin, como a nossa, não tem início nem fim. A isso chamamos de Kuon Ganjo. O próprio Universo é uma grande entidade viva, sem começo nem fim. Porém, a Terra, isoladamente, tem um começo e um fim."


Nossa vida não é uma ‘criação’ produzida por algum ‘criador’ ou por uma ‘divindade’. Ela existe junto com o Universo, e dessa forma continuará existindo infinitamente. Pode-se dizer que a vida é tanto criadora como criação” (Pág. 176). Assim, nossa vida, bem como o Universo como um todo, sempre existiu e sempre existirá, por um período infindável e sem limites. Eis o conceito de Kuon Ganjo.



No capítulo “Revelação da Vida Eterna do Buda” (Juryo) do Sutra de Lótus, o Buda sakyamuni  expõe o princípio de “Gohyaku jintengo”, ou remoto passado, que é um período de tempo inimaginavelmente longo.
Numa analogia, se pegássemos todas as partículas (átomos, em termos atuais) de todas as estrelas e planetas do Universo e, para cada uma, associássemos cerca de dezesseis milhões de anos, chegaríamos a um tempo inimaginavelmente longo. Diz-se que mesmo esse tempo é muito curto quando comparado ao Gohyaku jintengo (五百塵点劫).


No Sutra de Lótus, o Buda Sakyamuni explica que ele atingiu a iluminação pela primeira vez muito antes de Gohyaku jintengo. Porém, essa é uma forma literal e mais superficial de se entender o “remoto passado” exposto nesse sutra. Mas de um ponto de vista mais profundo, baseando-se nos ensinos de Nichiren Daishonin, o “remoto passado” escrito no 16o capítulo do Sutra de Lótus, a "Revelação Eterna da Vida do Buda" (Juryo) é o “tempo sem início”, ou Kuon Ganjo.



senseiO que o Buda Sakyamuni explica (ensina) no Sutra de Lótus é a sua própria percepção e iluminação. Entretanto, alí está retratada o aspecto último da nossa própria vida, isto é, que todos nós atingimos a iluminação, originalmente, num passado inimaginavelmente distante. Em outras palavras, significa que nossa própria vida está dotada com o eterno estado de Buda. E é justamente o Budismo de Nichiren Daishonin que esclarece esse ponto.



Sobre isso, o presidente Ikeda comenta: “A identidade original de todos os budas é um estado de vida iluminado para o Nam-myoho-rengue-kyo. Esse estado de vida é tanto a essência da iluminação como a vida do Buda verdadeiro. Do ponto de vista do Budismo de Nichiren Daishonin, o ‘Buda verdadeiro’ é o Buda de Nam-myoho-rengue-kyo.” (Preleção dos Capítulos Hoben e Juryo, pág. 155.).
Isso significa que, o que possibilitou Sakyamuni atingir a iluminação no remoto passado de Gohyaku jintengo foi exatamente a Lei de Nam-myoho-rengue-kyo.


É essencialmente importante saber que sem a revelação da Lei de Nam-myoho-rengue-kyo que possibilitou todos os budas a atingirem a iluminação, não seria possível entender como as pessoas comuns dos dias atuais poderiam atingir o estado de Buda.
Portanto, o Buda Original Nichiren Daishonin abriu o caminho para que todas as pessoas comuns da época atual atingissem o estado de Buda com a Lei do Nam-myoho-rengue-kyo. E, mais do que isso, ensinou que nossa vida, que é de Kuon Ganjo, é infinitamente preciosa e una com o Universo.
Essa compreensão nos leva a respeitar a vida de cada ser humano, abrindo o caminho para uma sincera compreensão mútua, convivência harmoniosa e resolução de conflitos.



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No livro “A sabedoria do Sutra de Lótus, um diálogo sobre religião no século XXI”, o presidente Ikeda explica: “O Buda do tempo sem início, ou Kuon Ganjo, o Buda que existe eternamente sem início ou fim é a própria vida do Universo. É o constante e incessante trabalho de conduzir todos à iluminação, sem um instante de pausa. De fato, esse Buda eterno e nós próprios somos um só. Isso significa que nós próprios viemos trabalhando para conduzir as pessoas à felicidade e empenhando-nos pelo Kossen-rufu desde o remoto passado, e não somente nesta existência.” (Brasil Seikyo, edição no 1.491, 16 de janeiro de 1999, pág. 3.)



Ainda no mesmo livro, há seguinte diálogo entre o presidente Ikeda e catedráticos do Departamento de Estudo de Budismo da Soka Gakkai:


Ikeda: O propósito do capítulo Juryo é ensinar que não apenas o Buda Shakyamuni, mas todos os seres vivos foram Budas desde tempo remoto, e o Shakyamuni deseja que todos “despertem” sore esse isso.  

Fazê-los despertar para a "grande vida eterna", e o “Sutra de Lótus de Nichiren Daishonin” torna isso possível. O Sr. Toda dizia: “O objetivo final do Budismo de Nichiren Daishonin é perceber a vida eterna. Devemos praticar para perceber que nós somos a vida é eterna. Isso é chamado de felicidade absoluta. Essa felicidade é eterna e nunca será destruída. Nós praticamos para consolidar isso." Temos que perceber isso na nossa vida”, e para tanto só existe a prática da fé. Sr. Toda também dizia: “É fácil entender teoricamente, mas compreender através da fé é completamente diferente."




Fim.



quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Porque lemos os Capíitulos Hoben e Juryo no Gongyo

 Porque Lemos Todos os Dias os Capítulos Hoben e Juryu?

Qual é o significado e importância da leitura de liturgia que os membros da SGI fazem todos os dias, de manhã e à noite?

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Significado de ler Capítulos Hoben e Juryo:

A prática do Gongyo é acreditar no Gohonzon e recitar o Nam-myoho-renge-kyo, por isso a recitação de Daimoku é chamado de “prática principal”.
A leitura dos capítulo Hoben e Jigague do capítulo Juryo é para aumentar os benefícios do Daimoku, por isso é chamado de prática complementar.  (fonte: Brasil Seikyo, Edição 1886)


arroztSobre essa relação entre “prática principal” e “prática complementar”, o 26º sumo prelado Nitikan Shonin diz: “Assim como usamos o sal, alho e cebola para melhorar o sabor do arroz e do macarrão, ler os capítulos Hoben e Juryo aumenta os benefícios do Daimoku”. 








A importância de capítulos Hoben e Juryo 

Existem 28 capítulos no Sutra de Lótus. 
Nós lemos o 2º capítulo Hoben “Meios” e o 16º capítulo Juryo “Revelação da Vida Eterna do Buda”, porque nestes dois capítulos estão contidos a essência do ensinamento do Buda que possibilita a todos atingirem a iluminação.
O Nichiren Daishonin disse: “Se você ler capítulos Hoben e Juryo, os capítulos restantes serão naturalmente incluídos.” (Gosho página 1202). 


O conteúdo do capítulo Hoben é o seguinte:

Sakyamuni esclarece inicialmente que a sabedoria que todos os budas perceberam é “infinitamente profunda e imensurável”, e está muito além da capacidade de compreensão de Sharihotsu*1 e de outros homens de erudição. 

Ilustração do Sakyamuni pregando ensino para os discípulos e leigos.
Sakya

É a parte que lemos "Shi shari hotsu. Fu shu bu setsu. Shoi i sha ga. Bus-sho jo ju. Dai ichi ke u. Na ge shiho. Yui butsu yo butsu. Nai no ku jin.Sho ho jisso".

Finalmente, ele expõe que, a sabedoria de todos os budas não é outra senão a compreensão do “Verdadeiro aspecto de todos os fenômenos” (shoho jisso), onde a gente lê: Shoi shoho Nyoze so, Nyoze syo Nyoze tai Nyoze riki Nyoze sa Nyoze in Nyoze en Nyoze ka Nyoze ho Noze hon matsu kukyo to na liturgia. Esse é o significado do trecho final do capítulo Hoben. (chamado de Junyoze)

*1 Sharihotsu (Shariputra) = Ele era considerado o mais notável em sabedoria dentre os discípulos do Buda Sakyamuni. Representa pessoas da erudição, ou seja, dos intelectuais.

 
Porque lemos 3 vezes, o Junyoze? 

sensei3O presidente Ikeda orientou: “(Fazer Gongyo) É para declarar que “Eu sou um precioso Buda'', e aumentar os benefícios da prática da fé.” 
Há vários significados profundos (para ler 3 vezes). Citando um exemplo simples, nós lemos 3 vezes para louvar os 3 aspectos do Buda (que “Eu sou um precioso Buda”), que são: “a sabedoria do Buda de ver a realidade” (como ralidade é), “a ação benevolente do Buda” e “a Lei que o Buda despertou”.







Conteúdo do Jigague

O Jigague se inicia com a frase "Jiga toku bur-rai" e vai até o fim do capítulo, que é a frase "Soku Jo ju Bus-shin".
O título “Jigague” vem da palavra inicial “Jiga” e “gue” significa prosa ou poema de louvor aos ensinamentos do Buda.

Após pregar ensinos provisórios por 42 anos, o Buda Sakyamuni finalmente expôs o propósito do seu advento, o Sutra de Lótus. Dentre 28 capítulos do Sutra de Lótus, o capítulo Juryo é o mais importante, pois nele o Buda Sakyamuni revelou pela primeira vez, que se tornou Buda num passado remoto chamado Gohyaku Jintengo*2, e não aos 32 anos de idade na Índia, debaixo da árvore de bodhi, como vinha afirmando.

*2Gohyaku jintengo= Um período incrivelmente longo descrito no capítulo “Revelação da Vida Eterna do Buda” do Sutra de Lótus que indica o tempo decorrido desde a obtenção original da iluminação por Sakyamuni. (fonte: Nichiren Buddhism Library)


Significado do Jigague para Daishonin

Do ponto de vista*3 do Budismo de Nichiren Daishonin, essa revelação do Buda Sakyamuni indica a iluminação do Buda Original desde o eterno passado, ou seja, desde o “Kuon Ganjo”*4 . O significado profundo desse capítulo, repetido e enfatizado novamente em forma de prosa no Jigague.

*3 “oculto nas profundezas do capítulo Juryo”
*4  Kuon Ganjo é chamado também de o tempo sem começo nem fim


Orientação do Pres. Ikeda sobre o Gongyo
(Extraído do livro “Diálogo da Juventude” )

  Quão maravilhoso seria continuarmos a praticar o Gongyo e a recitação do Daimoku com seriedade. 
Tanto Gongyo como Daimoku é tudo para gente. O Gongyo é seu direito, não sua obrigação.
  O Gohonzon nunca pede para orar. Fé é dirigir-se ao Gohonzon para orar. Quanto mais você ora, mais você recebe os benefícios.
  Não há necessidade de achar que o Gongyo é  uma coisa difícil ou se sentir pressionado a fazer. O objetivo do budismo é libertar as pessoas, não prendê-las.
  É importante fazer o Gongyo todos os dias, mesmo que (o Daimoku) seja um pouco em cada vez. 
Comer arroz todos os dias te dará energia. Estudar todos os dias te dará sabedoria. “Prática da fé é a própria vida diária”. 
  O Gongyo é a força motriz para viver bem o dia dia.  Desafiar-se na prática do Gongyo é um “treinamento diário da mente”. Através do Gongyo você consegue purificar sua vida, ligar o motor e colocá-lo em órbita. 


Sobre a Oração Silenciosa

Porque, nós agradecemos somente aos três primeiros presidentes?


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Sendo que a Soka Gakkai teve até hoje (2024), 6 presidentes?


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  Isso porque, os três primeiros presidentes fizeram feitos extraordinários que foram marcado eternamente na história do Budismo e do Kossen Rufu.
  O primeiro presidente, Sr. Tsunesaburo Makiguchi, converteu ao Budismo de Nichiren Daishonin em 1927 e em 18/11/1930, fundou a Soka Kyoiku Gakkai (Sociedade Educacional Soka), a predecessora da Soka Gakkai.
  Ele iniciou a reforma educacional e um movimento de reforma do estilo de vida, baseado na filosofia de Nichiren Daishonin, juntamente com o Sr. Jossei Toda.

  Durante a Segunda Guerra Mundial, a Soka Kyoiku Gakkai sofreu rigorosa opressão do governo militar japonês que imponha controle ideológico.
  Em julho de 1943, o Sr. Makiguchi, Sr. Toda e os principais dirigentes da Gakkai foram presos.
Em 18/11/1944, o Sr. Makiguchi chegou a falecer na prisão devido a desnutrição. O Sr. Toda foi libertado em 03/07/1945, e logo iniciou a reconstrução da Gakkai, mudando o nome para a Soka Gakkai.
  A Soka Gakkai transformou-se de uma associação de educadores, para uma organização de adeptos que acredita no budismo de Nichiren Daishonin. Iniciou-se uma grande campanha de propagação, liderado por segundo presidente Sr.Jossei Toda.

Após falecimento do Sr. Jossei Toda em 1958, o Sr. Daisaku Ikeda assumiu como terceiro presidente da Soka Gakkai em 1960 e iniciou a propagação do budismo de Nichiren Daishonin ao mundo inteiro.

*Nota: Neste artigo, o autor colocou resumidamente os grandes feitos dos primeiros três presidentes. Se você quiser saber mais, procurem no site da extranet da BSGI, ou algum site oficial da SGI.  


Resumindo os Grandes Feitos dos Três Presidentes:

O presidente Tsunesaburo Makiguchi fundou a Soka Gakkai.
O presidente Jossei Toda, transformou a Soka Gakkai, para uma organização budista pata todos.
E o presidente Daisaku Ikeda, transformou a Soka Gakkai, numa organização mundial, inédito na história do Budismo.

Se não fossem os três presidentes, não haveria a Soka Gakkai de hoje.


Kossen-rufu-mundial
(Ddos de 2024)


Fim


segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Sanzen Jintengo e Gohyaku Jintengo

 Sanzen Jintengo

Sanzen Jintengo é um termo utilizado para expressar o longo período de tempo desde a morte do Buda de Grande Excelência da Sabedoria Universal (大通智勝仏) até o Buda Shakyamuni da Índia. É mencionado no capítulo 7 Parábola da Cidade Imaginária (法華経化城喩品第7) do Sutra de Lótus, quando Shakyamuni revela sua relação (結縁) com as pessoas (fonte: livro Sutra de Lótus pág. 273-274).

Sanzen Jintengo significa, transformar os Três mil Grandes Mundos”(三千大千世界) em partículas (átomos, em termos atuais). Segundo explicação, os Três mil Grandes Mundos são transformados em partículas, e a cada 1000 mundos que passa, deixa cair uma partícula, e vai seguido até acabar todas as partículas. Depois, junta-se todos os Três mil Grandes Mundos que deixou partículas e todos os  Três mil Grandes Mundos que não deixou cair a partícula, reduz-se tudo em partículas, e cada partícula é contada como um kalpa de período. Sanzen Jintengo portanto, significa um tempo infinitamente longo, quase impossível de calcular. 

* Segundo alguns pesquisadores, um Três Mil Grande Mundo equivale ao um sistema solar.

* 1 Kapla equivale 4.320.000.000 (4 bilhão 320 milhões de anos).


Gohyaku Jintengo

O termo “Gohyaku jintengo” é derivada de “Gohyaku” em “Gohyaku Sem man -noku Nayuta Assogui''(五百千万億那由他阿僧祇), da parte longa do capítulo 16 do Sutra de Lótus. Nesta parte, o Buda Sakyamuni revela que ele havia atingido a iluminação no extremamente longínquo passado de Gohyaku Jintengo, e que desde então ele tem pregado a Lei às pessoas.

O tempo de Gohyaku Jintengo é explicados no Sutra de Lótus como segue (Sutra de Lótus 478). Junta-se Gohyaku Sem man -noku Nayuta Assoguis (1056 a 1064) de Três Mil Grandes Mundos e rezu-se tudo em partículas, ou seja, em átomos. Só para ter uma noção da grandiosidade dessa quantidade, vou colocar 1064 em número que seria seguinte: 500.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000. 

Então, depois de reduzir em partúcula, todos esse extremamente grande quantidade de Três Mil Grandes Mundos, prossegui-se para o leste, passando pelo Gohyaku Sem man -noku Nayuta Assoguis (1064 ) deTrês Mil Grandes Mundos, deixa cair uma partícula. Depois continua viajando e passa por Gohyaku Sem man -noku Nayuta Assoguis (1064 ) deTrês Mil Grandes Mundos, deixa cair mais uma partícula, e vai seguindo assim até acabar última partícula. 

 Depois que acabou todas as partículas, junta-se todos os Três Mil Grandes Mundos que você deixou cair partícula ou aqueles que não e reduz-se em partículas. Então, você conta cada partícula  como 1Kalpa de tempo. 1 Kapla equivale 4.320.000.000 (4 bilhão 320 milhões de anos). Em resumo, o Gohyaku Jintengo siginifica um tempo inimaginavelmente, incalculavelmente longo.


FIM


segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Três Princípios da Individualização (Sanseken)

 A visão budista da vida embasada nos Três Princípios da Individualização (san seken), nos oferece melhor compreensão de como ela se manifesta no ambiente. (Brasil Seikyo, Edição 1625)


No Registro dos Ensinos Orais diz:

"Conhecer Três Mil Mundos num Único Momento da Vida significa conhecer sobre Três Princípios da Individualização" 


Os seres vivos são indivíduos que manifestam a qualquer momento um dos Dez Estados. Os cinco componentes são os elementos constituintes que se unificam temporariamente para formar um ser vivo, e o ambiente é onde os seres vivos conduzem suas atividades. Podemos julgar os três princípios da individualização como as três dimensões do mundo fenomenal no qual os dez estados se manifestam. (Brasil Seikyo, Edição 1676) 


Três Princípios da Individualização (San seken em japonês) constitui parte da Itinen Sanzen, ou seja, de "Três Mil Mundos num Único Momento da Vida", juntamente com a possessão mútua dos dez estados da vida e os dez fatores da vida. 

O "seken", significa três distinções ou separabilidade no sentido original. Pode-se entender como as três dimensões onde as diferenças entre os dez mundos evidenciam.



1 - Cinco componentes da vida  (Go-on Seken em japonês) 
     (5 componentes que compões um ser) 

2 - Ambiente social  (Shujo Seken em japonês) 
    (cada ser possui os Dez Estados de vida)    

3 - Ambiente natural  (Kokudo Seken em japonês) 

   (ambiente onde o ser nasce e vive. Mundo em que vivem os seres, as montanhas, rios etc. Como o ambiente é diferente para habitante de cada um dos Dez Estados de Vida, é separado e distinguido).

De acordo com a definição budista, Três Princípios da Individualização é:      


Os Cinco Componentes da Vida (Go-on Seken) são costituído de:

1) Forma: Refere-se as percepções que os 6 órgãos dos sentido percebem e captam: as cores e formas, as vozes e sons, aroma / sabor / tato de materiais, como frio, quente, macio, duro, etc.             

2) Percepção:  Refere-se as percepções que os Seis Órgãos do Ssentido percebem e captam, as cores e formas, as vozes e sons, aroma/sabor/tato de materiais como frio, quente, macio, etc. 

3) Concepção: Refere-se à função de resumir as informações obtidas e elaborar / pensar a imagem dessa coisas na mente.         

4) Vontade:  É a função que conclui a imaginação que criou na Concepção. Também se refere às reações mentais que ocorrem após concepção.    

5) Consciência: É a função da mente que confirma, julga e distingue as coisas, baseadas na percepção, concepção e vontade.                      

Estrutura do Três Princípios da Individualização
No Registro dos Ensinos Transmitidos Oralmente (Ongui-kuden)  diz: “As pessoas são consumidas pelo fogo e veem que tudo está cheio de medo e sofrimento”.
Esta é uma passagem que elogia Itinen Sanzen de Ensino Verdadeiro do capítulo Juryo. A frase “Daika-sho-soji” significa grande chama desejos mundanos. Em termos de Três Princípios da Individualização (sanseken) , “Ga-shido an-non” significa Ambiente natural. E o “shujo-syo yu-raku” significa o Ambiente social. E o “Hoju-take-ka” siginifica Cinco componentes da vida. 
(*A pronuncia das letras do JiIgague não é igual ao livro de liturgia.) 

Nota: No capítulo Hoben, esclarece que todos nós somos Buda. E no Jigague do capítulo Juryo, está revelado que a vida do Buda é eterna, e por isso, é considerado parte mais importante do S. Lótus.     

Ainda no Registro dos Ensinos Transmitidos Oralmente (Ongui-kuden), Daishonin esclarece que “Ga-shido An-non” significa Ambiente Natural".
“Shido” significa “esta terra”, e “ An-non” significa “Terra da luz iluminada”  (…) . 
Os Cinco componentes da vida e o Ambiente Social haviam sido revelados no ensinamento provisório (até 14o capítulo do S. Lótus), mas o Ambiente natural só foi revelado no capítulo Juryo-hon, ou seja, no capítulo Revelação da Vida Eterna do Buda, e com isso complementa  e completa a doutrina do Itinen Sanzen(*). Em outras palavras, foi revelado que no Ambiente natural têm os Dez Estados de Vida.


Exemplo de Três Princípios da Individualização:

Vamos ver com o personagem francês Jean Valjean da famosa obra literária "Os Miseráveis" do Victor Ugo.
O Jean Valjean, ficou preso durante 19 anos por ter roubado pão. Viver na cadeia, é sem dúvida, viver o estado de Inferno. Tudo que ele sentia e experimentava, era do estado de Inferno (os Três Princípios da Individualização também era do estado de Inferno) Falta de higiene, mal cheiro, comida ruim, os prisioneiros brigando entre si e as vezes ameaçava Jean. Os carcereiros também maltratava. 



Mas quando o Jean Valjean escapou da prisão e começou a viver como um ser normal (como um cidadão), o estado da vida dele foi de Tranquilidade. Morava numa casa aconchegante e limpa, comia pratos deliciosos, vivia no círculo social onde só haviam pessoas educadas e cultas, e o convívio com a Cosette, a menina que ele adotou, preencheu o coração dele de amor.
Nassa vida de cidadão comum, ou seja, do estado de Tranquilidade, tudo que Jean sentia e experimentava, trazia satisfação, tranquilidade e alegria. Isto é; os Três Princípios da Individualização também era do estado de Tranquilidade. 
 

Os cinco componentes da vida expressam-se de diferentes modos de acordo com suas dez condições. Ao mesmo tempo, os seres vivos mostram distinções de acordo com seu ambiente. Assim, enquanto o princípio dos cinco componentes(go-on seken) analisa o ser vivo em suas funções físicas e psíquicas constituintes, o princípio do ambiente do ser vivo (kokudo seken) o considera um indivíduo integrado capaz de interagir com seu ambiente.


DIÁLOGO: DIREITOS HUMANOS NO SÉCULO XXI 
de Pres. Daisaku Ikeda com o Austregésilo de Athayde  (O diálogo foi realizado em 1993)


   No budismo tem um princípio chamado “Três Princípios da Individualização”, que em alguns aspectos discute a relação entre o indivíduo e a sociedade e o seu meio ambiente. (…)  Os “três mundos” são “cinco componentes da vida”, “ambiente social” e “ambiente natural”. Essas três separações significa “diferença”.
   Os “cinco componentes da vida” refere-se ao fato  de que existem várias diferenças nos aspectos físicos e mentais da vida humana. No entanto, o propósito de observar a diferença cinco componentes da vida não é reconhecer as diferenças, mas sim saber que embora a realidade seja diferente, a “natureza de Buda” brilha universalmente em sua essência e natureza para todos.

  Em outras palavras, a “cinco componentes da vida” prega que a essência de toda a vida é “igualdade” e “dignidade”. Isto está profundamente relacionado com o preâmbulo da Declaração Universal dos Direitos Humanos nos artigos 1º e 2º, que estabelecem os fundamentos dos direitos humanos e constituem a própria base dos direitos humanos.
   Em seguida, o “ambiente social” refere-se às diferenças entre os indivíduos criadas pelos cinco componentes da vida. Isso corresponde ao fato de existirem diversas diferenças entre os indivíduos, como raça, gênero, origem familiar e posição social.  O Budismo transcende o apego a essas diferenças superficiais e visa um estado de “liberdade”.

   Por último, “ambiente natural” refere-se às várias diferenças no ambiente em que vivem as pessoas. Esta relação entre a pessoa e o seu ambiente pode ser vista como uma relação de Inseparabilidade da vida e seu ambiente (esho funi). “Sho-ho” é o sujeito, e “E-ho” é o objeto que sustenta e possibilita a expressão da vida. O ser humanos podem agir sobre o meio ambiente e destruí-lo ou construí-lo. 
Além disso, a “personalidade” das pessoas, tanto física como mental, é criada e formada pelo seu ambiente.

   Aqui, “ambiente natural” refere-se a todos os ambientes em que vivem os seres vivos, incluindo o ambiente natural que sustenta a sobrevivência dos homens e tudo o que nutre e sustenta a nossa vida, tanto física como mentalmente. Em outras palavras, os ambientes culturais e sociais que cada grupo étnico ou raça construiu até hoje são também elementos importantes da “ambiente natural”. 


Fim

    

Possessão Mútua dos Dez Estados de Vida

 Definição de Dez Estados de Vida:

Os “Dez Estados de Vida” são uma classificação do estado da vida em 10 categorias. É a base da filosofia da vida do Budismo de Nichiren Daishonin. (Brasil Seikyo, Edição 1616)

Ao estudar os princípios dos Dez Estados de Vida, podemos compreender com precisão o próprio estado de vida e obter diretrizes corretos para a transformação da vida. (fonte: site de Estudo de Budismo da Soka Gakkai)

Ilustração do casamento do Siddhartha e da Yasodhara (dhamma.uk)

  Há 2500 anos atrás, o Siddharta Gautama* nasceu como príncipe de um pqqueno reino na região norte da Índia. Quando tornou adulto, ele decidiu abandonou a vida confortável do palácio em busca da resposta para questões de sofrimentos da velhice, da doença e da morte. 

  Ele iniciou a vida de ascetismo e procurou vários mestres brâmanes, mas não obteve resposta que procurava. Tentou também as práticas de austeridades para purificar o corpo, atingindo um grau de mortificação que nenhum asceta ousava chegar, mas viu que esta também não o conduziria à resposta.
Após 6 anos de austeridades, Siddharta entrou nas profundezas da sua mente por meditação debaixo da grande árvore de bodhi, e despertou para a verdade, Isto é, a Iluminação. (*Siddharta Gautama é nome de infância do Buda Sakyamuni)



  Ele descobriu que as causas que levam os homens à infelicidade e sofrimento são três venenos,que são: Avareza, ira, estupidez e desejos mundanos.
Mas, ele encontrou também : benevolência, sabedoria, coragem e esperança, virtudes que podem combater as influencias negativas e maldades.


Possessão Mútua dos Dez Estados de Vida

  O conceito de Dez Estados de Vida e Possessão Mútua dos Dez Estados de Vida, nos ensina a viver uma vida virtuosa, com dignidade e respeito aos outros.

Dentro da nossa vida existem Dez Estados de Vida.

Para facilitar o entendimento da possessão mútua de os Dez Estados de Vida, vamos imaginar uma pizza.

Possessão Mútua dos Dez Estados de Vida, seria como figura abaixo, pois cada Estado tem 10 Estados de Vida.

O objetivo da prática do budismo, é trasnformar a sua tendência básica para o  Estados de Buda. Isto é, transformar para o Estados de Buda, a tendência ou hábito que está no raíz da sua vida.
Essa tendência ou costume que todos nós possuímos, são chamados de base da vida, seria como “hábito” da sua vida que você tem, aquele “hábito” que a gente sempre evidencia. 
Quando nós relacionamos com algo que ativa (desperta) um dos seus 10 estados de vida, manifesta Estado de Vida relacionado.
Se esse Estado de Vida for de Quatro Estados Inferiores, pensamos, agimos e comportamos de acordo com esse Estados Inferiores.
Transformar essa base da vida que é o raiz de pensamentos e ações para o estado de Buda. Isso é a Revolução Humana.

Podemos entender que essa base é como se fosse nossa casa, que a gente sempre retorna. Todos nós, em quanto estivermos vivos, sempre relacionamos com o algo do seu ambiente. E, de acordo com esse contato ou relacionamento, a gente as vezes fica zangado, as vezes ri, as vezes pensa… As condições da nossa vida muda de tempo em tempo. 
Entretanto, há pessoas que enfurecem rapidamente, há outras que logo pensa negativo e as vezes cai na depressão, pessoas com vitalidade baixa.
Por outro lado, há pessoas que pensam e agem para o bem de outras pessoas, as que tem com base (casa), estado de bodhisattva. 

Suas ações, reações e sentimentos são direcionados conforme o seu Estado de Vida Base. Se o Estado de Vida Base for os 4 Estados inferiores que são Estado de Inferno, Fome, Animalidade e Ira, seus sentimentos e ações também se serão de acordo com um desses Estados de Vida Base. 



Se for os 5 Estados de Vida superiores que são Alegria, Erudição, Absolução, Bodhsattva e Buda, seus sentimentos e ações também se serão de acordo com esses Estado de Vida Base

A

Assim como nós saímos todo dia da casa para ir trabalhar, ou estudar, o ir no salão para fazer cabelo ou unhas...

Mas, ao terminar o serviço ou seu expediente, aula ou afazer, todos vão embora para a sua casa.


De maneira semelhante, a evidencia um dos 10 estados de vida, a todo momento, provocado pela relação exterior, mas o seu Estado de Vida Base, se mantém inalterável.



Exemplo de uma pessoa que vive o Estado de Inferno, como Estado de Vida Base. Ela sofre com vários problemas. 
Mas, mesmo quem vive no Estado de Inferno como sua base de vida, tem momentos de alegria, tranquilidade, etc. 


  Independentemente do Estado de Vida Base, todos sentem e vivem momentos de sentir alegria,  tranquilidade. Foi isso que nós vimos na matéria os Dez Estados de Vida.


Sabedoria do Sutra de Lótus:

No diálogo sobre o ensinamento contido no Sutra de Lótus, há observações interessantes do presidente Ikeda sobre a Possessão Mútua dos Dez Estados. Nesse diálogo, pode-se entender bem melhor sobre o assunto. A seguir, um trecho desse diálogo (traduzido por Pratyeka).

Ikeda: O Gosho diz que os “Não há nada diferente do Sutra de Lótus. O princípio da causa e o efeito dos dez estados de vida haviam sido revelados nos sutras anteriores ao Sutra de Lótus. E agora, foi revelado a causa e o efeito da possessão mútua dos dez estados de vida no Sutra de Lótus.” (Gosho Zenshu pág. 326 ).
O princípio da possessão mútua dos dez estados de vida é essência da essência dos ensinamentos do Sutra de Lótus. Portanto, não é algo que possamos explicar om poucas palavras. 
O o que é “possessão mútua”? Se você entender a “possessão mútua”, como a sua vida pode mudar?  Vamos começar compreender a partir desse ponto.

Saito: Como o próprio Daishonin diz, nos ensinos pré-Sutra de Lótus, já haviam sido revelado sobre dez estados de vida. Entretanto, esses dez estados de vida eram todos separados e distintos entre si. Por esse motivo, para uma pessoa que vive no estado de tranquilidade (nota: o estado de tranquilidade, originalmente é escrito “estado de humano”) alcançar o estado de Buda, tinha que abandonar a vida de estado de humano. 
Por essa razão, o Buda pregou nos ensinamentos antes do Sutra de Lótus que os mortais comuns tinham que se submeterem à prática de incontáveis kalpas, para se livrar 9 estados de vida (estados de Bodhisattva até Inferno), ou que renascerá na Terra Pura (paraíso), bem distante do mundo real.

Ikeda: “O estado de humano possui os 10 estados”. Uma coisa, que achamos que é obvio, mas na verdade, esse é o ponto chave da do princípio da possessão mútua dos dez estados de vida.
Em outras palavras, existem dez estados de vida no universo. O universo inteiro em si, é um grande ser dotado de dez estados de vida. Nós nascemos no estado de humano dentro desse universo. Existem dez estados de vida neste estado de humano dentro desse universo, e também existem dez estados de vida também no mundo animal. Cada um dos dez estados de vida, incluindo o estado de fome e o estado de ira, possuem também seus próprios dez estados de vida.

Ikeda: Então, por que foi pregado a “possessão mútua dos dez estados de vida”?
O propósito disso é ensinar que “o estado de humano é dotado de dez estados de vida”. Sobretudo, esse princípio ensina que “o estado de Buda existe (também) no estado de humano” e que as pessoas comuns podem atingir o estado de Buda tal como são.
Saito: Saber disso se chama-se “observar a mente (kanjin)”. O Daishinin diz: “Observar a mente (kanjin) significa observar a própria vida e ver os dez estados de vida”.

Ilustração para ter uma noção de tempo que um mortal levava para alcançar o estado de Buda. Como levava um tempo inimaginavelmente  longo, é chamado de "prática de incontáveis kalpas".



Fim