quarta-feira, 2 de abril de 2025

Conceito de Demônio no Budismo

   No budismo, frequentemente termo "demônio".


  O que é esse demônio?
  É igual do que o Buda Sakyamuni enfrentou antes de atingir a sua iluminação? 

  No cristianismo, demônios são seres sobrenaturais que se opõem a Deus e ao ser humano. São também conhecidos como Diabo, Lúcifer, Satã, Belzebu, Maligno, Belial ou Dragão. (Fonte: Infopédia)
 
  Na Wikipédia diz: Demónio ou demônio é, segundo o cristianismo, um anjo que se rebelou contra Deus e que passou a lutar pela perdição da humanidade. Na antiguidade, contudo, o termo tinha outra conotação, referindo-se a um gênio que inspirava os indivíduos tanto para o bem quanto para o mal.

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  Como o Cristianismo moldou a figura de Satanás para combater outras religiões

      A figura do demônio foi criado pelo homem.
akuma1   No Ocidente, antigamente, o demônio ou diabo não era retratada como a maioria das pessoas estão familizados, ou seja, com olhos vermelhos, enormes chifres, corpo vermelho com grandes asas de morcego na costa - uma "besta" como dizem normalmente.
 
  No site da BBC News Brasil, há um artigo interessante que eu peguei emprestado como subtítulo dessa matéria. No site diz: - 
  "A partir do ano 1000, o diabo começa a ser representado com aparência grotesca e monstruosa, entre o humano e o animal. (...)  Um fato interessante, que Até o século 11, conforme aponta o pesquisador, ele quase sempre foi retratado com aparência humana.
  O escritor e semiólogo italiano Umberto Eco tratou dessa questão no livro "História da Feiura". "É somente a partir do século 11 que ele começa a aparecer como um monstro dotado de cauda, orelhas animalescas, barbicha caprina, artelhos, patas e chifres, adquirindo também asas de morcego".


   Por que o Diabo é retratados com chifres, rabo e pé de bode?

   A intensão da igreja, era criar "o inimigo de Deus" na forma mais hedionda possível. No site citado paga acima diz: "A assimilação da cultura grega e seus deuses por parte do cristianismo trouxe contribuições como os chifres, os pés de bode e o rabo, características do deus Pã. A entrada do cristianismo nos países celtas, ao norte da Europa, contribuiu para reforçar essa imagem próxima do deus Cernu, ou Cernunno".

   A figura pagã de Pã (Deus dos bosques, dos campos, dos rebanhos e dos pastores, da mitologia grega. Imagem à direita) é associado à várias atitudes criticadas pela igreja católica, como símbolo da sexualidade 'selvagem' e desregrada. As divindades mais antigas costumam ser animais ou humanos com partes de animais. Associar uma imagem dessas a algo maligno é também uma forma de criticar os cultos antigos. 


  Conceito de Demônios no Budismo:

  No 13º capítulo do Sutra de Lótus, “Devoção Encorajadora”, consta que os praticantes que propagarem o verdadeiro ensino budista (Sutra de Lótus) na era dos Últimos Dias da Lei, enfrentarão diversos insultos provocados por três tipos de perseguidores chamados de Três Poderosos Inimigos ou Três Tipos de Inimigos. (Fonte: Jornal Brasil Seikyo Edição 1846)

  Demônios no budismo significa, “desejos mundanos” e “visão errônea” que existe dentro da nossa vida.  Essas funções negativas faz com que as pessoas se afastam do Gohonzon (e recitar o Daimoku) e das atividades da organização.
  Além disso, os demônios têm a função de causar desordem no pensamento das pessoas e, consequentemente, a perturbação na sociedade, de modo que às vezes os demônios são usados ​​para representar aqueles que causam desordem no pensamento.
  Ainda no 13º capítulo do Sutra de Lótus, “Devoção Encorajadora”, há passagem que diz: “Demônios malignos se apossarão das pessoas”. As pessoas dominadas e controladas por “desejos mundanos” e “visão errônea”, aparentando diabo ou demônio, perseguem aqueles que protegem a Verdadeira Lei.

 Demônio do Bem e Demônio do Mal

  Há duas categorias de demônio no budismo. 
  Demônios que protegem os praticantes budistas (deuses demoníacos bons) e demônios que corroem a vida (deuses demoníacos maus). 
  No Sutra de Lótus, diz que o demônio do bem protege aqueles que defendem o Sutra de Lótus.
Deuses demoníacos bons, atuam como função de “shoten zenjin”, ou seja, como “deuses budistas”. 


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  “Deuses budistas”, “divindades celestiais” ou “deuses protetores”, entre vários outros nomes, referem-se às funções que protegem os ensinos corretos do budismo e os seus praticantes. (Brasil Seikyo, Edição 1840)
  As divindades celestiais (諸天善神) descritas no Gohonzon, como Brahma e Shakra, [as divindades do Sol e da Lua] atuam em proteção aos praticantes budistas. O budismo explica que suas funções protetoras são ativadas pela fé contidas nas orações. 
  Se praticarmos o verdadeiro budismo e vivermos uma vida de bem, as funções protetoras que existem no nosso redor e no meio ambiente serão ativadas e nos apoiarão e protegerão como deuses budistas.
A Lei Correta é a fonte que aumenta os poderes de todas as divindades celestiais.  (fonte: site da Soka Gakkai)

  
  Iluminação do Buda Sakyamuni e a Luta com o Demônio

  Embora o Sakyamuni tenha nascido príncipe, desde muito jovem ele testemunhou o sofrimento das pessoas e ficou profundamente perturbado por isso. Resolveu então abandonar a vida real e tornar um monge em busca de soluções fundamentais da vida.
  As escrituras budistas descrevem como “quatro encontros” que levaram Shakyamuni a tomar consciência dos quatro sofrimentos inevitáveis ​​do nascimento, envelhecimento, doença e morte, e a buscar uma solução para esses sofrimentos. 

  O Buda passou por práticas ascéticas por vários anos, mas percebeu que atormentar a si mesmo não o livraria do sofrimento, então ele parou com tais práticas. 
  Em seguida, perto da Palácio de Gaya, ele sentou-se sob uma árvore bodhi e entrou em meditação.
  Após alguns dias de meditação (alguns fontes dizem que foi mais de 20 dias de meditação), Shakyamuni percebeu a verdadeira natureza da vida e de todas as coisas. Por causa dessa iluminação, Shakyamuni passou a ser conhecido como Buda, ou “o Desperto”.

Imagem do Sakyamuni fazendo meditação.
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  O Buda Sakyamuni, após atingir a iluminação, ele permaneceu sob a árvore bodhi por algum tempo, regozijando-se com sua libertação do sofrimento, mas também ficou muito preocupado ao pensar que, quão difícil seria transmitir a sua iluminação aos outros.
  No entanto, Shakyamuni decidiu pregar essa iluminação aos outros, a fim de abrir o caminho para a libertação de todas as pessoas do sofrimento do nascimento e da morte.

  
   Um fato interessante é que, as escrituras dizem que durante o período da sua meditação, Sakyamuni enfrentou demônio.
  Segundo escrituras,esse demônio era desejos mundanos provocados por Demônio do Sexto Céu.
   A percepção do Buda foi um evento transformador na história da humanidade, pois representou a libertação do sofrimento e a busca pela verdade. 
  Por esse motivo, a função de maldade - representado nesse episódio como Demônio do Sexto Céu, deve ter agido agressivamente para impedir isso.


Fim

segunda-feira, 24 de março de 2025

Prática da Fé é Vida Diária

  O que significa "Prática da Fé é Vida Diária"?


  No Budismo Nichiren, prática da fé e vida não podem ser compreendida como entidades separadas. Portanto, a Soka Gakkai ensina que "Prática da Fé é Vida Diária" é "Vida Diária é Prática da Fé". (Fonte: Sokanet)

  No escrito, Daishonin afirma: “Considere o serviço ao seu lorde como uma prática do Sutra de Lótus”  (END, vol. 1, p. 342)
   A palavra  "serviço ao seu lorde" significa servir a um senhor ou outra pessoa, mas se aplicarmos isso à nossa realidade atual, significa tarefas, trabalhos ou ocupação que devemos fazer, ou seja, o papel que desempenhamos na sociedade ou na casa, ou seja, o nosso cotidiano.
  Portanto, esta frase nos ensina que nossa vida diária é um lugar para exercício budista e um lugar para demonstrar nosso próprio modo de vida, baseado na prática da fé.

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  Então, a vida diária também é um lugar onde a fé é fortalecida?

 Quando enfrentamos dificuldades ou desafios, oramos com toda sinceridade para superar ou vencer. 
 O acúmulo desses sinceros esforços em nossa vida diária, com base no Daimoku ao Gohonzon, essa luta diária com a realidade (problemas e desafios) se tornam como oportunidades para manifestar o estado de Buda em nosso coração e poderemos transformar como um palco para transformação das nossas próprias vidas.   (fonte: Sokanet https://www.sokanet.jp/blog/94.html)

Significado de Soku

 O termo Prática da Fé é Vida Diária, em japonês se escreve 信心生活 (Shinjin soku Seikatsu). Shinjin (信心) significa "ter fé" ou "acreditar, aceitar e praticar os ensinamentos de Buda" (fonte: Soka Gakai), e Seikatsu (生活) significa "viver em meio a sociedade.
 Agota o termo "soku" (), que fica entre as duas palavras, Shinjin (prática da fé) e Seikatsu (vida diária), em português é traduzido como "é", mas isso, do ponto de vistado verdaeiro significado de "soku (), não é correto, pois o verbo é significa que é a mesma, e Shinjin soku Seikatsu no sentido oroginal em japonês, não é a mesma que "prática da fé é vida diária".

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 O termo soku, segundo Encicolopédia de Filosofia Budusta (仏教哲学大辞典), publicado pela Soka Gakkai, significa: sem alterar sua forma original manifestar diferente característica". Ainda nessa enciclopédia fala: Anotações sobre “No volume 1 da Grande Concentração e Discernimento (止観輔行伝弘決) diz: "De acordo com Guangya*: (chinês: 廣雅), "soku" significa "junção (ou união)''. Se seguirmos essa explicação, chega-se a interpretação, "soku" seria semelhante a chamar "união de duas coisas idênticas" com esse termo. Porém, essa interpretação ainda está longe do significado original. Agora, seguindo filosofia budista, seria "inseparabilidade do corpo", por isso é chamado de "soku". (...) É diferente de "junção" (ou união)**.

 Portanto, em todos os princípio budista que tem termo "é" ou "são", ou seja "verbo ser" na tradução em português, tais como prática da fé é vida diária, budismo é sociedade, desejos mundanos são iluminação, os sofrimentos do nascimento e da morte são nirvana, etc... Tem que enteder que não é ou são mesma coisa.

* Guangya: (chinês: 廣雅)um dicionário chinês chinês do início do século III d.C., editado por Zhang Yi (張揖).
** Original em japonês: 即とは廣雅にいわく合なりと。若しこの釈に依らば、なお二物相合を即と名るに似たり。その理なお疎し。今義をもって求むるに体不二の故に、故に名付けて即と為す。(...)合の義と異なる。 (仏教哲学大辞典 página1156)


  Orientação para Grupo Ikeda Kayokai
  (Publicado no Seikyo Shimbun 20/8/2024)

 “A pessoa de sabedoria não é a que pratica o budismo à parte dos assuntos seculares; em vez disso, ela tem plena compreensão dos princípios que regem o mundo.” (Redução de Kalpas - CEND Vol. 2 p. 388)
  Nos ensinamentos anteriores ao Sutra de Lótus viam as "leis da sociedade" e a "budismo" como entidades separadas, e ensinavam que o caminho para a iluminação estava em um "mundo transcendental", longe do "mundo atual".   
 Ainda hoje, a percepção geral é que a religião não tem relação com a nossa sociedade ou com a nossa vida cotidiana.
  Em resposta a essa maneira de pensar, Nichiren Daishonin declarou em Gosho que "o budismo não é praticado isoladamente da sociedade".

  Essa frase mostra a importância de aplicar a sabedoria do budismo ao mundo real. Os princípios de "prática da fé é vida diária" e "budismo é sociedade" que a Soka Gakkai preza estão imbuídos no espírito de Nichiren Daishonin.
  Para nós, "aplicar a sabedoria do budismo na sociedade" significa enfrentar as realidades em rápida transformação, do trabalho, da escola, da família, da saúde e do romance, com fé e através disso enriquecer nossas vidas.

  O importante é estar determinado a superar quaisquer preocupações ou desafios com base prática da fé. Revigorar o espírito e transformar todos os seus problemas e desejos em orações ao Gohonzon — mesmo quando dizemos colocar em ação a "prática da fé é vida diária", tudo começa com a oração. 
  Olhe bem para o seu coração e ore com toda seriedade, para que consiga avançar "pelo menos um passo à frente". Quando se faz isso, você poderá expandir o seu potencial e romper limites da situação atual.  

   Além disso, a razão pela qual praticamos todos os dias não é apenas para sua própria prosperidade. É também para ilumine a sociedade com a luz da esperança do Budismo e trilhar o caminho da felicidade juntamente com as pessoas ao nosso redor.
  Mesmo diante da rigorosa realidade, a qual as vidas das pessoas sendo colocadas em risco por ataques de país estrangeira, Nichiren Daishonin levantou só a bandeira do Kosen-rufu e lutou destemidamente pela felicidade do povo e pela paz da sociedade.

  A sabedoria que traz felicidade às pessoas é o  budismo. Separar a lei budistas dos leis seculares e descartar ou menosprezar um deles não é o "caminho do meio".
 Orar fervorosamente ao Gohonzon, quando enfrenta desafios na vida real, e com contínuo esforço e sabedoria, desafiar no trabalho duro. 

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Os três primeiros presidentes da Soka Gakkai herdaram esse espírito e provaram o princípio de "Budismo é sociedade". Eles lutaram bravamente contra o mal que desrespeita a vida humana e promoveram a filosofia budista que ensina que todos sem exceção têm direito de ser feliz, e ampliaram  a rede de solidariedade da esperança.


  Diretrizes para a Nova Era do Kosen-rufu Mundial
                (Orientação de presidente Ikeda do livro editado em 2020) 

sisin  À medida que você persevera sua fé no meio à dura realidade,  e viver a vida em prol do kosen-rufu, a sabedoria do Buda certamente surgirá dentro de você. Aqueles que perseveram este desafio são verdadeiros sábios que seguem o Caminho do Meio de que a "prática da fé é vida" e "Budismo é sociedade". (…) 
  É no mundo real que se encontra a "prática do Sutra de Lótus" (Gosho p.751). Nada é desperdiçado e tudo se torna treinamento para sua própria revolução humana.




Jornada do Mestre e do Discípulo na Luta pelo Kosen-rufu
  (Orientação de presidente Ikeda do livro publicado em 2023) 

Este mundo Saha pode ser um mundo pode parecer atoleiro de sofrimento. Entretanto, somente_A-Jornada quando alguém tem a coragem de se colocar no meio de pessoas sofredoras ou demonstrar a compaixão e a sabedoria do budismo e contribui para a felicidade das outras, é que pode ser chamado de "verdadeira pessoa de sabedoria". (...) Uma "religião viva" é aquela que continuamente produz valores humanos em prol da sociedade.


 Terra onde vive é Terra da Prática de Fé

(Orientação do Pres. Ikeda na Universidade Soka da América em 27 de feveriro de 1990)

Qual é o propósito da vida?
É felicidade. No entanto, a felicidade tem muitas dimensões e não é de forma alguma uma coisa fixa. Há muita felicidade relativa.

 Nichiren Daishonin declarou categoricamente: “Não há felicidade maior para os seres humanos do que recitar Nam-myoho-renge-kyo”.
 Não importa o que aconteça, seja sofrimento ou alegria, continuaremos a recitar o Daimoku para o Gohonzon. Enquanto você manter fé inabalável, baseada no princípio de "desejos mundanos são iluminação", certamente alcançará uma vida de "todos os desejos são realizados".  A verdadeira felicidade está em estabelecer esta condição de vida. Alí se encontra, uma vida digna, de alegria, tranquilidade e satisfação.

A organização de Kosen-rufu (Soka Gakkai) existe para ajudar cada um de vocês a alcançar a felicidade absoluta. Sua felicidade é o objetivo, todo o resto é um meio. Além disso, a terra onde vivemos (a sociedade) é a terra da verdadeira Lei e da prática da fé. Baseado na prática da fé, sempre valorizando a sociedade, nossas vidas e nossos lares.  

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O kosen-rufu terá um progresso sólido. 

"Prática da fé é vida diária", é o nosso eterno diretriz.


FIM

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Desejos mundanos são iluminação

   O que são desejos mundanos?




  No catolicismo, os prazeres mundanos são:

   Luxúria da carne, que está relacionada aos apetites
   Luxúria dos olhos, que está relacionada à aparência
   Orgulho da vida, que está relacionado aos aplausos
 

  Definição de desejos mundanos no Budismo:

   O termo “desejos mundanos” muitas vezes pode ser associado à ideia de imoralidade ou de perversidade. Porém, esta é uma interpretação errada. 
   A palavra “mundano” é utilizada no sentido de algo derivado do “mundo”. Portanto, “desejos mundanos” deve ser entendido como “desejos do mundo” ou como “desejos materiais”. 
   Muitas pessoas almejam um bom emprego, enquanto outras, uma bela casa. Há aquelas que lutam para superar o carma de doença ou para criar um bom relacionamento familiar.
   Todos estes desejos fazem parte da vida de qualquer pessoa humana e compreendem os desejos mundanos, que evidentemente não podem ser erradicados.
   Porém, a prática do Budismo de Nitiren Daishonin faz com que estes desejos se transformem em iluminação, isto é, em felicidade.          (fonte: Brasil Seikyo, Edição 1722)



   No budismo, os desejos mundanos são emoções e comportamentos que podem levar ao sofrimento. 
 Os exemplos são: 
Sakyamuni pregou ensinamento de Hinayana no icício
      ambiçãoSakya
      ira
      fúria
      egoísmo
      inveja
      desprezo
      desdém
      crueldade
      obsessão
      desejo por fama


   Mas essa visão sobre os desejos mundanos era do Budismo Hinayana. (vide Comparação Quíntupla).
  O Budismo Hinayana prega que os desejos mundanos  são a causa da infelicidade, e por isso, ensinava reduzir o corpo a cinzas e extinguir a mente, onde achavam que produzia as causas dos desejos mundanos.

  
  Desejos Mundanos no Budismo de Nichiren Daishonin:

        Livro: Budismi de Nichiren e Pensamento de Daisaku Ikeda
               (publicado em 2018 por Instituto Sogaku)

hon  No livro "Budismo de Nichiren e Pensamentos de Daisaku Ikeda", o presidente Ikeda diz: "Por meio da doutrina de “desejos mundanos são iluminação”, a Soka Gakkai ensina que a verdadeira felicidade está na coragem e na sabedoria de lidar com o sofrimento da realidade. 
  Mesmo sendo uma pessoa comum cheia de desejos mundanos e atormentada pelo sofrimento, pode tornar-se percebendo o estado de Buda de dentro da sua vida, evidenciando sabedoria de bodi* e se libertar do apego ao sofrimento, e atingir o estado de verdadeira liberdade."


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  “Desejos mundanos são iluminação”, é  um princípio revelado no 12.o capítulo do Sutra de Lótus, o capítulo Devadatta. 
   Neste capítulo, o Devadatta, que é um ser do estado de inferno, recebeu a garantia de alcançar o estado de Buda no futuro. Isso significa que, os desejos mundanos são a mesma que a iluminação.
   Mas o simples fato de possuirmos desejos não significa que estamos automaticamente “iluminados”.
   A palavra chave para a transformação dos desejos mundanos em iluminação é a recitação do Nam-myoho-rengue-kyo ao Gohonzon.

   Devadatta, foi primo de Sakyamuni, tornou-se discípulo de Shakyamuni, mas tornou-se arrogante e hostil, causando vários danos a Shakyamuni e conspirou para dividir a ordem religiosa.
   Ele cometeu 3 pecados capitais, que são: ① machucar o Buda, ② matar arhat, ③ provocou cisma na ordem budista.
   Embora Sakyamuni tenha ensinado que esta vida é cheia de sofrimentos, porém, ele não permaneceu nesse pensamento. Em vez de tentar escapar de uma vida de sofrimento, ele viu claramente os sofrimentos de nascimento, envelhecimento, doença e morte e tentou superá-los. É aí que reside a essência do budismo”. 

Livro: Minha Visão sobre o Budismo de Daisaku Ikeda
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   No livro "Minha Visão sobre o Budismo"  (Publicado em 1974), presidente Ikeda diz: “Há duas maneiras de encarar a vida.
   Uma visão é que o sofrimento é carma, algo que nos atormenta e nos prende, e o Hinayana buscava alcançar um estado de paz e tranquilidade livre de sofrimentos, eliminando os desejos mundanos e escapando do doloroso mundo de ciclo da reencarnação. 
   Embora Sakyamuni tenha ensinado que esta vida é cheia de sofrimentos, porém, ele não permaneceu nesse pensamento.
   Em vez de tentar escapar de uma vida de sofrimento, ele viu claramente os sofrimentos de nascimento, envelhecimento, doença e morte e tentou superá-los. É aí que reside a essência do budismo”
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  Como transformar os desejos
  mundanos em iluminação?
                                                                     
(de Brasil Seikyo, Edição 1722)

  O simples fato de possuirmos desejos não significa que estamos automaticamente “iluminados”. A palavra chave para a transformação dos desejos mundanos em iluminação é a recitação do Nam-myoho-rengue-kyo ao Gohonzon. 
  Quando recitamos Daimoku com sincera fé ao Gohonzon, podemos desenvolver o autocontrole para não sermos dominados pelos desejos mundanos, mas sim para que eles se tornem a força propulsora para o próprio crescimento. 


Orientação do Presidente Ikeda
                                                                      
Ikeda_n   No budismo, ensina o princípio de "Bon-no soku bodai". (Em português "os desejos terrenos são a iluminação"). Para simplificar, "bon-no" significa "preocupações", ou seja, os desejos que causam preocupações. Bodhi significa "felicidade" e um estado de iluminado.
   Normalmente, os desejos mundanos e a iluminado são separados, e são opostos. Entretanto, no budismo de Nichiren Daishonin é diferente.
   Ele ensina que somente queimando a "lenha" das preocupações é que se pode obter a "chama" da felicidade. Você adquirirá a luz e a energia da felicidade.
   A "lenha'' é queimada com o Daimoku. Quando você recita o Daimoku, todas as suas preocupações serão transformadas em energia para a felicidade, torna-se combustível para o avanço. Aquelas que mais sofrem serão as mais felizes.
   A pessoa que tem mais problemas acaba vivendo a melhor vida. Isto é budismo. É por isso que é maravilhoso praticar o Budismo de Nichiren Daishonin.  (fonte: livro: Diálogo sobre a Juventude)


  
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  Significado de SOKU

  Explanação de Presidente Ikeda para Divisão dos Jovens (Maio de 2023)
(Matéria: Registro dos Ensinos Transmitidos Oralmente para os jovens) 

  Tanto “desejos mundanos são  Iluminação” (bon no soku bodai), quanto “nascimento e morte são nirvana” (shoji soku nehan), são conceitos aparentemente opostos, mas estão ligados pelo único caractere “soku”. 
  Este “soku” não significa simplesmente “é”, ou “são” ou “igual(is)”.  “Soku” é o princípio de transformação. Se olharmos para a verdadeira natureza da vida através da visão de sabedoria do Buda, podemos ver que mesmo em uma vida dominada pelos desejos mundanos e pelos 4 sofrimentos (sofrimentos de nascimento, velhice, doença e morte), existe dentro dele o estado de iluminação conhecido como bodi e nirvana.”
 
Nota:  (Bodi 菩提= iluminação de Buda) . A palavra bodhisattva vem de  sânscritas bodhi = "iluminação" ou "despertar", e sattva = "ser". A palavra significa literalmente "aquele cuja essência é o conhecimento perfeito.


   Analogia para entender Soku

  Numa analogia, os desejos mundanos pode ser comparados ao tanino de caqui que amarra boca. Um caqui rama forte, se comer do jeito que foi colhido no caquizeiro, amarra boca e não tem como comer.  Mas se colocar um pouco de alcool no calice de caqui e deixar uma semana num local escuro e fechado, tornará doce e comestível. 

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   A substância do caqui que faz amarrar a boca chama-se tanino e ela que dá aquela sensação de "amarrar a boca" porque tanino se dissolve com a água contido na saliva, e aí o paladar sente que amarra boca. Mas, se colocar alcool (ou café) no seu cálice, alcool fará função de inibir dissolução de tanino, e poderá sentir somente "doce".
  O importante aqui, é que o tanino não é eliminado de caqui. O tanino transforma em  tanino insolúvel  na água, e assim sendo, quando se alimenta o tanino não dissolve com a saliva e sente doce.

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  Sabe-se que caqui que amarra boca, é mais doce do que caqui Fuyu, aquele que é doce, que não precisa passar alcool no seu cálice nem guradar na estufa por algum tempo.
  Os caquis que amarram a boca, tais como: caqui Rama Forte, caqui Taubaté e caqui Giombo (mais conhecido como caqui chocolate), tem teor de açúcar em torno de 20 porcentos, enquanto que, o teor de açúcar do caqui Fuyu é em torno de 16 porcentos.

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  O caqui seco é feito com caqui que amarra boca, mas por passar por processo de desidratação, o tanino se transforma insolúvel na água e fica doce. E o seu teor de açúcar chega a 50 porcentos.

  O princípio de Desejos Mundanos são Iluminação, é como tanino de caqui. Quanto mais a pessoa sofre com desejos, quando transforma isso em realização dos seus desejos sente mais a felicidade. 


caqui seco tem 50% de teor de açúcar
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Caquis são pendurados para ser desidratado.
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Fim
                                                  

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Comparação Quíntupla

   O propósito da Comparação Quíntupla é esclarecer qual religião ou filosofia pode fazer, de maneira real e efetiva, com que as pessoas superem seus sofrimentos e atinjam um estado de felicidade indestrutível.

  Essa comparação implica em avaliar os diferentes ensinos com base na forma que explicam a causa e o efeito na vida, ou seja, a causalidade para atingir o estado de Buda.


  E compara as doutrinas dessass religiões, baseado no princípio da Lei de Causa e o Efeito da vida que decide a felicidade e a infelicidade. 

Em relação ao Budismo, ele utiliza Classificação dos Sutras e os seus ensinamentos, que já era utilizado no budismo da China como um dos métodos de comparação para julgar os conteúdos dos sutras. 

  Cinco Períodos e Oito Ensinos

  É um método de classificação desenvolvido por Mestre Tendai da China. Ele focaliza no Sutra de Lótus (que é o supremo ensino do Sakya), considerando que todos os ensinamentos dos sutras foram pregados durante a vida de Buda Sakyamuni, sistematizou e analisou de forma abrangente e sem contradições.

Esse método divide todos os sutras em: Cinco Períodos e Oito Ensinos.

 Cinco Períodos e Oito Ensinos

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Cinco Períodos:

 1. Período Guirlanda de Flores (Kegon-ji 華厳時)
  O período durante o qual Shakyamuni pregou o Sutra Kegon por 21 dias após atingir a iluminação sob a árvore Bodhi perto da Fortaleza Gaya.

 2. Período Agama (Agon-ji 阿含時)
  Durante o período Kegon, havia algumas pessoas que não conseguiam compreender os ensinamentos, por isso durante 12 anos ele pregou os Quatro Agon Sutras e outros ensinamentos em locais como o Jardim Dekaen em Varanasi, a fim de atrair seres sencientes para o Budismo. É posicionado como Hinayana em comparação com Mahayana.

 3. Período Correto e Igual (Hoto-ji 方等時) 
Durante os 16 anos seguintes (alguns dizem 8 anos), ele pregou vários sutras Mahayana, como o Amitabha Sutra e o Vima Sutra, e denunciou as vozes que estavam ligadas ao Hinayana, tornando-as assim queridas pelo Mahayana.

 4. Período Sabedoria (Hanya-ji 般若時)
  Por 14 anos (de acordo com uma teoria, 22 anos) em 16 templos em quatro locais como o Monte Washimine (Monte Eagle Mountain) e o Lago Hakuro, ele pregou os ensinamentos de todo vazio, como o Sutra Prajnaparamita, e elevou a essência de seres sencientes como bodhisattvas.

 5. Período Lótus-Nirvana (Hokke-Nehan-ji 法華涅槃時)
  Este é o período durante o qual o Sutra de Lótus foi pregado durante 8 anos no Monte Reishi em Magadha e Kokukai, e os verdadeiros ensinamentos que transcenderam Mahayana e Hinayana e permitiram que todos os seres sencientes atingissem o estado de Buda foram mantidos. Houve também um período pouco antes de sua morte, quando ele pregou o Sutra do Nirvana nas Árvores Sala, no rio Byadi, a noroeste do Castelo de Kushina (Kushinagara), e forneceu sermões suplementares para aqueles que perderam os sermões do Sutra de Lótus.


Oito Ensinos:

  Quatro Métodos de Ensino (化儀の四教)

1. Método do Ensino Abrupto (頓教): Pregar a verdade da iluminação imediatamente
2. Método do Ensino Gradual (漸教): Levar os ensinamentos avançados passo a passo
3. Método do Ensino Secreto (秘密教): Buda prega o mesmo ensino, mas os ouvintes desconhecem a existência de outros.
4. Método do Ensino Indeterminado (不定教): Os ouvintes ouvem os mesmos ensinamentos no mesmo lugar e reconhecem mutuamente a sua existência, mas existem diferenças na sua compreensão dos ensinamentos

Quatro Doutrinas (化法の四教)

 1. Ensino Tripitaka (三蔵教): Objetivo final é apenas a iluminação dos seres da erudição.
 2. Ensino Conexivo (通教): Introdução aos ensinamentos da Mahanaya. Objetivo principal são os bodisatvas
 3. Ensino Específico (別教): Ensinos direcionados aos bodisatvas, excluindo os seres dos 2 veículos
 4. Ensino Perfeito (円教): Tem o benefício de salvar todos os seres vivos

Nota do autor: Quem quer saber mais sobre Os Cinco Períodos e Oito Ensinos, pode ver mais na página de Nichiren Budhsm Library (escrito em inglês, mas pode traduzir com Google tradutor).


Comparação Quíntupla:

Com base nesse sistematização estabelecido por Mestre Tendai, Nichiren Daishonin estabeleceu a Comparação Quíntupla.

Comparacao Quintupla


 1. Caminho Interior   vs   Caminho Exterior 


  A primeira comparação é entre o budismo, o “caminho interno”, e os ensinos não-budistas da Índia e da China, o “caminho externo”.

  O budismo ensina que a causa principal que determina a felicidade ou infelicidade reside em nosso interior e quecinza somos protagonistas com o poder para decidir nosso próprio destino. Por isso, o budismo é chamado de “caminho interno”, e é superior a caminho externos.  

 Budismo Mahanaya vs Budismo Hinayana 

O Budismo Hinayana prega que os desejos mundanos  são a causa da infelicidade. 

  Por isso, para o Hinayana, o enfoque da iluminação está em reduzir o corpo a cinzas e extinguir a mente, que acham que onde produz as causas dos desejos mundanos. Nesse ponto encontra-se a limitação do Budismo Hinayana.

  Outro ponto: O Mahayana significa “grande veículo” em sânscrito e “Hinayana” significa pequeno veículo . 

 Os ensinamentos para os seres da erudição e absolução (os 2 veículos) objetiva libertação dos sofrimentos de si próprio. Esse tipo de prática, olhando do ponto de vista dos ensinamentos para bodisatvas que valorizam a salvar outras pessoas (ensinamentos Mahayana), este ensinamento só pode salvar um pequeno número de pessoas, por isso foi comparado a um pequeno veículo. 

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  Mahanaya Verdadeiro vs Mahanaya Provisório 


  O Budismo Mahayana é dividido em: Mahanaya provisório e Mahanaya verdadeiro.

No Mahayana provisório, as pessoas dos dois veículos, pessoas más e as mulheres são incapazes de atingir a  iluminação, pois são consideradas seres que não estão dotadas de natureza de Buda na sua vida, impondo assim, limitações às felicidade. 
  O Sutra do Lótus, o mais elevado e perfeito ensino do Mahanaya verdadeiro. Ele elucida a verdadeira iluminação do Buda Sakyamuni no longínquo passado de Sanzen Gohyaku Jintengo e, com base no fato de que todas as pessoas - incluindo os dois veículos, as pessoas más e as mulheres, ou seja, seres de todos os 10 estados de vida  –  são dotados de estado de Buda no seu interior, e podem atingir a iluminação. Elucida também que esta questão está fundamentada na doutrina dos três mil mundos num único momento da vida (Itinen Sanzen).


 Ensino Essencial vs Ensino Teórico 


 Entretanto, o Mahanaya Verdadeiro também é dividido em Ensino Teórico e Ensino Essencial:


O Sutra de Lótus é dividido em:


 Primeiros 14 capítulos (teóricos)  Últimos  14 capítulos (essenciais)  

budda

  Nos primeiros 14 capítulos, O Sakyamuni ainda prega os ensinos do ponto de vista de que ele alcançou a iluminação pela primeira vez nesta vida na Índia, como vinha pregando nos ensinos do Mahanaya Provisório. 

E é revelado também os Dez Fatores da Vida, e ensina que todos os seres possuem o estado de Buda.

  Em contraste, no ensino essencial (últimos 14 capítulos) esclarece que o Sakyamuni atingiu a iluminação no remoto passado de Gohyaku Jintengo. 

Ele revelou ainda que, exerceu as práticas de bodisatva (verdadeira causa) para alcançar o estado de Buda (verdadeiro efeito). 

  Com isso, foi esclarecido que todos seres possuem os Dez Estados de vida. 

Além disso, foi revelado que esta terra onde vivem seres perdidos é a terra onde o Buda permanece permanentemente (verdadeira Terra). Revelando então, a verdadeira causa, verdadeiro efeito e verdadeira terra, e também esclarece a Possessão Mútua dos Dez Estados de Vida, concluindo assim a doutrina de Itinen Sanzen - Três Mil Mundos num Único Momento da Vida.


 Budismo de Semeadura vs Budismo de Colheita 


Budismo de Colheita


  O Sutra de Lótus de Sakyamuni tinha objetivo de conduzir à iluminação, os seres que ele veio ensinando desde remoto passado. Entretanto, os seres que não tiveram nenhuma relação com com o Shakyamuni no passado e não puderam acumular as boas sortes necessárias para a atingir o  estado de Buda ficariam excluídos. 

  Aqueles que foram ensinados por Shakyamuni no passado, nasceram nos Primeiros Dias e Médios Dias da Lei, praticaram o Sutra de Lótus, e alcançaram o estado de Buda.  (abriram os sementes (cultivados) da Lei original da Semeadura) 

_A-Ryakko  O Buda Shakyamuni conseguiu adquirir a vida eterna (estado de Buda) como resultado de ter praticado o caminho da  bodhisattva, antes de sua iluminação no remoto passado. Para chegar a essa condição, ele precisou atingir o primeiro estágio de segurança, o da não-regressão. E por ter atingido esse estágio, foi capaz de romper com sua fé a escuridão fundamental, e adquiriu  a sabedoria e perceber que os 9 estados e o estado de Buda se encontram sempre presentes na própria vida  sob forma inata.

  Contudo, a prática necessária para atingir o primeiro estágio de segurança é extremamente difícil, da mesma forma como é difícil atingir a sabedoria que permite perceber o estado de Buda na própria vida. 

Ambos feitos excedem a capacidade das pessoas comuns. Dessa maneira, do ponto de vista de seu significado literal, o ensino essencial do Sutra de Lótus não abre diretamente o caminho para as pessoas comuns atingirem o estado de Buda em sua presente forma e nesta existência.

 Budismo de Semeadura


  Nos Últimos Dias da Lei, o budismo de Sakyamuni – o Sutra de Lótus de Primeiros Dias e Médios Dias – perde toda sua eficácia. E as pessoas dessa época não possuem ligação com o Buda Sakyamuni.

É uma época em que os monges não seguem os preceitos,  surgem conflitos dentro da ordem budista e a sociedade será repleta de 5 impurezas que são: ①impureza da era, ②impureza do desejo, ③impureza dos seres vivos, ④impureza da visão e ⑤impureza do período de vida.

  O ensino implícito nas profundezas do Sutra de Lótus, revela o Nam-myoho-rengue-kyo, que foi a força motriz que sustentou a prática de bodhisattva de Sakyamuni para atingir o primeiro estágio de segurança no remoto passado, e é a Lei fundamental que ele percebeu naquele momento. Ao buscar e praticar esta Lei com fé, uma pessoa comum também pode obter imediatamente o fruto do estado de Buda.


 Três Tipos de Sutra de Lótus


  Lembremos aqui, que existem 3 tipos de Sutra de Lótus, conforme o período.

    1. Sutra de Lótus de 28 capítulos do Buda Sakyamuni.


    2. Makashikan do Mestre Tendai.


    3. Nam-myoho-rengue-kyo de Nichiren Daishonin.


 Analogia: Budismo de Semeadura e Budismo de Colheita:

  Para confeccionar uma chabe que abre o cofre (comparado a nossa vida, que tem estado de Buda no seu interior), o homem precisou aprender uso da ferramenta, metalugia, usinagem, etc.,  inventar e aprender o alfabeto e números, desenvolver ferramentas, ciência e tecnológica para criar máquinas, capaz de confeccionar uma chave.
  Tudo isso, precisou aproximadamente 
2,6 milhões de anos, na história da humanidade.
  O Budismo de Colheita, do Buda Sakyamuni que teve sua eficácia durante a vida do Buda e nos períodos de Primeiros Dias da Lei e Médios Dias da Lei, é comparado a essa história de evolução. Os seguidores que alcançaram o estado de Buda nesses períodos, foram os discípulos e as pessoas que o Sakyamuni veio ensinando desde remoto de incalculável kalpas no passado. 

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  Esse tipo de prática que leva imensurável tempo para atingir o estado de Buda é chamado de "prática de incontáveis kalpas" (Ryako Syugyo), que é descrito no Sutra dos Infinitos Significados (無量義経).
  Portanto, desde que uma pessoa normal (chamado de mortal comum) inicie as práticas de um bodisatva para objetivar o estado de Buda, levaria um longo período de tempo, reencarnando repetidamente nas três vidas do passado, presente e futuro. 

Trê Períodos de Budismo
Periodo-Budismo
  

  Em comparação, o Budismo de Semeadura de Nichiren Daishonin, possibilita as pessoas a atingirem o estado de Buda na presente forma e imediatamente nesta vida. Prsente forma significa que, nos ensinamentos pré-Sutra de Lótus eram ensinados que os seres dos Dois Veículos (estados de Erudição e Absolução), mulheres e pessoas mals não podeiam atingir a iluminação, tinham que fazer 
prática de incontáveis kalpas para nascer em homem e boa pessoa, para então depois prosseguir no caminho da bodisatva e atingir a iluminação.
  Imediatamente nesta vida, significa literalmente, que as pessoas podem atingir o estado de vida nesta vida, recitando o Nam-myoho-rengue-kyo e praticando conforme os ensinos de Nichiren Daishonin.

poderosa-chave


Fim


quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

28 Capítulos do Sutra de Lótus

 O Sutra do Lótus é um dos principais ensinamentos do budismo Mahayana e um dos sutras mais populares e influentes. Para a Soka Gakkai, o Sutra do Lótus é o fundamento da prática da fé, que leva à condição de buda, ou seja, um estado de felicidade absoluta, paz e segurança.

O Sutra de Lótus é um dos textos budistas mais reproduzidos ao longo do tempo e em mais línguas. A exposição apresenta versões originais e réplicas de sutras, em relíquias e pinturas que ilustram a trajetória de mais de 2.500 anos da filosofia budista.

Busca explicar como o Sutra de Lótus, entre muitos outros sutras, foi sendo amplamente aceito por numerosos grupos étnicos ao longo da história da propagação do budismo a partir da Índia e atingiu grandes regiões da Ásia.

Além disso, destaca sua mensagem central de paz e coexistência, em benefício da sociedade atual, e retrata mensagens do Sutra de Lótus sobre direitos humanos, o valor sagrado da vida, direitos das mulheres e o poder do povo, por meio de uma coexistência harmoniosa. (fonte: rp@bsgi.org.br)

Sutra do Lótus

Significância: O lótus simboliza a unidade de causa e efeito, pois é uma flor que floresce e gera sementes ao mesmo tempo.

Importância: Considerado por muitas religiões budistas como o ápice dos ensinamentos de Sidarta Gautama ou Sakyamuni.

Capítulos: O sutra tem 28 capítulos, sendo que os capítulos Hoben (Meios Apropriados) e Juryo (a Extensão da Vida) são considerados os mais importantes. E a Soka Gakkai, nos Gongyos da manhã e da tarde, os membros leem parte do Capítulo Hobem e íntegra do Capítulo Juryo como prática adicional. A prática principal, é a recitação de Nam-Myoho-Rengue-Kyo, que é chamado de Daimoku, que significa "título do sutra", ou seja, o Nam-Myoho-Rengue-Kyo, que também está escrito no centro do Gohonzon (mantra).


Comopição de Sutra do Lótus.

1 Introdução 序品(じょほん)第1

2 Meios Apropriados 方便品(ほうべんぽん)第2

3   Parábola 譬喩品(ひゆほん)第3

4   Fé e Compreensão 信解品(しんげほん)第4

5   A Parábola das Ervas Medicinais 薬草喩品(やくそうゆほん)第5

6   Concessão de Profecia 授記品(じゅきほん)第6

7   A Parábola da Cidade Imaginária 化城喩品(けじょうゆほん)第7

8   Profecia da Iluminação para Quinhentos Discípulos 五百弟子受記品(ごひゃくでしじゅきほん)第8

9   Profecias Conferidas aos Aprendizes e Adeptos 授学無学人記品(じゅがくむがくにんきほん)第9

10 Mestre da Lei 法師品(ほっしほん)第10

11 O Surgimento da Torre do Tesouro 見宝塔品(けんほうとうほん)第11

12 Devadatta  提婆達多品(だいばだったほん)第12

13 Devoção Encorajadora  勧持品(かんじほん)第13

14 Práticas Pacíficas  安楽行品(あんらくぎょうほん)第14

15 Emergindo da Terra 従地涌出品(じゅうじゆじゅっぽん)第15

16 O Tempo de Vida do Assim Vindo  如来寿量品(にょらいじゅりょうほん)第16
     ou Revelação da Vida Eterna do Buda

17 Benefícios Distintos  分別功徳品(ふんべつくどくほん)第17

18 Os Benefícios de Responder com Alegria  随喜功徳品(ずいきくどくほん)第18

19 Os Benefícios do Mestre da Lei  法師功徳品(ほっしくどくほん)第19

20 O Bodhisattva Jamais Desprezar  常不軽菩薩品(じょうふきょうぼさつほん)第20

21 Poderes Sobrenaturais do Assim Vindo  如来神力品(にょらいじんりきほん)第21

22 Confiança  嘱累品(ぞくるいほん)第22

23 Assuntos Anteriores do Bodhisattva Rei da Medicina (ou Rei dos Remédios)  薬王菩薩本事品(やくおうぼさつほんじほん)第23

24 O Bodhisattva Maravilhoso Som  妙音菩薩品(みょうおんぼさつほん)第24

25 O Portal Universal do Bodhisattva Perceptor dos Sons do Mundo  観世音菩薩普門品(かんぜおんぼさつふもんぽん)第25

26 Dharani  陀羅尼品(だらにほん)第26

27 Assuntos Anteriores do Rei Adorno Maravilhoso  妙荘厳王本事品(みょうしょうごんのうほんじほん)第27

28 Encorajamentos do Bodhisattva Universalmente Digno 普賢菩薩勧発品(ふげんぼさつかんぼっぽん)第28


Manuscrito do Sutra do Lótus, Capítulo 1, Introdução: Museu Nacional de Tóquio (período Heian)



quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Transformação do Carma (Sykumei-Tenkan)

  O Budismo de Nichiren Daishonin ensina transformação de carma.

  Carma é um conceito que tem origem na Índia.
  Na antiga Índia, o carma era considerado um conceito importante. Desenvolveu-se em conjunto com a ideia de reencarnação desde o período védico (1500 a.C. - 600 a.C.) até ao período Upanixade (1000 a.C. - 500 a.C.), e gradualmente fixou-se do século 10 a.C. ao século 4 a.C..
  A ideia fragmentária da reencarnação apareceu pela primeira vez na literatura brâmanica, no período final da Védica (500 a.C.) e nos primeiros textos upanixade (textos religiosos escrituras do hinduísmo upanixade).
Conceito do Destino
destino


  No ocidente, o princípio relacionado com a vida humana, que equivale ao carma é o destino.
  A palavra destino vem do Latim "de-", "intensificador", mais "stanare", derivado de stare. Destinare era “fixar, afirmar, estabelecer”. Passou a ser usado como “aquilo que é firmemente estabelecido para uma pessoa”.

  Conceito de Destino:

  Segundo enciclopédia Britânica, destino é uma força que controla as nossas ações e existência para além da nossa vontade. Na linguagem grega, "moira" significa a parte de cada pessoa, o latim "fatum" significa dito por Deus, em francês "destin" significa ordenado e em alemão "schicksal" significa enviado. O seu poder (do destino) transcendental foi divinizado na mitologia grega e romana, e o seu absurdo (ou irracionalidade), que trai a deliberação humana, formou o tema da tragédia como um conflito com a liberdade. Além disso, este absurdo é um sinal que distingue o destino da providência divina do cristianismo, que é pré-existente para os seres humanos.

 Resumindo, o conceito de destino pode ser dito da seguinte maneira: Um poder que transcende a vontade humana detrmina felicidade ou infelicidade aos humanos. Isto é, a vida é determinada pela ordem divina e as desgraças e sorete que acontece na vida, ou o que ela reserva para o futuro da gente.  

  Conceito de Carma:
 Ideia de reencarnação do hinduismo
 Reincarnation_AS A palavra carma vem do sânscrito Karman(कर्मन्). 
  Originalmente Karman significa “fazer” ou “criar”, e karma, que é derivada, significa “ação” ou “comportamento”.
  Carma significa "ação" e se refere à relação entre as ações de um indivíduo e os seus resultados. A ideia é que cada ação, pensamento, fala ou comportamento tem um efeito na vida da pessoa, seja no presente ou no futuro. O carma está presente em várias doutrinas religiosas, como o budismo, hinduísmo, jainismo e taoísmo.

  No Budismo, o significado de “ações” retornou ao seu significado original, de comportamento diário, e define que as ações humanas são a causa dos sofrimentos e das prazeres, e, aqueles que se esforçam para realizar boas ações (carma virtuoso) alcançarão um estado de vida de paz no espírito. (Fonte: Sokanet)

Transformação do Carma no Budismo de Nichiren Daishonin:

  Na nossa vida enfrentamos vários tipos de problemas e dificuldades.
  E algumas dessas problemas surgem devido às nossas próprias ações e decisões que tomamos nesta vida, mas também há alguns problemas cuja causa não conseguimos encontrar nesta vida. 
  Às vezes enfrentamos dificuldades que nos fazem pensar: “Não fiz nada de errado, então por que tenho que sofrer assim?”
  No Budismo, esse tipo de sofrimento é visto como resultado de ações (carma) que a pessoa tomou em vidas passadas e que está surgindo agora, nesta vida.

  A palavra “karma”, como já vimos, originalmente significa “ação”. 
  As ações em vidas passadas que trazem felicidade ou infortúnio na vida presente são chamadas de carma. 
  O carma pode ser bom e ruim, mas a palavra carma é frequentemente utilizado para carma ruim de vidas passadas que causa sofrimento na vida presente.
  O Budismo prega a “vida em três existência” ou “a causa e o efeito nas três existências”. Em outras palavras, a vida não se limita a esta vida presente, mas se estende à três existências: vida passada, vida presente e vida futura. 
  Se fizemos causas ruins na vida passada, teremos como resultado efeitos ruins (sofrimentos), e se fizemos boas causas, receberemos bons resultados (felicidade) na vida presente. Esse é o conceito geral de causa e efeito no budismo em geral.

  Entretanto, mesmo que a gente compreende sobre a causa do sofrimento atual, não possibilita mudá-lo imediatamente nesta vida. 
  A única maneira que haveria, seria eliminar os pecados de cada má ação, um por um, através de repetidos nascimentos e mortes em várias vidas futuras, e não haveria outro tipo de solução. Dessa forma, a ideia de carma muitas vezes leva ao fatalismo desesperador.

  Citando a passagem do "Sutra Sobre Como Praticar a Meditação do Bodisatva Mérito Universal" (観普賢菩薩行法経 Kan Fuguen bosatsu gyoho-kyo), Daishonin diz: "As inúmeras ofensas, como o gelo ou orvalho, serão extintas pelo sol da sabedoria". (Registro dos Ensinos Transmitidos Oralmente, TC Edição 488)
  Conforme essa frase do Daishonin, todas as causas negativas e pecados que acumulou no passado, dissiparão quando encontra diante do Sol da sabedoria, que é o Nam-myoho-rengue-kyo. 
  Isto é, recitando o Daimoku, de prática para si e prática para outros, surgirá vida tão forte como o Sol  e qualquer pecados extinguirão como gelo ou orvalho diante do calor do Sol. (Fonte: Sokanet)
  O Budismo de Nichiren Daishonin, baseado no Sutra de Lótus, ensina que o estado de Buda existe dentro de todos e que, ao abri-lo, pode-se atingir o estado de Buda e mudar seu destino.

  Carma é Missão:

  Todos tem seu carma. No entanto, se encarar o seu carma e ver o seu verdadeiro significado, qualquer carma serve para aprofundar a sua vida. E essa sua postura de enfrentar corajosamente o carma, torna-se um espelho de vida para outras pessoas.
  Em outras palavras, quando se transforma o seu carma em uma missão, o seu carma também o transformará drasticamente o seu papel de mal para bem. Qualquer pessoa que “transforme o seu carma para uma missão” pode ser considerada uma pessoa que tem “adotar voluntariamente o carma apropriado”.

  Às vezes nos encontramos em situações difíceis que parecem estar além do nosso controle. Em vez de ver eventos difíceis como nosso destino imutável, nós os assumimos como nossa missão para revolucionar nosso estado de vida e criar valor.
 
  E ao não sermos derrotados por tais desafios, diminuímos seu impacto negativo sobre nós. Na verdade, podemos transformar nossos desafios em combustível para melhor compreensão e encorajamento de pessoas que passam por lutas semelhantes. É assim que transformamos nosso carma e enviamos ondas de mudanças positivas para nosso ambiente. Este é o propósito do movimento kosen-rufu da SGI. Ikeda Sensei escreve:

"A grandiosa Revolução humana de uma única pessoa, irá um dia impulsionar a mudança total do destino de um país, e além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade."

Para efetuarmos mudanças positivas na sociedade, devemos tornar-nos especialistas na transformação das tendências internas que nos causam sofrimento. (Fonte:
Tranforming Karma SGI USA)


  Amenizar o Efeito Cármico

  O Budismo ainda ensina o princípio de "Amenizar o Efeito Cármico (転重軽受 Tenju kyoju). 
  Este princípio consta no Sutra do Nirvana. O ideograma chinês do termo [転重軽受] significa, literalmente, “transformar o pesado e recebê-lo de modo leve”.
 No escrito "Amenizar o efeito cármico", Nichiren daishonin diz: "O Sutra do Nirvana expõe o princípio de amenizar o efeito cármico. Se uma pessoa deixa de expiar seu pesado carma passado na presente existência, experimentará os sofrimentos do inferno no futuro; mas se enfrenta grandes obstáculos nesta vida [por causa do Sutra de Lótus], os sofrimentos do inferno se desvanecerão instantaneamente. E quando essa pessoa morrer, será agraciada pelos mundos humano e celestial [os estados de Tranquilidade e Alegria] e também pelos mundos dos três veículos [os estados de Erudição, Absorção e Bodisatva] e do veículo único [o estado de Buda].” (BS  - Edição 2170)


  No Budismo Nichiren, a teoria do carma ensina que não existe carma negativo ou pesado impossível de ser transformado positivamente. Nesta carta, a transformação do carma ou destino é analisada de um ponto de vista particular: a amenização do efeito cármico.
  Há dois pontos importantes referentes à amenização ressaltados nesta carta. O primeiro diz respeito a uma declaração feita por Daishonin quando afirma: “Os sofrimentos do inferno vão se desvanecer instantaneamente”. Ele diz que mesmo o carma que gera uma retribuição de sofrimento infernal pode ser expiado neste exato instante e não gradativamente ou em algum momento hipotético e distante no futuro.

  O segundo ponto é que amenizar o efeito do nosso carma é o portal que nos conduz a manifestar o estado de Buda nesta existência. No escrito, Daishonin declara: “Os sofrimentos do inferno vão se desvanecer instantaneamente. E quando essa pessoa morrer, ela será agraciada com os benefícios dos mundos humano e celestial [os estados de Tranquilidade e Alegria] e também dos mundos dos três veículos [os estados de Erudição, Absorção e Bodisatva] e do veículo único [o estado de Buda]”.  (fonte: BS  - Edição 2170)

  Na categoria da transformação do carma, ainda há o Princípio de Transformar o Veneno em Remédio que vamos ver a seguir. 

  Transformação do  Veneno em Remédio

  Um dos ensinos que destaca no Budismo de Nichiren Daishonin é o princípio de transformar veneno em remédio.
  Os ensinos pré-Sutra de Lótus elucidaram apenas a teoria do carma do passado e não expuseram que a ação do presente determina o futuro. Assim, o indivíduo fica preso apenas ao carma imutável do passado. Nichiren Daishonin elucidou que todos, sem exceção, podem transformar o carma nesta existência, revertendo a vida de sofrimentos em felicidade. (Brasil Seikyo - Edição 2089)
  O princípio budista “transformação do veneno em remédio” (変毒為薬 hendoku iyaku, em japonês) indica que, por meio dos extraordinários benefícios do Gohonzon, pode-se transformar os infortúnios (veneno) em benefícios (remédio). 

  Nichiren Daishonin cita a seguinte passagem: “O primeiro foi o Bodisatva Nagarjuna na Índia, que afirmou em seu Dai-ron (Tratado sobre o Sutra da Perfeita Sabedoria):  é como um grande médico que transforma o veneno em remédio...’” (As Escrituras de Nitiren Daishonin, vol. 2, pág. 237.) 
  Nitiren Daishonin interpreta de forma ampla essa frase, ensinando que, por intermédio do poder da Lei Mística, a pessoa pode transformar o veneno dos Três Caminhos (desejos mundanos, carma e sofrimento) em remédio das Três Virtudes (verdade, sabedoria e liberdade).

  A “transformação do veneno em remédio” significa a força benéfica da Lei Mística de transformar os Três Caminhos em Três Virtudes. Para nós, mortais comuns, isso é místico, pois uma situação se transforma em outra completamente oposta.
  Em termos práticos, a “transformação do veneno em remédio” é um importante princípio que possibilita direcionar a vida das pessoas que abraçam o Gohonzon para um rumo positivo e otimista por meio da sincera prática da fé. Em especial, nos momentos de maior sofrimento, a determinação e a oração de “transformar o veneno em remédio” são, sem dúvida, os ingredientes indispensáveis para a conquista da vitória e da felicidade na vida.

Nota: A frase "Três Caminhos são: desejos mundanos, carma e sofrimento, e remédio das Três Virtudes são: verdade, sabedoria e liberdade", consta no escrito "Shimon Jobutsu-gi" (始聞仏乗義. Gosho Novo P. 1325).


O Mundo do Gosho: Diálogo sobre Religião do Humanismo

  A seguir, trecho do diálogo de presidente Ikeda com que consta no livro “O Mundo do Gosho: Diálogo sobre Religião do Humanismo” (御書の世界: 人間主義の宗教を語る).
       Livro "O Mundo do Gosho" de presidente Ikeda
Gosho-no-sekaiIkeda: O princípio da “transformação do carma” é um dos princípios que demonstra o espírito de humanismo de Daishonin. 
Nichiren Daishonin mostrou este princípio aos seus discípulos, quando ele foi exilado na Ilha de Sado.
Na ocasião os seus discípulos que praticavam com sinceridade também sofreriam rigorosa perseguição. Daishonin sentiu compaixão com os sofrimento dos discípulos, e revelou-lhe este princípio e explicou por que os praticantes budistas passar por tais sofrimentos.
Para tanto, Daishonin focou-se no “carma”, que é a causa dos sofrimentos.
Na verdade, o princípio da transformação de carma que Daishonin ensinou, na essência é o mesmo que “perseguições é o estado de Buda” e “perseguições é atingir a iluminação” que já vimos.
Saito: Sim. “perseguições é o estado de Buda” refere-se a superar as dificuldades, manifestando o estado de Buda e através do fortalecimento da vida, alcançar iluminação nesta existência.
Ikeda: Esse princípio da transformação da vida de Daishonin é uma doutrina que mostra o princípio da transformação da vida, concentrando-se nas dificuldades do carma.

  Prática da Fé para Transformar o Veneno em Remédio
  Orientação do Presidente Ikeda

  O caminho da vida não é nada tranquilo. Há dias de profunda tristeza, há momentos de grande sofrimento. È desnecessário dizer também que para um jovem que assume uma grande missão, as dificuldades são inevitáveis​​. Porém, quanto mais profunda a tristeza e maior for o sofrimento, maior será a alegria de superá-lo. Nós abraçamos a prática da fé de “transformar veneno em remédio”!
  Nichiren Daishonin disse: “Mesmo o infortúnio deve se transformar em felicidade” (Resposta a kyo’o). Tudo será, definitivamente direcionado para a felicidade, para o caminho da revolução humana, para a direção do estado de Buda.
  No momento você pode não entender isso, mas mais tarde compreenderá. No Budismo, não há desperdício. Os tempos de provação são oportunidade para elevar o estado de vida e acumular benefícios.

  Na dificuldade, recitem primeiro o Daimoku!

  Quando enfrenta as dificuldade, devemos avançar com um forte otimismo. Lamentar não resolve nada, olhar para trás também não te trará nada. 
  Em primeiro lugar, recite o Daimoku. Tudo* está incluído no Daimoku. (*sucesso ou fracasso)
  A vida é uma batalha contínua. Portanto, ore com firme determinação que vai vencer!
  A prática da fé é esperança ilimitada e convicção. 
  Mesmo que você esteja passando por um sofrimento infernal, através de Daimoku você poderá transformar em Terra da Luz Eterna. Haja o que houver, levanta-se com a prática da fé.

FIM

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Sanzen Daisensekai - Cosmologia do Budismo

Cosmologia: 

A Cosmologia é o estudo do Universo em sua totalidade e, por extensão, da posição da humanidade nele. Embora a palavra "cosmologia" seja relativamente recente (utilizada pela primeira vez em 1730), o estudo do universo possui uma longa história que engloba ciência, filosofia, esoterismo e religião. Os avanços na área passaram por diversas transformações desde o surgimento do Iluminismo científico no século XVI.

Nos últimos 400 anos, a ciência da cosmologia evoluiu de um estado inicial de incerteza — que utilizava instrumentos rudimentares de observação e medição, além de uma matemática intuitiva — para uma disciplina fundamentada em bases empíricas e teóricas sólidas, apoiada por instrumentos precisos em diversos domínios e por ferramentas matemáticas plenamente desenvolvidas.

Evolução da Cosmologia no Ocidente Evolução da Cosmologia no Ocidente


babylon-cosmologyO modelo da Terra plana é uma concepção arcaica que a descreve como um plano ou disco. Muitas culturas antigas compartilhavam dessa visão cosmográfica, incluindo a Grécia Antiga (até o período clássico), as civilizações da Idade do Bronze e da Idade do Ferro no Oriente Médio (até o período helenístico), a Índia (até o período Gupta, nos primeiros séculos d.C.) e a China (até o século XVII).

Essa ideia de que a Terra seria plana — na qual muitos ainda pareciam acreditar até o século XIX — contraria o fato de que a esfericidade terrestre já havia sido comprovada historicamente por meio de viagens como a de Cristóvão Colombo (que chegou ao continente americano em 1492) e a circunavegação promovida por Fernão de Magalhães (1519–1521). Uma famosa representação desse conceito é a gravação de Flammarion (1888), que ilustra um viajante alcançando o limite de uma Terra plana.  

Visão do Universo dos Antigos Povos

Babilônia (Mesopotâmia): Acreditavam que a Terra era cercada por um oceano, e que o oceano também era cercado por altos penhascos, com um teto em forma de fuso arqueando-se sobre eles. O interior do teto é um mundo de escuridão e poeira, e há buracos no leste e no oeste do teto, e o sol e a lua entram e saem por esses buracos, criando um ciclo de dia e noite.Os antigos babilônios acreditavam que a Terra era cercada por um oceano limitado por altos penhascos, sobre os quais se arqueava um teto em forma de fuso. O interior desse teto era um mundo de escuridão e poeira, contendo aberturas a leste e a oeste pelas quais o Sol e a Lua entravam e saíam, originando o ciclo do dia e da noite.

Outras Visões Antigas: Algumas tradições concebiam a Terra como um quadrado gigantesco sob um céu ainda maior, representado como um círculo ou uma esfera cujo eixo unia o centro da Terra à Estrela do Norte.

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Hindu-cosmologyÍndia Antiga: Na Índia, cada uma das quatro grandes religiões (Hinduísmo, Budismo, Jainismo e Sikhismo) desenvolveu sua própria cosmologia. A literatura religiosa mais antiga, os Vedas (cujo início remonta ao século X a.C.), apresentava a ideia fundamental de um universo estruturado em três camadas: terra, ar e céu.

Evolução da Cosmologia
 
    Diagrama ptolomaico de um sistema geocêntrico
diagram-Ptolemaic-Cellarius-system-1660A teoria de geocentrismo que explica que o Sol gira em torno da Terra foi declarado por cientista grego Ptolemeu (ano 100 a 170) teve apoio da igreja e todo mundo acreditava na teoria do geocentrismo até o século 17.

Em 1605, astrônomo alemão Johannes Kepler (1571 a 1630) descobriu as leis do movimento planetário (leis de Kepler) e Isaac Newton, físico e matemático inglês (1643 a 1727) mostrou que essa lei poderia explicar a lei da gravitação universal, consolidou a teoria heliocêntrica, e a teoria de que a planeta Terra gira em torno do Sol heliocentrismo foi aceitado amplamente, no mundo inteiro.

Sabe-se hoje, que nem o Sol está no centro do universo. O nosso sistema solar está situado em um braço espiral externo da nossa Galáxia, e que a nossa Galáxia é um dos 100galáxias no universo observável (fonte NASA). Mas há teoria de que esse número chegue a 200 bilhões (2×1011) a 2 trilhões.


Modelo da Terra Plana e a Comprovação da Esfericidade

O modelo da Terra plana é uma concepção arcaica do formato terrestre como um plano ou disco. Muitas culturas antigas concordavam com essa cosmografia, incluindo a Grécia Antiga (até o período clássico), as civilizações da Idade do Bronze e da Idade do Ferro do Oriente Médio (até o período helenístico), a Índia (até o período Gupta, nos primeiros séculos d.C.) e a China (até o século XVII). À direita, observa-se a imagem do universo ilustrada por Flammarion (1888), representando um viajante que chega ao limite de uma Terra plana.

O modelo da Terra plana é uma concepção arcaica do formato terrestre como um plano ou disco. Muitas culturas antigas concordavam com essa cosmografia, incluindo a Grécia Antiga (até o período clássico), as civilizações da Idade do Bronze e da Idade do Ferro do Oriente Médio (até o período helenístico), a Índia (até o período Gupta, nos primeiros séculos d.C.) e a China (até o século XVII). À direita, observa-se a imagem do universo ilustrada por Flammarion (1888), representando um viajante que chega ao limite de uma Terra plana.

Circum-navegação de Fernão de Magalhães
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Essa ideia de que a Terra era plana — na qual parece que muitos ainda acreditavam no século XIX — é absurda, visto que a viagem de Cristóvão Colombo (que chegou ao continente americano em 1492) e a circunavegação do mundo por Fernão de Magalhães (1519–1521) já haviam comprovado que a Terra é esférica.

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Cosmologia Budista 

A cosmologia budista consiste na descrição da forma e da evolução do universo com base em suas escrituras e comentários, cujos conceitos aparecem em textos como os sutras da tradição Theravada e do Budismo Mahayana.

Nessa concepção, o centro do universo é ocupado pelo Monte Sumeru — morada de divindades e seres celestiais como Brahma e Shakra Devanam Indra (帝釈天Taishaku em japonês) —, cercado por nove oceanos e quatro continentes:

 Quatro Continentes no Conceito Budista

    Leste: Continente Purvavidehadvipa (東勝身洲)
    Oeste: Continente Aparagodaniyadvipa (西牛貨洲) 
    Norte: Continente Uttarakuru (北倶盧洲) 
    Sul: Continente Jambudvipa (南閻浮提洲)



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Sistema Maior de Mundos - Sanzen Daisen Sekai


 Um dos principais diferenças entre o budismo de Nichiren Daishonin e outras religiões ocidentais, como cristianismo, judaísmo, islamismo, xintoísmo (religião japonesa), bramanismo (indiano), está na sua forma para esclarecer o universo e a vida.

 Enquanto no demais religiões que baseiam o surgimento do universo (ou a criação do mundo) e vida na teoria de criacionismo, para explicar desde a criação do mundo (ou universo), o budismo explica o universo exsitente no interior da vida, que é o princípio de "Ichinen Sanzen" (três mil mundos num único momento da vida).

No cosmovisão e a cosmologia da Índia antiga, um mundo pequeno é um sistema que inclui o sol, a lua e quatro planetas. Juntando-se 1000 pequeno mundos, forma-se um mundo médio, que equivaleria a uma galáxia. Juntando 1000 mundos médios, forma-se um grande mundo, que equivaleria aglomerado de galáxias. E finalmente juntando 1000 mundos grandes, formaria Sistema Maior de Mundos, que seria superaglomerado de galáxias. 

Sistema de Mundos Maior do budismo comparado à estrutura do universo descoberto pela ciência 
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Como mencionei anteriormente, o foco do budismo é o universo interior, ou seja a vida (esclarece que todos têm os 10 estados de vida). Porém, como pode ver neste exemplo de visão sobre o universo, a teoria cosmológica do budismo é consistente com o que a ciência descobriu até hoje.

61gGfC3f69L._AC_UF1000,1000_QL80_  No livro "Espaço e Vida Eterna: Um diálogo entre Chandra Wickramasinghe e Daisaku Ikeda", o Dr. Wickramasinghe diz: “A cosmologia budista é notável no sentido de que apareceu muito cedo na história do pensamento humano”, e acrescentou: “A cosmologia budista harmoniza-se perfeitamente com a ideia científico mais moderno. O presidente Ikeda também disse que o Buda Shakyamuni, o fundador do Budismo, “percebeu no profundo interior da sua vida, uma vida primordial que ela própria pode originar o próprio universo”.

  O presidente Ikeda aponta neste diálogo que: "As limitações da civilização ocidental, que tem visto o universo como centrado no ser humano e a natureza como um objeto a ser conquistado. O que é necessário agora são os valores do budismo, que prega a coexistência com a natureza".
Em seu posfácio, o Dr. Chandra Wickramasinghe escreveu: “Quando uma nova perspectiva cósmica é combinada com os valores do Budismo que sempre foi respeitado – o valor da compaixão por todas as coisas vivas – ela cria uma visão de mundo que é perfeitamente adequada para o século 21”.

FIM