quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Comparação Quíntupla

Comparação Quíntupla

A Comparação Quíntupla (五重の相対 gojū-no-sōtai) é um dos métodos de avaliação dos ensinamentos religiosos. Nesse método, são utilizados cinco níveis sucessivos de comparação apresentados por Nichiren Daishonin em sua obra A Abertura dos Olhos, para demonstrar a superioridade do seu ensinamento, o Nam-myoho-renge-kyo, sobre todas as outras doutrinas.

O propósito da Comparação Quíntupla é esclarecer qual religião ou filosofia pode fazer, de maneira real e efetiva, com que as pessoas superem seus sofrimentos e atinjam um estado de felicidade indestrutível de maneira real e efetiva.

Essa comparação implica em avaliar os diferentes ensinos com base na forma que explicam a causa e o efeito na vida, ou seja, a causalidade para atingir o estado de Buda.

Na Abertura dos Olhos, Daishonin explica os ensinamentos do Confucionismo (Apócrifos = vários pensamentos chinesas), hereges não-budistas (religiões indianas diferentes do Budismo) e o Budismo.

E compara as doutrinas dessass religiões, baseado no princípio da Lei de Causa e o Efeito da vida que decide a felicidade e a infelicidade. 

Em relação ao Budismo, Nichiren Daishonin utiliza os "Cinco Períodos e as Oito Ensinamentos" estabelecidos por mestre Tiantai da China. Tiantai, fundador da escola chinesa Tiantai, categorizou e organizou os ensinamentos concedidos pelo Buda Shakyamuni ao longo de sua vida de acordo com o período e o conteúdo. 


Baseando no  "Cinco Períodos e as Oito Ensinamentos", Daishonin faz as comparações para julgar as superioridade ou inferioridade de cada ensinamento através da Comparação Quíntupla.


Os Cinco Períodos e Oito Ensinos estabeelcidos por Tiantai.



Cinco Períodos:



1. Período Guirlanda de Flores (Kegon-ji) - O período durante o qual Shakyamuni pregou o Sutra Kegon por 21 dias após atingir a iluminação sob a árvore Bodhi perto da Fortaleza Gaya.


2. Período Agama (Agon-ji) - Durante o período Kegon, havia algumas pessoas que não conseguiam compreender os ensinamentos, por isso durante 12 anos ele pregou os Quatro Agon Sutras e outros ensinamentos em locais como o Jardim Dekaen em Varanasi, a fim de atrair seres sencientes para o Budismo. É posicionado como Hinayana em comparação com Mahayana.


3. Período Correto e Igual (Hoto-ji) - Durante os 16 anos seguintes (alguns dizem 8 anos), ele pregou vários sutras Mahayana, como o Amitabha Sutra e o Vima Sutra, e denunciou as vozes que estavam ligadas ao Hinayana, tornando-as assim queridas pelo Mahayana.


4. Período Sabedoria (Hanya-ji) - Por 14 anos (de acordo com uma teoria, 22 anos) em 16 templos em quatro locais como o Monte Washimine (Monte Eagle Mountain) e o Lago Hakuro, ele pregou os ensinamentos de todo vazio, como o Sutra Prajnaparamita, e elevou a essência de seres sencientes como bodhisattvas.


5. Período Lótus-Nirvana (Hokke-Nehan-ji) - Este é o período durante o qual o Sutra do Lótus foi pregado durante 8 anos no Monte Reishi em Magadha e Kokukai, e os verdadeiros ensinamentos que transcenderam Mahayana e Hinayana e permitiram que todos os seres sencientes atingissem o estado de Buda foram mantidos. Houve também um período pouco antes de sua morte, quando ele pregou o Sutra do Nirvana nas Árvores Sala, no rio Byadi, a noroeste do Castelo de Kushina (Kushinagara), e forneceu sermões suplementares para aqueles que perderam os sermões do Sutra do Lótus.



Comparação Quíntupla


Com base nesse sistematização estabelecido por Mestre Tendai, Nichiren Daishonin estabeleceu a Comparação Quíntupla.




1. Comparação entre budismo e não-budismo


A primeira comparação é entre o budismo, o “caminho interno”, e os ensinos não-budistas da Índia e da China, o “caminho externo”.

Tembém são chamados de:

Ensinamento Interior (Budismo) : Um ensinamento que busca a Lei (a causa da vida) dentro da própria vida.
Ensinamentos Exteriores(ou Outros Ensinamentos): Ensinamentos que buscam a causa da felicidade ou do sofrimento fora da vida, como em uma força divina ou em Deus.


O Budismo ensina que a causa principal que determina a felicidade ou infelicidade reside em nosso interior e que somos protagonistas com o poder para decidir nosso próprio destino. Por isso, o budismo é chamado de “caminho interno”.

Em contrapartida, se observarmos as religiões e filosofias não-budistas, veremos que algumas não reconhecem o princípio de causalidade no que concerne à boa sorte ou ao infortúnio individual. Embora algumas exponham doutrinas de acidentalismo ou indeterminismo segundo as quais tudo é produto do acaso ou da coincidência, outras expõem doutrinas de determinismo ou de fatalismo segundo as quais tudo está predeterminado ou predestinado.

Há também aquelas que se posicionam no meio dessas duas perspectivas. Isto se refere aos ensinos dos três ascetas, considerados como fundadores das filosofias não-budistas da Índia. Há também doutrinas semelhantes que podem ser encontradas em muitas filosofias e correntes de pensamento existentes na atualidade.

Entre os sistemas de pensamento analisados por Nitiren, estão também aqueles que reconhecem o princípio de causalidade dentro dos limites da existência presente, mas não antes do nascimento ou após a morte, pois afirmam que o que ocorre depois não pode ser conhecido. Nessa categoria se enquadram o confucionismo e o taoísmo, e se inclui também o racionalismo ocidental que se fundamenta no desenvolvimento da ciência moderna.

Esses tipos de filosofias não podem explicar de maneira satisfatória as questões como: “Por que os seres humanos nascem em diferentes circunstâncias?” e “Por que, em certos casos, os efeitos do bem e do mal não aparecem nesta existência?”.

Dessa forma, não podem responder questões existenciais como: “Por que eu nasci?” ou “Qual o propósito de minha existência?”

O bramanismo e outros ensinos da Índia antiga expõem a causalidade da vida que permeia as três existências do passado, presente futuro, mas é uma causalidade influenciada pelo determinismo ou fatalismo e sujeita a forças externas como a natureza ou alguma divindade que controla o destino humano. Conseqüentemente, esses ensinos limitam seriamente a vontade e a autonomia humana.


Em síntese, os ensinos antigos da Índia e da China, com exceção do budismo, falham em explicar a causalidade ou o fazem de maneira parcial e tendenciosa. Esta é a conclusão de Nitiren. Assim, em “Abertura dos olhos”, ele diz a respeito dos fundadores dessas religiões e filosofias: “Nada mais são que bebês que não compreendem os princípios de causa e efeito”. (END, vol. 4, págs. 15-16.)


Porém, o budismo, o “caminho interno”, ensina que o indivíduo é responsável por tudo o que ocorre com ele, ou seja, cada um colhe o que semeia.

Podemos aceitar tranqüilamente o rigoroso princípio de causa e efeito agindo em nossa vida pela seguinte razão: por compreendermos a verdade de que possuímos inerentemente o ilimitado poder transformador conhecido como “natureza de Buda”.

Para continuarmos nos empenhando pela nossa felicidade, precisamos saber que a possibilidade para atingi-la reside em nós.

O budismo possibilita-nos despertar para a nossa responsabilidade e autonomia pessoal, ou seja, reconhecer que temos o poder de escrever nosso próprio destino por meio da nossa vontade e das nossas ações no presente.

2. Comparação entre Budismo Mahayana e Budismo Hinayana.

Cinza

Em “Abertura dos olhos”, Nitiren menciona pouco sobre esta comparação em particular. Contudo, pelo fato de ele censurar os discípulos dos dois veículos, que eram praticantes dos ensinos do Hinayana, nas suas comparações entre o Mahayana verdadeiro e o provisório e entre os ensinos teórico e verdadeiro do Sutra do Lótus, podemos considerar que nelas está inclusa a comparação entre Budismo Mahayana e Hinayana.

O budismo é chamado de “caminho interno”. No entanto, ele abarca uma ampla variedade de ensinos. Entre eles, os do Hinayana buscam libertar as pessoas dos desejos mundanos, que são a causa do sofrimento, e atingir o nirvana — estado de suprema paz e tranqüilidade — mediante práticas como a observância de preceitos e a meditação.

Porém, a felicidade a que aspiram os ensinos do Hinayana é passiva, porque só buscam eliminar a causa da infelicidade das pessoas. Não permitem ao ser humano abrir o caminho ativamente para sua própria felicidade e, muito menos, a dos demais.

Como o Hinayana defende que os desejos mundanos dos nove estados inerentes em nossa vida são a causa da infelicidade, a única forma de eliminá-los completamente é extinguindo a vida. Por isso, é dito que, para o Hinayana, o enfoque da iluminação está em reduzir o corpo a cinzas e aniquilar a consciência. Nesse ponto encontra-se a limitação do Budismo Hinayana.

Em contraste, os ensinos Mahayana, em vez de procurar eliminar os desejos mundanos, afirmam que é possível controlá-los adequadamente e construir uma vida pura, forte e automotivada, abrindo e manifestando a sabedoria da iluminação que se encontra dormente na mesma vida cheia de desejos. Este é o princípio chamado de “desejos mundanos são iluminação”. Muito mais do que simplesmente possibilitar às pessoas eliminar as causas da infelicidade, buscam ativamente capacitá-las a transformar essas causas de infortúnios em causas para a felicidade, e conduzir seus semelhantes à iluminação.



3. Comparação entre Budismo Mahayana verdadeiro e provisório

Os ensinos do Mahayana, que buscam possibilitar às pessoas manifestar as causas para a felicidade, dividem-se em duas categorias: o Mahayana verdadeiro e o Mahayana provisório.

O Sutra do Lótus, que constitui o Mahayana verdadeiro, esclarece que a vida de todas as pessoas está originalmente dotada do estado de Buda, a causa fundamental da felicidade. Revela também uma outra verdade: todas as pessoas podem manifestar e revelar a natureza de Buda em sua vida.

Os ensinos do Mahayana anteriores ao Sutra do Lótus, que constituem o Mahayana provisório, defendem que as pessoas dos dois veículos, desprezadas porque só buscavam a própria iluminação como também as pessoas más e as mulheres, que se acreditava serem incapazes de se tornarem felizes, não estão dotadas intrinsecamente da natureza de Buda. Dessa forma, esses ensinos impõem limitações às causas da felicidade. Não pertencem ao Mahayana verdadeiro.

São ensinos expostos como meios para adequação às crenças populares da época. Nada mais são que ensinos provisórios.

Por outro lado, o Sutra do Lótus, o ensino verdadeiro, elucida a iluminação real do Buda com base no fato de que todas as pessoas — incluindo as dos dois veículos, as pessoas más e as mulheres — podem igualmente atingir a iluminação. Elucida também que esta questão está fundamentada na doutrina dos três mil mundos num único momento da vida.

A verdadeira intenção do Buda é que todas as pessoas tornem-se felizes. E é no Sutra do Lótus que a iluminação do Buda é diretamente revelada ao expor os princípios que a torna possível.


4. Comparação entre ensinos teórico e verdadeiro do Sutra do Lótus


Embora todas as pessoas possuam em sua vida o estado de Buda — causa fundamental da felicidade —, a questão é como manifestá-lo na vida real.

Se analisarmos do ponto de vista da eternidade da vida e do princípio de causa e efeito que abrange o passado, o presente e o futuro, o estado de vida que experimentamos no presente é produto de nossas ações (carma) acumuladas desde incontáveis existências passadas. Os sutras anteriores, incluindo o ensino teórico (primeira metade) do Sutra do Lótus, ensina que, para transformar esse carma, necessitamos constantemente realizar boas ações por um período extremamente longo, e acumular benefícios dessas ações em nossa vida. Por esse ponto de vista, atingir a iluminação requer incontáveis kalpas de prática budista.

Esses sutras ensinam ainda que o Buda Sakyamuni atingiu a iluminação pela primeira vez na Índia como resultado de suas práticas realizadas durante um período de tempo incalculável. Essa forma de ver a iluminação persiste no erro de rejeitar e procurar eliminar os desejos mundanos nos nove estados. Esse enfoque sugere que somente extinguindo nossa vida dos nove estados (causa) é que podemos fazer surgir a vida do estado de Buda (efeito).

Em contraste, o ensino essencial (segunda metade) do Sutra do Lótus esclarece que Sakyamuni realmente atingiu o estado de Buda no remoto passado, há kalpas tão numerosos quanto as partículas de pó de um grande sistema de mundos e, pelo fato de sua vida como um bodhisattva ter perdurado desde então, ele continuou a aparecer sob várias formas para ensinar os seres vivos. Isso revela a verdadeira imagem do Buda. Em outras palavras, os nove estados e o estado de Buda também se encontram inerentes na vida de Sakyamuni.

Ao explicar isso, o ensino essencial revela que podemos manifestar o estado de Buda em nossa vida dos nove estados, tal como somos, e que é possível abrir o caminho da iluminação exatamente como somos.



5. Comparação entre Budismo da Semeadura e Budismo da Colheita


O ensino essencial do Sutra do Lótus abre o caminho para pessoas comuns possam atingir o estado de Buda exatamente como somos - um ensino inédito, nunca visto nos ensinos anteriores do Sutra do Lótus. Porém, quando vistos no contexto de seu significado literal e superficial, observamos que Sakyamuni só conseguiu adquirir a vida eterna como resultado de ter praticado o caminho de bodhisattva antes de sua iluminação no remoto passado.

Para chegar a essa vida eterna, ele precisou atingir o primeiro estágio de segurança, o da não-regressão. Dessa forma, por ter atingido esse estágio, foi capaz de romper com sua fé resoluta a escuridão fundamental, de adquirir sabedoria e perceber que os nove estados e o estado de Buda se encontram sempre presentes na própria vida sob forma inata.

Contudo, a prática necessária para atingir o primeiro estágio de segurança é extremamente difícil, da mesma forma como é difícil atingir a sabedoria que permite perceber o estado de Buda na própria vida. Ambos os feitos excedem a capacidade das pessoas comuns. Dessa maneira, do ponto de vista de seu significado literal, o ensino essencial não abre diretamente o caminho para as pessoas comuns atingirem o estado de Buda em sua presente forma e atingir a iluminação nesta existência.

Mas o ensino implícito nas profundezas do Sutra do Lótus — ou seja, o Budismo Nitiren — revela diretamente o Nam-myoho-rengue-kyo, que é a força motriz que sustentou a prática de bodhisattva de Sakyamuni para atingir o primeiro estágio de segurança no remoto passado, e é, ao mesmo tempo, a Lei fundamental que ele percebeu naquele momento. Ao buscar e praticar esta Lei com fé, uma pessoa comum pode obter imediatamente o fruto do estado de Buda.

Nitiren nos deixou Gohonzon, no qual representou fielmente o estado de Buda que percebeu em sua própria vida mediante o Nam-myoho-rengue-kyo, sem deixar de ser uma pessoa comum. Com este Gohonzon como espelho, e com Nitiren como exemplo, podemos fazer surgir instantaneamente esse estado iluminado de nosso interior, com a profunda fé e a convicção de que nós também possuímos o estado de Buda.

Nesse contexto, o Budismo Nitiren é o único ensino que expõe a transformação do destino. Ensina também que a causa principal do mau destino se encontra nos atos de descrença e de oposição à Lei Mística. Como ela é uma lei que está inerente na vida, esses atos são cometidos contra a Lei ou verdade da própria vida. Eis a razão de ser a principal causa negativa.

A fórmula de mudar o destino proveniente dessa causa na presente existência encontra-se no ato de acreditar na Lei Mística, isto é, na verdade inerente na vida. E a prática dessa fórmula é a recitação do Nam-myoho-rengue-kyo.

Por meio dessa prática, individual e altruísta, a energia vital e o potencial do estado de Buda são fortalecidos para possibilitar a transformação do destino em direção à felicidade.



Fim


quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

28 Capítulos do Sutra de Lótus

 28 Capítulos do Sutra de Lótus

 O Sutra do Lótus é um dos principais ensinamentos do budismo Mahayana e um dos sutras mais populares e influentes. Para a Soka Gakkai, o Sutra do Lótus é o fundamento da prática da fé, que leva à condição de buda, ou seja, um estado de felicidade absoluta, paz e segurança.

O Sutra de Lótus é um dos textos budistas mais reproduzidos ao longo do tempo e em mais línguas. A exposição apresenta versões originais e réplicas de sutras, em relíquias e pinturas que ilustram a trajetória de mais de 2.500 anos da filosofia budista.

Busca explicar como o Sutra de Lótus, entre muitos outros sutras, foi sendo amplamente aceito por numerosos grupos étnicos ao longo da história da propagação do budismo a partir da Índia e atingiu grandes regiões da Ásia.

Além disso, destaca sua mensagem central de paz e coexistência, em benefício da sociedade atual, e retrata mensagens do Sutra de Lótus sobre direitos humanos, o valor sagrado da vida, direitos das mulheres e o poder do povo, por meio de uma coexistência harmoniosa. (fonte: rp@bsgi.org.br)

Sutra do Lótus

Significância: O lótus simboliza a unidade de causa e efeito, pois é uma flor que floresce e gera sementes ao mesmo tempo.

Importância: Considerado por muitas religiões budistas como o ápice dos ensinamentos de Sidarta Gautama ou Sakyamuni.

Capítulos: O sutra tem 28 capítulos, sendo que os capítulos Hoben (Meios Apropriados) e Juryo (a Extensão da Vida) são considerados os mais importantes. E a Soka Gakkai, nos Gongyos da manhã e da tarde, os membros leem parte do Capítulo Hobem e íntegra do Capítulo Juryo como prática adicional. A prática principal, é a recitação de Nam-Myoho-Rengue-Kyo, que é chamado de Daimoku, que significa "título do sutra", ou seja, o Nam-Myoho-Rengue-Kyo, que também está escrito no centro do Gohonzon (mantra).


Comopição de Sutra do Lótus.

1 Introdução 序品(じょほん)第1

2 Meios Apropriados 方便品(ほうべんぽん)第2

3   Parábola 譬喩品(ひゆほん)第3

4   Fé e Compreensão 信解品(しんげほん)第4

5   A Parábola das Ervas Medicinais 薬草喩品(やくそうゆほん)第5

6   Concessão de Profecia 授記品(じゅきほん)第6

7   A Parábola da Cidade Imaginária 化城喩品(けじょうゆほん)第7

8   Profecia da Iluminação para Quinhentos Discípulos 五百弟子受記品(ごひゃくでしじゅきほん)第8

9   Profecias Conferidas aos Aprendizes e Adeptos 授学無学人記品(じゅがくむがくにんきほん)第9

10 Mestre da Lei 法師品(ほっしほん)第10

11 O Surgimento da Torre do Tesouro 見宝塔品(けんほうとうほん)第11

12 Devadatta  提婆達多品(だいばだったほん)第12

13 Devoção Encorajadora  勧持品(かんじほん)第13

14 Práticas Pacíficas  安楽行品(あんらくぎょうほん)第14

15 Emergindo da Terra 従地涌出品(じゅうじゆじゅっぽん)第15

16 O Tempo de Vida do Assim Vindo  如来寿量品(にょらいじゅりょうほん)第16
     ou Revelação da Vida Eterna do Buda

17 Benefícios Distintos  分別功徳品(ふんべつくどくほん)第17

18 Os Benefícios de Responder com Alegria  随喜功徳品(ずいきくどくほん)第18

19 Os Benefícios do Mestre da Lei  法師功徳品(ほっしくどくほん)第19

20 O Bodhisattva Jamais Desprezar  常不軽菩薩品(じょうふきょうぼさつほん)第20

21 Poderes Sobrenaturais do Assim Vindo  如来神力品(にょらいじんりきほん)第21

22 Confiança  嘱累品(ぞくるいほん)第22

23 Assuntos Anteriores do Bodhisattva Rei da Medicina (ou Rei dos Remédios)  薬王菩薩本事品(やくおうぼさつほんじほん)第23

24 O Bodhisattva Maravilhoso Som  妙音菩薩品(みょうおんぼさつほん)第24

25 O Portal Universal do Bodhisattva Perceptor dos Sons do Mundo  観世音菩薩普門品(かんぜおんぼさつふもんぽん)第25

26 Dharani  陀羅尼品(だらにほん)第26

27 Assuntos Anteriores do Rei Adorno Maravilhoso  妙荘厳王本事品(みょうしょうごんのうほんじほん)第27

28 Encorajamentos do Bodhisattva Universalmente Digno 普賢菩薩勧発品(ふげんぼさつかんぼっぽん)第28

Manuscrito do Sutra do Lótus, Capítulo 1, Introdução: Museu Nacional de Tóquio (período Heian)


quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Transformação do Carma (Sykumei-Tenkan)

Transformação do Carma (Sykumei-Tenkan)


  Carma é um conceito que tem origem na Índia.
  Na antiga Índia, o carma era considerado um conceito importante. Desenvolveu-se em conjunto com a ideia de reencarnação desde o período védico (1500 a.C. - 600 a.C.) até ao período Upanixade (1000 a.C. - 500 a.C.), e gradualmente fixou-se do século 10 a.C. ao século 4 a.C..
  A ideia fragmentária da reencarnação apareceu pela primeira vez na literatura brâmanica, no período final da Védica (500 a.C.) e nos primeiros textos upanixade (textos religiosos escrituras do hinduísmo upanixade).

Conceito do Destino



  No ocidente, o princípio relacionado com a vida humana, que equivale ao carma é o destino.
  A palavra destino vem do Latim "de-", "intensificador", mais "stanare", derivado de stare. Destinare era “fixar, afirmar, estabelecer”. Passou a ser usado como “aquilo que é firmemente estabelecido para uma pessoa”.

  Conceito de Destino:


  Segundo enciclopédia Britânica, destino é uma força que controla as nossas ações e existência para além da nossa vontade. Na linguagem grega, "moira" significa a parte de cada pessoa, o latim "fatum" significa dito por Deus, em francês "destin" significa ordenado e em alemão "schicksal" significa enviado. O seu poder (do destino) transcendental foi divinizado na mitologia grega e romana, e o seu absurdo (ou irracionalidade), que trai a deliberação humana, formou o tema da tragédia como um conflito com a liberdade. Além disso, este absurdo é um sinal que distingue o destino da providência divina do cristianismo, que é pré-existente para os seres humanos.

  Resumindo, o conceito de destino pode ser dito da seguinte maneira: Um poder que transcende a vontade humana determina felicidade ou infelicidade aos humanos. Isto é, a vida é determinada pela ordem divina e as desgraças e sorte que acontece na vida, ou o que ela reserva para o futuro da gente.


  Conceito de Carma:

  Ideia de reencarnação do hinduismo

Reincarnation_AS   A palavra carma vem do sânscrito Karman(कर्मन्).
  Originalmente Karman significa “fazer” ou “criar”, e karma, que é derivada, significa “ação” ou “comportamento”.
  Carma significa "ação" e se refere à relação entre as ações de um indivíduo e os seus resultados. A ideia é que cada ação, pensamento, fala ou comportamento tem um efeito na vida da pessoa, seja no presente ou no futuro. O carma está presente em várias doutrinas religiosas, como o budismo, hinduísmo, jainismo e taoísmo.

  No Budismo, o significado de “ações” retornou ao seu significado original, de comportamento diário, e define que as ações humanas são a causa dos sofrimentos e dos prazeres, e, aqueles que se esforçam para realizar boas ações (carma virtuoso) alcançarão um estado de vida de paz no espírito. (Fonte: Sokanet)


Transformação do Carma no Budismo de Nichiren Daishonin:

  Na nossa vida enfrentamos vários tipos de problemas e dificuldades.
  E alguns desses problemas surgem devido às nossas próprias ações e decisões que tomamos nesta vida, mas também há alguns problemas cuja causa não conseguimos encontrar nesta vida.
  Às vezes enfrentamos dificuldades que nos fazem pensar: “Não fiz nada de errado, então por que tenho que sofrer assim?”
  No Budismo, esse tipo de sofrimento é visto como resultado de ações (carma) que a pessoa tomou em vidas passadas e que está surgindo agora, nesta vida.

  A palavra “karma”, como já vimos, originalmente significa “ação”.
  As ações em vidas passadas que trazem felicidade ou infortúnio na vida presente são chamadas de carma.
  O carma pode ser bom e ruim, mas a palavra carma é frequentemente utilizada para carma ruim de vidas passadas que causa sofrimento na vida presente.
  O Budismo prega a “vida em três existências” ou “a causa e o efeito nas três existências”. Em outras palavras, a vida não se limita a esta vida presente, mas se estende às três existências: vida passada, vida presente e vida futura.
  Se fizemos causas ruins na vida passada, teremos como resultado efeitos ruins (sofrimentos), e se fizemos boas causas, receberemos bons resultados (felicidade) na vida presente. Esse é o conceito geral de causa e efeito no budismo em geral.

  Entretanto, mesmo que a gente compreenda sobre a causa do sofrimento atual, não possibilita mudá-lo imediatamente nesta vida.
  A única maneira que haveria, seria eliminar os pecados de cada má ação, um por um, através de repetidos nascimentos e mortes em várias vidas futuras, e não haveria outro tipo de solução. Dessa forma, a ideia de carma muitas vezes leva ao fatalismo desesperador.

  Citando a passagem do "Sutra Sobre Como Praticar a Meditação do Bodisatva Mérito Universal" (観普賢菩薩行法経 Kan Fuguen bosatsu gyoho-kyo), Daishonin diz: "As inúmeras ofensas, como o gelo ou orvalho, serão extintas pelo sol da sabedoria". (Registro dos Ensinos Transmitidos Oralmente, TC Edição 488)
  Conforme essa frase do Daishonin, todas as causas negativas e pecados que acumulou no passado, dissiparão quando se encontra diante do Sol da sabedoria, que é o Nam-myoho-renge-kyo.
  Isto é, recitando o Daimoku, de prática para si e prática para outros, surgirá vida tão forte como o Sol e quaisquer pecados extinguirão como gelo ou orvalho diante do calor do Sol. (Fonte: Sokanet)
  O Budismo de Nichiren Daishonin, baseado no Sutra de Lótus, ensina que o estado de Buda existe dentro de todos e que, ao abri-lo, pode-se atingir o estado de Buda e mudar seu destino.


  Carma é Missão:


  Todos têm seu carma. No entanto, se encarar o seu carma e ver o seu verdadeiro significado, qualquer carma serve para aprofundar a sua vida. E essa sua postura de enfrentar corajosamente o carma, torna-se um espelho de vida para outras pessoas.
  Em outras palavras, quando se transforma o seu carma em uma missão, o seu carma também transformará drasticamente o seu papel de mal para bem. Qualquer pessoa que “transforme o seu carma para uma missão” pode ser considerada uma pessoa que vem “adotar voluntariamente o carma apropriado”.

  Às vezes nos encontramos em situações difíceis que parecem estar além do nosso controle. Em vez de ver eventos difíceis como nosso destino imutável, nós os assumimos como nossa missão para revolucionar nosso estado de vida e criar valor.

  E ao não sermos derrotados por tais desafios, diminuímos seu impacto negativo sobre nós. Na verdade, podemos transformar nossos desafios em combustível para melhor compreensão e encorajamento de pessoas que passam por lutas semelhantes. É assim que transformamos nosso carma e enviamos ondas de mudanças positivas para nosso ambiente. Este é o propósito do movimento kosen-rufu da SGI. Ikeda Sensei escreve:

"A grandiosa Revolução humana de uma única pessoa, irá um dia impulsionar a mudança total do destino de um país, e além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade."

Para efetuarmos mudanças positivas na sociedade, devemos tornar-nos especialistas na transformação das tendências internas que nos causam sofrimento. (Fonte: Transforming Karma SGI USA)


  Amenizar o Efeito Cármico


  O Budismo ainda ensina o princípio de "Amenizar o Efeito Cármico" (転重軽受 Tenju kyoju).
  Este princípio consta no Sutra do Nirvana. O ideograma chinês do termo [転重軽受] significa, literalmente, “transformar o pesado e recebê-lo de modo leve”.
  No escrito "Amenizar o efeito cármico", Nichiren Daishonin diz: "O Sutra do Nirvana expõe o princípio de amenizar o efeito cármico. Se uma pessoa deixa de expiar seu pesado carma passado na presente existência, experimentará os sofrimentos do inferno no futuro; mas se enfrenta grandes obstáculos nesta vida [por causa do Sutra de Lótus], os sofrimentos do inferno se desvanecerão instantaneamente. E quando essa pessoa morrer, será agraciada pelos mundos humano e celestial [os estados de Tranquilidade e Alegria] e também pelos mundos dos três veículos [os estados de Erudição, Absorção e Bodisatva] e do veículo único [o estado de Buda].” (BS - Edição 2170)


  No Budismo Nichiren, a teoria do carma ensina que não existe carma negativo ou pesado impossível de ser transformado positivamente. Nesta carta, a transformação do carma ou destino é analisada de um ponto de vista particular: a amenização do efeito cármico.

  Há dois pontos importantes referentes à amenização ressaltados nesta carta. O primeiro diz respeito a uma declaração feita por Daishonin quando afirma: “Os sofrimentos do inferno vão se desvanecer instantaneamente”. Ele diz que mesmo o carma que gera uma retribuição de sofrimento infernal pode ser expiado neste exato instante e não gradativamente ou em algum momento hipotético e distante no futuro.

  O segundo ponto é que amenizar o efeito do nosso carma é o portal que nos conduz a manifestar o estado de Buda nesta existência. No escrito, Daishonin declara: “Os sofrimentos do inferno vão se desvanecer instantaneamente. E quando essa pessoa morrer, ela será agraciada com os benefícios dos mundos humano e celestial [os estados de Tranquilidade e Alegria] e também dos mundos dos três veículos [os estados de Erudição, Absorção e Bodisatva] e do veículo único [o estado de Buda]”. (Fonte: BS - Edição 2170)

  Na categoria da transformação do carma, ainda há o Princípio de Transformar o Veneno em Remédio que vamos ver a seguir.


  Transformação do Veneno em Remédio


  Um dos ensinos que se destaca no Budismo de Nichiren Daishonin é o princípio de transformar veneno em remédio.
  Os ensinos pré-Sutra de Lótus elucidaram apenas a teoria do carma do passado e não expuseram que a ação do presente determina o futuro. Assim, o indivíduo fica preso apenas ao carma imutável do passado. Nichiren Daishonin elucidou que todos, sem exceção, podem transformar o carma nesta existência, revertendo a vida de sofrimentos em felicidade. (Brasil Seikyo - Edição 2089)
  O princípio budista “transformação do veneno em remédio” (変毒為薬 hendoku iyaku, em japonês) indica que, por meio dos extraordinários benefícios do Gohonzon, pode-se transformar os infortúnios (veneno) em benefícios (remédio).

  Nichiren Daishonin cita a seguinte passagem: “O primeiro foi o Bodisatva Nagarjuna na Índia, que afirmou em seu Dai-ron (Tratado sobre o Sutra da Perfeita Sabedoria): 'é como um grande médico que transforma o veneno em remédio...'” (As Escrituras de Nitiren Daishonin, vol. 2, pág. 237.)
  Nitiren Daishonin interpreta de forma ampla essa frase, ensinando que, por intermédio do poder da Lei Mística, a pessoa pode transformar o veneno dos Três Caminhos (desejos mundanos, carma e sofrimento) em remédio das Três Virtudes (verdade, sabedoria e liberdade).

  A “transformação do veneno em remédio” significa a força benéfica da Lei Mística de transformar os Três Caminhos em Três Virtudes. Para nós, mortais comuns, isso é místico, pois uma situação se transforma em outra completamente oposta.
  Em termos práticos, a “transformação do veneno em remédio” é um importante princípio que possibilita direcionar a vida das pessoas que abraçam o Gohonzon para um rumo positivo e otimista por meio da sincera prática da fé. Em especial, nos momentos de maior sofrimento, a determinação e a oração de “transformar o veneno em remédio” são, sem dúvida, os ingredientes indispensáveis para a conquista da vitória e da felicidade na vida.

Nota: A frase "Três Caminhos são: desejos mundanos, carma e sofrimento, e remédio das Três Virtudes são: verdade, sabedoria e liberdade", consta no escrito "Shimon Jobutsu-gi" (始聞仏乗義. Gosho Novo P. 1325).


O Mundo do Gosho: Diálogo sobre Religião do Humanismo


  A seguir, trecho do diálogo do presidente Ikeda que consta no livro “O Mundo do Gosho: Diálogo sobre Religião do Humanismo” (御書の世界: 人間主義の宗教を語る).

Livro "O Mundo do Gosho" do presidente Ikeda
Gosho-no-sekai Ikeda: O princípio da “transformação do carma” é um dos princípios que demonstra o espírito de humanismo de Daishonin.
Nichiren Daishonin mostrou este princípio aos seus discípulos, quando ele foi exilado na Ilha de Sado.
Na ocasião os seus discípulos que praticavam com sinceridade também sofreriam rigorosa perseguição. Daishonin sentiu compaixão com os sofrimentos dos discípulos, e revelou-lhes este princípio e explicou por que os praticantes budistas passam por tais sofrimentos.
Para tanto, Daishonin focou-se no “carma”, que é a causa dos sofrimentos.
Na verdade, o princípio da transformação de carma que Daishonin ensinou, na essência é o mesmo que “perseguições é o estado de Buda” e “perseguições é atingir a iluminação” que já vimos.


Saito: Sim. “perseguições é o estado de Buda” refere-se a superar as dificuldades, manifestando o estado de Buda e através do fortalecimento da vida, alcançar iluminação nesta existência.

Ikeda: Esse princípio da transformação da vida de Daishonin é uma doutrina que mostra o princípio da transformação da vida, concentrando-se nas dificuldades do carma.


  Prática da Fé para Transformar o Veneno em Remédio

  Orientação do Presidente Ikeda

  O caminho da vida não é nada tranquilo. Há dias de profunda tristeza, há momentos de grande sofrimento. É desnecessário dizer também que para um jovem que assume uma grande missão, as dificuldades são inevitáveis. Porém, quanto mais profunda a tristeza e maior for o sofrimento, maior será a alegria de superá-lo. Nós abraçamos a prática da fé de “transformar veneno em remédio”!

  Nichiren Daishonin disse: “Mesmo o infortúnio deve se transformar em felicidade” (Resposta a Kyo’o). Tudo será, definitivamente, direcionado para a felicidade, para o caminho da revolução humana, para a direção do estado de Buda.
  No momento você pode não entender isso, mas mais tarde compreenderá. No Budismo, não há desperdício. Os tempos de provação são oportunidade para elevar o estado de vida e acumular benefícios.


  Na dificuldade, recitem primeiro o Daimoku!

  Quando enfrentamos dificuldades, devemos avançar com um forte otimismo. Lamentar não resolve nada, olhar para trás também não te trará nada.
  Em primeiro lugar, recite o Daimoku. Tudo* está incluído no Daimoku. (*sucesso ou fracasso)
  A vida é uma batalha contínua. Portanto, ore com firme determinação que vai vencer!
  A prática da fé é esperança ilimitada e convicção.
  Mesmo que você esteja passando por um sofrimento infernal, através do Daimoku você poderá transformar em Terra da Luz Eterna. Haja o que houver, levante-se com a prática da fé.


FIM

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Sanzen Daisensekai - Cosmologia do Budismo

Cosmologia: 

A Cosmologia é o estudo do Universo em sua totalidade e, por extensão, da posição da humanidade nele. Embora a palavra "cosmologia" seja relativamente recente (utilizada pela primeira vez em 1730), o estudo do universo possui uma longa história que engloba ciência, filosofia, esoterismo e religião. Os avanços na área passaram por diversas transformações desde o surgimento do Iluminismo científico no século XVI.

Nos últimos 400 anos, a ciência da cosmologia evoluiu de um estado inicial de incerteza — que utilizava instrumentos rudimentares de observação e medição, além de uma matemática intuitiva — para uma disciplina fundamentada em bases empíricas e teóricas sólidas, apoiada por instrumentos precisos em diversos domínios e por ferramentas matemáticas plenamente desenvolvidas.

Evolução da Cosmologia no Ocidente Evolução da Cosmologia no Ocidente


babylon-cosmologyO modelo da Terra plana é uma concepção arcaica que a descreve como um plano ou disco. Muitas culturas antigas compartilhavam dessa visão cosmográfica, incluindo a Grécia Antiga (até o período clássico), as civilizações da Idade do Bronze e da Idade do Ferro no Oriente Médio (até o período helenístico), a Índia (até o período Gupta, nos primeiros séculos d.C.) e a China (até o século XVII).

Essa ideia de que a Terra seria plana — na qual muitos ainda pareciam acreditar até o século XIX — contraria o fato de que a esfericidade terrestre já havia sido comprovada historicamente por meio de viagens como a de Cristóvão Colombo (que chegou ao continente americano em 1492) e a circunavegação promovida por Fernão de Magalhães (1519–1521). Uma famosa representação desse conceito é a gravação de Flammarion (1888), que ilustra um viajante alcançando o limite de uma Terra plana.  

Visão do Universo dos Antigos Povos

Babilônia (Mesopotâmia): Acreditavam que a Terra era cercada por um oceano, e que o oceano também era cercado por altos penhascos, com um teto em forma de fuso arqueando-se sobre eles. O interior do teto é um mundo de escuridão e poeira, e há buracos no leste e no oeste do teto, e o sol e a lua entram e saem por esses buracos, criando um ciclo de dia e noite.Os antigos babilônios acreditavam que a Terra era cercada por um oceano limitado por altos penhascos, sobre os quais se arqueava um teto em forma de fuso. O interior desse teto era um mundo de escuridão e poeira, contendo aberturas a leste e a oeste pelas quais o Sol e a Lua entravam e saíam, originando o ciclo do dia e da noite.

Outras Visões Antigas: Algumas tradições concebiam a Terra como um quadrado gigantesco sob um céu ainda maior, representado como um círculo ou uma esfera cujo eixo unia o centro da Terra à Estrela do Norte.

terra-plana2


Hindu-cosmologyÍndia Antiga: Na Índia, cada uma das quatro grandes religiões (Hinduísmo, Budismo, Jainismo e Sikhismo) desenvolveu sua própria cosmologia. A literatura religiosa mais antiga, os Vedas (cujo início remonta ao século X a.C.), apresentava a ideia fundamental de um universo estruturado em três camadas: terra, ar e céu.

Evolução da Cosmologia
 
    Diagrama ptolomaico de um sistema geocêntrico
diagram-Ptolemaic-Cellarius-system-1660A teoria de geocentrismo que explica que o Sol gira em torno da Terra foi declarado por cientista grego Ptolemeu (ano 100 a 170) teve apoio da igreja e todo mundo acreditava na teoria do geocentrismo até o século 17.

Em 1605, astrônomo alemão Johannes Kepler (1571 a 1630) descobriu as leis do movimento planetário (leis de Kepler) e Isaac Newton, físico e matemático inglês (1643 a 1727) mostrou que essa lei poderia explicar a lei da gravitação universal, consolidou a teoria heliocêntrica, e a teoria de que a planeta Terra gira em torno do Sol heliocentrismo foi aceitado amplamente, no mundo inteiro.

Sabe-se hoje, que nem o Sol está no centro do universo. O nosso sistema solar está situado em um braço espiral externo da nossa Galáxia, e que a nossa Galáxia é um dos 100galáxias no universo observável (fonte NASA). Mas há teoria de que esse número chegue a 200 bilhões (2×1011) a 2 trilhões.


Modelo da Terra Plana e a Comprovação da Esfericidade

O modelo da Terra plana é uma concepção arcaica do formato terrestre como um plano ou disco. Muitas culturas antigas concordavam com essa cosmografia, incluindo a Grécia Antiga (até o período clássico), as civilizações da Idade do Bronze e da Idade do Ferro do Oriente Médio (até o período helenístico), a Índia (até o período Gupta, nos primeiros séculos d.C.) e a China (até o século XVII). À direita, observa-se a imagem do universo ilustrada por Flammarion (1888), representando um viajante que chega ao limite de uma Terra plana.

O modelo da Terra plana é uma concepção arcaica do formato terrestre como um plano ou disco. Muitas culturas antigas concordavam com essa cosmografia, incluindo a Grécia Antiga (até o período clássico), as civilizações da Idade do Bronze e da Idade do Ferro do Oriente Médio (até o período helenístico), a Índia (até o período Gupta, nos primeiros séculos d.C.) e a China (até o século XVII). À direita, observa-se a imagem do universo ilustrada por Flammarion (1888), representando um viajante que chega ao limite de uma Terra plana.

Circum-navegação de Fernão de Magalhães
fernando_magalhaes-route1

Essa ideia de que a Terra era plana — na qual parece que muitos ainda acreditavam no século XIX — é absurda, visto que a viagem de Cristóvão Colombo (que chegou ao continente americano em 1492) e a circunavegação do mundo por Fernão de Magalhães (1519–1521) já haviam comprovado que a Terra é esférica.

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Cosmologia Budista 

A cosmologia budista consiste na descrição da forma e da evolução do universo com base em suas escrituras e comentários, cujos conceitos aparecem em textos como os sutras da tradição Theravada e do Budismo Mahayana.

Nessa concepção, o centro do universo é ocupado pelo Monte Sumeru — morada de divindades e seres celestiais como Brahma e Shakra Devanam Indra (帝釈天Taishaku em japonês) —, cercado por nove oceanos e quatro continentes:

 Quatro Continentes no Conceito Budista

    Leste: Continente Purvavidehadvipa (東勝身洲)
    Oeste: Continente Aparagodaniyadvipa (西牛貨洲) 
    Norte: Continente Uttarakuru (北倶盧洲) 
    Sul: Continente Jambudvipa (南閻浮提洲)



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Sistema Maior de Mundos - Sanzen Daisen Sekai


 Um dos principais diferenças entre o budismo de Nichiren Daishonin e outras religiões ocidentais, como cristianismo, judaísmo, islamismo, xintoísmo (religião japonesa), bramanismo (indiano), está na sua forma para esclarecer o universo e a vida.

 Enquanto no demais religiões que baseiam o surgimento do universo (ou a criação do mundo) e vida na teoria de criacionismo, para explicar desde a criação do mundo (ou universo), o budismo explica o universo exsitente no interior da vida, que é o princípio de "Ichinen Sanzen" (três mil mundos num único momento da vida).

No cosmovisão e a cosmologia da Índia antiga, um mundo pequeno é um sistema que inclui o sol, a lua e quatro planetas. Juntando-se 1000 pequeno mundos, forma-se um mundo médio, que equivaleria a uma galáxia. Juntando 1000 mundos médios, forma-se um grande mundo, que equivaleria aglomerado de galáxias. E finalmente juntando 1000 mundos grandes, formaria Sistema Maior de Mundos, que seria superaglomerado de galáxias. 

Sistema de Mundos Maior do budismo comparado à estrutura do universo descoberto pela ciência 
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Como mencionei anteriormente, o foco do budismo é o universo interior, ou seja a vida (esclarece que todos têm os 10 estados de vida). Porém, como pode ver neste exemplo de visão sobre o universo, a teoria cosmológica do budismo é consistente com o que a ciência descobriu até hoje.

61gGfC3f69L._AC_UF1000,1000_QL80_  No livro "Espaço e Vida Eterna: Um diálogo entre Chandra Wickramasinghe e Daisaku Ikeda", o Dr. Wickramasinghe diz: “A cosmologia budista é notável no sentido de que apareceu muito cedo na história do pensamento humano”, e acrescentou: “A cosmologia budista harmoniza-se perfeitamente com a ideia científico mais moderno. O presidente Ikeda também disse que o Buda Shakyamuni, o fundador do Budismo, “percebeu no profundo interior da sua vida, uma vida primordial que ela própria pode originar o próprio universo”.

  O presidente Ikeda aponta neste diálogo que: "As limitações da civilização ocidental, que tem visto o universo como centrado no ser humano e a natureza como um objeto a ser conquistado. O que é necessário agora são os valores do budismo, que prega a coexistência com a natureza".
Em seu posfácio, o Dr. Chandra Wickramasinghe escreveu: “Quando uma nova perspectiva cósmica é combinada com os valores do Budismo que sempre foi respeitado – o valor da compaixão por todas as coisas vivas – ela cria uma visão de mundo que é perfeitamente adequada para o século 21”.

FIM


sábado, 12 de outubro de 2024

Grupo de Sobreviventes Japoneses da Bomba Atômica recebe Premio Nobel da Paz de 2024

 O Nihon Hidankyo, uma organização formada por japoneses sobreviventes às bombas atômicas (hibaskusyas) de Nagasaki e Hiroshima, foi anunciado nesta sexta-feira (11/10) como ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2024.


Memorial da Paz de Hiroshima (mais informações clique aqui) 
genbakukinenkan


Museu da Bomba Atómica de Nagasaki (mais informações clique aqui)
museu-da-paz-nagasaki


O Comitê Norueguês escolheu como o vencedor do Nobel da Paz de 2024, o Nihon Hidankyo, justificou a premiação da organização, fundado em 1956, pelo seu esforço contínuo pela eliminação das armas nucleares em todo o planeta.

Nobel_PrizeO presidente do Comitê, Joergen Watne Frydnes, disse que o Nihon Hidankyo tem prestado "uma enorme contribuição para a necessidade de banir as armas nucleares".

Joergen Watne Frydnes ressaltou que o chamado "tabu nuclear" estava agora "sob pressão" — e elogiou o uso feito pelo grupo de depoimentos de testemunhas vítimas das bombas para garantir que armas nucleares não voltem jamais a ser utilizadas.


Em 2016, a Japão Hidankyo lançou a campanha de "Assinatura Internacional Hibakusha'' (Assinatura Internacional Hibakusha), que foi a primeira vez que os sobreviventes da bomba atômica apelaram ao mundo. E até 2020 (em 20 anos), a Japão Hidankyo conseguiu 13,7 milhões de assinaturas no mundo inteiro. 

Estudantes participando no movimento de campanha de "Assinatura Internacional Hibakusha"
(esses estudantes são filhos e netos das vítimas da bomba atômica)
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A seguir, a íntegra da declaração do Comitê de Premio Nobel da Paz, sobre a premiação da Nihon Hibakukyo:

O Comité Norueguês do Prémio Nobel decidiu conceder o Prémio Nobel da Paz de 2024 à organização japonesa Nippon Hidankyo. É um movimento popular de sobreviventes das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, também conhecidos como hibakusha (sobreviventes da bomba atômica), e demonstrou através de depoimentos de testemunhas oculares que vêm se esforçando para realizar um mundo livre de armas nucleares e que as armas nucleares nunca devem ser usado novamente. Este é o motivo do prêmio.

O lançamento da bomba atómica em Agosto de 1945 desencadeou um movimento global cujos membros (da Nippon Hidankyo) trabalharam incansavelmente para elevar a consciencialização sobre as consequências devastadoras da utilização de armas nucleares para a humanitária. Gradualmente, foram desenvolvidas fortes normas internacionais que condenam o uso de armas nucleares como moralmente inaceitáveis. Essa norma ficou conhecida como “tabu nuclear”.

Os testemunhos dos sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki são únicos neste contexto mais amplo.

Estas testemunhas históricas baseiam-se nas suas histórias pessoais para criar campanhas educativas baseadas nas suas próprias experiências e, ao emitirem um alerta urgente contra a proliferação e utilização de armas nucleares, criam e estabelecem uma oposição generalizada às armas nucleares em todo o mundo. Os Hibakushas ajudam-nos a expressar o indescritível e impensável sofrimento e a dor causados ​​pelas armas nucleares, e isso nos ajuda a compreender esses sofrimentos.

O Comité do Prémio Nobel gostaria de reconhecer um fato encorajador: as armas nucleares não são utilizadas na guerra há aproximadamente 80 anos. Os esforços extraordinários do Japão Hidankyo e dos representantes dos sobreviventes da bomba atómica contribuíram significativamente para estabelecer o tabu nuclear. É, portanto, alarmante que hoje este tabu contra a utilização de armas nucleares esteja sob pressão.

Os países com armas nucleares estão modernizando e melhorando as suas armas. Novos países parecem estar a preparar-se para adquirir armas nucleares. E há ameaças de utilização de armas nucleares na guerra em curso. Neste momento da história da humanidade, vale a pena lembrar o que são as armas nucleares. É a arma mais destrutiva que o mundo já viu.

O próximo ano marcará 80 anos desde que duas bombas atómicas dos Estados Unidos da América mataram cerca de 120 mil civis em Hiroshima e Nagasaki. Um número comparável de pessoas morreu de queimaduras e envenenamento por radiação nos meses e anos que se seguiram. As armas nucleares modernas têm um poder destrutivo muito maior. Estas armas nucleares podem matar milhões de pessoas e ter efeitos catastróficos no clima. A guerra nuclear poderia destruir a nossa civilização.

O destino daqueles que sobreviveram ao inferno de Hiroshima e Nagasaki tem sido escondido e ignorado há muito tempo. Em 1956, organizações hibakusha locais e vítimas de testes nucleares realizados no Oceano Pacífico, formaram a Associação Japonesa de Vítimas de Bombas Atômicas e de Hidrogênio. A abreviatura em japonês é Nihon Hidankyo. Tornou-se o maior e mais influente grupo de sobreviventes da bomba atômica no Japão.

No centro da visão de Alfred Nobel estava a crença de que pessoas dedicadas podem fazer a diferença. Ao atribuir o Prémio da Paz deste ano ao Japão Hidankyo, o Comité do Prémio Nobel gostaria de prestar homenagem a todos os sobreviventes da bomba atómica que optaram por usar o seu sofrimento físico e memórias dolorosas para promover a esperança e o compromisso com a paz.

Nippon Hidankyo forneceu milhares de relatos de testemunhas, emitiu resoluções e apelos formais e enviou delegações anuais às Nações Unidas e a várias conferências de paz para lembrar ao mundo a necessidade urgente do desarmamento nuclear.

Algum dia, os sobreviventes da bomba atómica que servem como testemunhas da história deixarão de existir diante de nós. No entanto, com uma forte cultura de protecção da memória e de envolvimento contínuo, as novas gerações no Japão estão a transmitir as experiências e mensagens dos sobreviventes da bomba atómica. Eles inspiram e educam pessoas em todo o mundo. Ao fazê-lo, contribuem para manter o tabu nuclear, que é um pré-requisito para um futuro pacífico para a humanidade.

A decisão de atribuir o Prémio da Paz de 2024 ao Japão Hidankyo está firmemente enraizada no legado de Alfred Nobel. O premio deste ano junta-se a uma lista impressionante de prémios de paz que a Comissão atribuiu no domínio do desarmamento nuclear e do controlo de armas.

O Prémio da Paz de 2024 cumpre o desejo de Alfred Nobel de reconhecer os esforços que trazem o maior benefício para a humanidade.

Oslo, 11 de outubro de 2024


Estátua da Paz, da cidade de Nagasaki
長崎市にある平和祈念像



Cenotáfio das Vítimas da Bomba Atômica de Hiroshima
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Epígrafe gravado na placa de mármore que fica em baixo da cenotáfio acima.
descanseempaz



sábado, 21 de setembro de 2024

Dez Fatores da Vida (Junyoze)

  Sakyamuni, o fundador do budismo nasceu há 2500 anos, na antiga Índia, num pequeno reino chamado Lumbini, que situava na região do atual Nepal.

   Ele nasceu como um príncipe da clã Sakya, e era chamado de Sidarta Gautama. O nome Sakyamuni que é amplamente conhecido hoje significa "Sábio do Clã dos Shakyas".

Localização de Lumbini

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   O  Siddharta Gautama (nome do Sakyamuni), tornou um jovem de sabedoria aguçada. E apesar de ter uma vida privilegiada como príncipe, começou a pensar sobre o significado da vida e dos sofrimentos presentes no mundo.

    Ele viu que, mesmo que esteja desfrutando da juventude e da saúde no momento, não tinhe como escapar de sofrimentos do nascimento, da velhice , da doença e da morte. Resolveu então, se tornar, monge em busca às  resposta sobre essas questões. 

   Sakyamuni retratou posteriormente que, embora ele vivia como príncipe, e que tinha uma vida que todos o invejarem, nunca esteve feliz, pois sabia que aquilo não era felicidade eterna.
   Essa foi a razão principal do jovem Siddharta abandonar a esposa e filho, e a vida confortável do palácio e sair em busca da resposta para questões fundamentais da vida.

   Siddharta começou a viver vida ascética e conheceu vários mestres eremitas e aprendeu suas práticas. No entanton nehum ensino deles satisfez o Shidharta. Resolveu então iniciar a prática de austeridade. 
   Ele  buscou a percepção, abandonando bens materiais, incluindo a alimentação. Essa prática de austeridade severa durou por 6 anos e no final o Shidarta quase morreu de desnutrição, pois a pratica estava levando ele para a automortificação.
   Shidarta percebeu então que o ascetismo extremo não traz a percepção que ele busca.

   Após aceitar leite e pudim de arroz de uma garota chamada Sujata,  Siddharta entrou nas profundezas da sua mente através da meditação debaixo da árvore de bodhi.
   Finalmente, 
Siddharta despertou para a verdade. Isto é, ele atingiu a iluminação. Ele percebeu a Lei eterna que permeia na vida e no universo. 



Ilustração de Sakyamuni pregando o ensino para as pessoas.

Sakya



  Após atingir a iluminação, Sakyamuni começou a pregar a sua percepção - Lei Eterna- às pessoas.
Ele ensinou e conduziu as pessoas durante 42 anos. E começou pregar o Sutra de Lótus, dizendo que "durante quarenta e poucos anos, não revelei a verdade" (無量義経 Sutra de Infinitos Significados).  E no Sutra de Lótus, quando chegou ao capítulo Hoben, ele revelou sobre o verdadeiro aspecto de todos os fenômenos (Shoho Jisso)


Sakyamuni esclarece inicialmente que a sabedoria que todos os budas perceberam é “infinitamente profunda e imensurável”, e está muito além da capacidade de compreensão de Sharihotsu e de outros homens de erudição. 

Finalmente, ele expõe que a sabedoria de todos os budas não é outra senão a compreensão do “Verdadeiro aspecto de todos os fenômenos” (shoho jisso), onde a gente lê: Shoi shoho Nyoze so, Nyoze syo Nyoze tai Nyoze riki Nyoze sa Nyoze in Nyoze en Nyoze ka Nyoze ho Noze Hon matsu kukyo to na liturgia.


 O significado dos dez fatores pode ser resumido da seguinte forma: 

Os Dez Fatores da Vida (Junyoze 十如是), são descritos no 2o capítulo do Sutra de Lótus (Hoben-pon= capítulo Meios), e através da  "aparência, natureza, entidade, poder, influência, causa externa, causa interna, relação, efeito latente, efeito manifesto, consistência do início ao fim", explica a composição essencial de todos os fenômenos. 

Liturgia da Soka Gakkai Internacional


Eis a conclusão do trecho do capítulo Hoben que lemos todos os dias.

O significado literal do termo nyoze, “é como”. Porém, o seu verdadeiro significado é “como a verdade é”, ou seja,  “como o verdadeiro aspecto é”.  Através da classificação em 10 categorias em "aparência, força, ação… até consistência do início ao fim", os Dez Fatores da Vida (Junyoze) explica a nossa vida que a cada instante muda (transforma).

É a parte que nós lemos na liturgia:

A parte que lê  "Shobut-chie Jin jin muryo. Gochiemon Nangue nan nyu" [諸仏智慧、甚深無量 其智慧門、難解難入]  (Liturgia da SGI pág.5), tem seguinte significado: "Sabedoria do Buda é tão profunda e imensurável que só poderia ser compreendida e compartilhada entre os budas".
Depois vem seguinte frase: "Yuibutsu Yobutsu Naino kujin Shoho Jisso (唯仏与仏 乃能究尽) que siginifica: “O verdadeiro aspecto de todos os fenômenos só pode ser compreendida e compartilhada entre os Budas.”, e logo vem a parte essencial do capítulo Hoben, que é: Shoi shoho (諸法実相),  Nyoze so (如是相), Nyoze syo (如是性), Nyoze tai (如是体), Nyoze riki (如是力), Nyoze sa (如是作),  Nyoze in (如是因), Nyoze en (如是縁), Nyoze ka (如是果),  Nyoze ho (如是報), Noze Hon matsu kukyo to (如是本末究竟等).


O significado dessa parte mais importante desse capítulo que é também a mais importante da metade anterior do Sutra de Lótus (que é até o 14º capítulo, “Práticas Pacíficas) é: 

A aparência (nyo ze so), a natureza (nyo ze sho), a entidade (nyo ze tai), o poder (nyo ze riki), a influência (nyo ze sa), a causa interna (nyo ze in), a relação (nyo ze en), o efeito latente (nyo ze ka) o efeito manifesto (nyo ze ho), e a consistência do início ao fim (nyo ze honmatsu kukyoto) são todos manifestação do verdadeiro aspecto, ou seja, a Lei Mística. 


A estrutura do Dez Fatores da Vida
10 fatores



Os dez fatores podem ser classificados em: 


Os 3 fatores da aparência, da natureza e da entidade explicam a composição essencial de todos os fenômenos.

Os 6 fatores do poder, da influência, da causa interna, da relação, do efeito latente e do efeito manifesto analisam as funções e o modo como operam todos os fenômenos. 

E a consistência do início ao fim indica que os nove fatores, desde a aparência até o efeito manifesto, possuem uma relação coerente e consistente.


_senseiO presidente Ikeda, diz seguinte no “Preleção dos Capítulos Hoben e Juryo”:

"Permitam-me explicar os dez fatores por meio de um exemplo. A sua própria existência é um “fenômeno”. Suas feições fisionômicas, postura e assim por diante constituem a “aparência” do “fenômeno” que é sua vida. Da mesma forma, sua vida tem várias energias (“poder”), e elas produzem várias ações externas (“influência”). 

Além disso, sua própria vida passa a ser uma causa (“causa interna”) que, ativada por condições internas e externas (“relação”), gera mudanças em si mesma (“efeito latente”), e em seu devido momento esses efeitos latentes manifestam-se de forma concreta (“efeito manifesto”).
O que existe em seu coração, embora invisível aos olhos, tais como traços de sua personalidade — tolerância, impaciência, gentileza e discrição — ou os vários aspectos de seu temperamento, constituem sua “natureza” (nyo ze sho).

A sua totalidade física e espiritual, ou seja, sua “aparência” (nyo ze so) e sua “natureza” (nyo ze sho) juntas formam sua “entidade” (nyo ze tai), a pessoa que você é. Esses nove fatores também ligam sua vida e seu ambiente sem nenhuma omissão nem inconsistência (“consistência do início ao fim”). Esse é o verdadeiro aspecto dos dez fatores de sua vida.


Todos nós, sem exceção, vivemos dentro da estrutura dos Dez Fatores da Vida. Ninguém poderia dizer que não possui “aparência”, pois se assim fosse, estaríamos diante de uma pessoa invisível. 

Da mesma forma, ninguém poderia afirmar que não tem personalidade, nem energia, ou que não desempenha nenhuma atividade, por menor que seja. 

Tampouco poderia existir uma situação em que a “aparência” correspondesse a uma pessoa, a “natureza” a outra e a “entidade” a uma terceira pessoa, pois há uma consistência entre todos esses fatores que juntos formam a totalidade de cada indivíduo.


Fim



sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Kuon Ganjo

 O que é Kuon Ganjo”?


Os membros da Soka Gakkai, já deve ter visto ou lido esse termo nos impressos algumas vezes.

Você lê a explicação no jornal Brasil Seikyo ou na revista Terceira Civilização e... 

deve ter pensado "Não entendi patavina!"




Realmente, o princípio de Kuon Ganjo é dificílima de explicar. Mas vou tentar explicar de forma mais simples possível nessa matéria, resumindo as matérias relecionadas publicados na extranet e nos sites relacionados a Soka Gakkai do Japão. 



Conceito de Kuon Ganjo

(resumo da matéria publicado no Brasil Seikyo, Edição 1731)



Literalmente, “Kuon” significa “remoto passado” e “Ganjo”, o “início de tudo”. Juntos, “Kuon Ganjo” indicam o “tempo sem início”. Sob o ponto de vista do Budismo de Nichiren Daishonin, esse conceito não se refere apenas a um determinado momento ocorrido há muito tempo atrás ou no infinito passado. Podemos pensar em Kuon Ganjo como o momento (ou a realidade) que existiu no infinito passado e que se mantém até hoje, neste exato instante, e que continuará a existir pelo mais distante futuro.


No Registro dos Ensinos Orais, Nichiren Daishonin explica que “‘Kuon’ significa o que não foi trabalhado, que não foi melhorado, mas que existe na forma como sempre existiu”, ou seja, que está como é originalmente, desde o infinito passado



Essa “realidade que sempre existiu e que não foi modificada", em suma significa a nossa própria vida. Em outras palavras, isso indica que, originalmente (desde Kuon Ganjo), todos nós possuímos os Dez Estados de Vida, incluindo o estado de Buda.



Prelecao-Hoben-JuryoNo livro Prelecao-Hoben-JuryoNa Preleção dos Capítulos Hoben e Juryo, o presidente Ikeda afirma: “O Buda da iluminação real no remoto passado significa uma vida dotada com os Dez Mundos e que existe eternamente.” (Pág. 163.).

Em outro trecho, o presidente Ikeda descreve: “Kuon Ganjo refere-se à origem fundamental da vida e do Universo. Essa vida primordial é a vida do Buda da Liberdade Absoluta de Kuon Ganjo (久遠元初の自受用身Kuon Ganjo no Jiju yushin), que é o próprio Nam-myoho-rengue-kyo.



Nichiren Daishonin afirmou: ‘Remoto passado significa Nam-myoho-rengue-kyo.’ Quando a ilusão interior é dissipada, achamos que a vida, fundamentalmente, não tem início nem fim; ‘tornar-se um Buda’ quer dizer revelar e fazer surgir essa vida original, tal como ela é.” (Pág. 176.)


O presidente Toda dizia: "A vida de Nichiren Daishonin, como a nossa, não tem início nem fim. A isso chamamos de Kuon Ganjo. O próprio Universo é uma grande entidade viva, sem começo nem fim. Porém, a Terra, isoladamente, tem um começo e um fim."


Nossa vida não é uma ‘criação’ produzida por algum ‘criador’ ou por uma ‘divindade’. Ela existe junto com o Universo, e dessa forma continuará existindo infinitamente. Pode-se dizer que a vida é tanto criadora como criação” (Pág. 176). Assim, nossa vida, bem como o Universo como um todo, sempre existiu e sempre existirá, por um período infindável e sem limites. Eis o conceito de Kuon Ganjo.



No capítulo “Revelação da Vida Eterna do Buda” (Juryo) do Sutra de Lótus, o Buda sakyamuni  expõe o princípio de “Gohyaku jintengo”, ou remoto passado, que é um período de tempo inimaginavelmente longo.
Numa analogia, se pegássemos todas as partículas (átomos, em termos atuais) de todas as estrelas e planetas do Universo e, para cada uma, associássemos cerca de dezesseis milhões de anos, chegaríamos a um tempo inimaginavelmente longo. Diz-se que mesmo esse tempo é muito curto quando comparado ao Gohyaku jintengo (五百塵点劫).


No Sutra de Lótus, o Buda Sakyamuni explica que ele atingiu a iluminação pela primeira vez muito antes de Gohyaku jintengo. Porém, essa é uma forma literal e mais superficial de se entender o “remoto passado” exposto nesse sutra. Mas de um ponto de vista mais profundo, baseando-se nos ensinos de Nichiren Daishonin, o “remoto passado” escrito no 16o capítulo do Sutra de Lótus, a "Revelação Eterna da Vida do Buda" (Juryo) é o “tempo sem início”, ou Kuon Ganjo.



senseiO que o Buda Sakyamuni explica (ensina) no Sutra de Lótus é a sua própria percepção e iluminação. Entretanto, alí está retratada o aspecto último da nossa própria vida, isto é, que todos nós atingimos a iluminação, originalmente, num passado inimaginavelmente distante. Em outras palavras, significa que nossa própria vida está dotada com o eterno estado de Buda. E é justamente o Budismo de Nichiren Daishonin que esclarece esse ponto.



Sobre isso, o presidente Ikeda comenta: “A identidade original de todos os budas é um estado de vida iluminado para o Nam-myoho-rengue-kyo. Esse estado de vida é tanto a essência da iluminação como a vida do Buda verdadeiro. Do ponto de vista do Budismo de Nichiren Daishonin, o ‘Buda verdadeiro’ é o Buda de Nam-myoho-rengue-kyo.” (Preleção dos Capítulos Hoben e Juryo, pág. 155.).
Isso significa que, o que possibilitou Sakyamuni atingir a iluminação no remoto passado de Gohyaku jintengo foi exatamente a Lei de Nam-myoho-rengue-kyo.


É essencialmente importante saber que sem a revelação da Lei de Nam-myoho-rengue-kyo que possibilitou todos os budas a atingirem a iluminação, não seria possível entender como as pessoas comuns dos dias atuais poderiam atingir o estado de Buda.
Portanto, o Buda Original Nichiren Daishonin abriu o caminho para que todas as pessoas comuns da época atual atingissem o estado de Buda com a Lei do Nam-myoho-rengue-kyo. E, mais do que isso, ensinou que nossa vida, que é de Kuon Ganjo, é infinitamente preciosa e una com o Universo.
Essa compreensão nos leva a respeitar a vida de cada ser humano, abrindo o caminho para uma sincera compreensão mútua, convivência harmoniosa e resolução de conflitos.



utyuu1000




No livro “A sabedoria do Sutra de Lótus, um diálogo sobre religião no século XXI”, o presidente Ikeda explica: “O Buda do tempo sem início, ou Kuon Ganjo, o Buda que existe eternamente sem início ou fim é a própria vida do Universo. É o constante e incessante trabalho de conduzir todos à iluminação, sem um instante de pausa. De fato, esse Buda eterno e nós próprios somos um só. Isso significa que nós próprios viemos trabalhando para conduzir as pessoas à felicidade e empenhando-nos pelo Kossen-rufu desde o remoto passado, e não somente nesta existência.” (Brasil Seikyo, edição no 1.491, 16 de janeiro de 1999, pág. 3.)



Ainda no mesmo livro, há seguinte diálogo entre o presidente Ikeda e catedráticos do Departamento de Estudo de Budismo da Soka Gakkai:


Ikeda: O propósito do capítulo Juryo é ensinar que não apenas o Buda Shakyamuni, mas todos os seres vivos foram Budas desde tempo remoto, e o Shakyamuni deseja que todos “despertem” sore esse isso.  

Fazê-los despertar para a "grande vida eterna", e o “Sutra de Lótus de Nichiren Daishonin” torna isso possível. O Sr. Toda dizia: “O objetivo final do Budismo de Nichiren Daishonin é perceber a vida eterna. Devemos praticar para perceber que nós somos a vida é eterna. Isso é chamado de felicidade absoluta. Essa felicidade é eterna e nunca será destruída. Nós praticamos para consolidar isso." Temos que perceber isso na nossa vida”, e para tanto só existe a prática da fé. Sr. Toda também dizia: “É fácil entender teoricamente, mas compreender através da fé é completamente diferente."




Fim.