domingo, 16 de novembro de 2025

Sobre a Oração



O princípio de vitória ou derrota é a base do Budismo Nichiren. Esse conceito não se refere a escolher entre a vitória e a derrota, pois, para os praticantes do Budismo que cultivam uma poderosa fé, só há vitória.

Aplicar esse conceito na sociedade é vencer em tudo, independentemente de as circunstâncias serem favoráveis ou não. A derrota existe quando você desiste de lutar e abandona a fé e o mestre. (Terceira Civilização, Edição 528)



Orientação do Presidente Ikeda:
"O Budismo é Vitória ou Derrota; a Lei Secular é Recompensa e Punição"

(Fonte: O livro “Mundo do Gosho – Diálogo sobre a Religião do Humanismo”, 2003)

Ikeda: O princípio de que "o budismo é vitória ou derrota” pode ser encontrado em todos os escritos de Nichiren Daishonin, embora seja expresso de várias maneiras. Em particular, a "Resposta a Shijo Kingo" (também conhecida como O Herói do Mundo), afirma claramente que “o budismo se preocupa primordialmente com vitória ou derrota” (CEND Vol. 2, pág. 95). O Sr. Makiguchi também citava este ditado, afirmando que aqui reside "a vida de uma religião".
Morinaka: Primeiramente, faremos a leitura do trecho inicial deste Gosho:
“Recebi sua carta em linhas gerais e me senti tão aliviado quanto alguém que vê o fim de uma longa noite ou que finalmente retorna para casa após uma jornada para um local distante. Em suma, o Budismo se preocupa primordialmente com a vitória ou a derrota, ao passo que a lei secular se baseia na recompensa e na punição. Por esse motivo, o Buda é chamado de 'Herói do Mundo' e o rei, de 'Soberano com Autoridade Irrestrita'.” (Gosho pág. 1585)

Saito: A data em que esta carta foi escrita é incerta, mas, a julgar pelo seu conteúdo, provavelmente foi escrita no 2.º semestre de 1277. Nessa época, Shijo Kingo foi informado por seu senhor de que suas terras seriam confiscadas se não abandonasse a fé no Sutra do Lótus. Em resposta, Kingo jurou a Daishonin que nunca abandonaria sua fé. Ao elogiar sua determinação, Daishonin escreveu a Carta de Petição de Yorimoto (CEND Vol. 2, pág. 62) em nome de Kingo ao seu senhor, Lorde Ema.

Gosho no Sekai Ikeda: A partir dessa passagem, podemos deduzir que houve alguma boa notícia anunciando uma mudança naquela situação difícil. No entanto, a situação continuava tensa, a ponto de ser necessário apresentar a petição a qualquer momento. Por esse motivo, Daishonin ensinou o princípio de que “o Budismo é vitória ou derrota” para conectar essa mudança na situação a uma vitória definitiva.

O budismo é vitória ou derrota, assim como a vida. Não é exagero dizer que o budismo foi pregado para que todas as pessoas possam vencer a batalha fundamental da vida, que é a luta entre o Buda e a maldade (demônio). Ou se derrota a maldade e se alcança o Estado de Buda, ou se é derrotado por ela e se vive uma vida de ilusão. O significado supremo do budismo na vida consiste, em última análise, em vencer essa batalha fundamental.

Morinaka: Com sua explicação, o significado de "o budismo se preocupa primordialmente com vitória ou derrota” ficou bem claro para mim.
Ikeda: Nesse modo supremo de vida baseado no budismo, todos os aspectos da vida tornam-se uma sucessão contínua de batalhas entre vencer ou ser derrotado. Essa é, na verdade, a própria realidade da vida. E para aqueles que desafiam essas batalhas, tudo o que acontece na vida — mesmo assuntos seculares — está conectado à prática budista. Ou seja, está em conformidade com o princípio de que “o budismo é vitória ou derrota”.
Saito: Com isso, o significado do contraste feito por Daishonin entre “a lei secular é recompensa e punição” e “o budismo é vitória ou derrota” fica ainda mais evidente.
Ikeda: Na sociedade samurai à qual Shijo Kingo pertencia, pode-se dizer que recompensas e punições impostas por seu senhor eram a regra fundamental da vida de um samurai. Entretanto, Nichiren Daishonin ensina a Kingo que sua situação atual não deve ser vista como uma questão de recompensa ou punição em termos da sociedade, mas sim como um desafio de vitória ou derrota do budismo.
Saito: Daishonin nos ensina que devemos basear a nossa vida no princípio de que o budismo é vitória ou derrota.


Demônios / Maldades no Budismo: Significam os "desejos mundanos" e a "visão errônea" que existem dentro da nossa própria vida.


Shijo Kingo Quem foi Shijo Kingo?

Foi um dos principais discípulos de Nichiren Daishonin em Kamakura. Durante a Perseguição de Tatsunokuchi, acompanhou Daishonin até o local de execução. Ele servia ao Lorde Ema (do clã Hojo), mas sofreu com inveja e calúnias de seus colegas, correndo o risco de ter suas terras confiscadas e ser expulso. Entretanto, seguiu fielmente as orientações de Daishonin e continuou se dedicando com sinceridade. Quando seu senhor adoeceu, Kingo o tratou até a cura, recuperando totalmente a confiança do lorde e recebendo um terreno três vezes maior que o anterior.



Como Podemos Obter a Vitória?

Budismo é Razão! Budismo é Vitória ou Derrota




No Final, Aquele que Tem uma Fé Inabalável Vence!

O que prevalece no Budismo e na sociedade é: Vitória ou Derrota!

Ifudodo


Na ocasião da 40.ª Reunião de Líderes do Soka Gakkai da Nova Era do Kosen-rufu Mundial, realizada no Auditório Memorial Toda de Tóquio, foi exibido um vídeo do discurso do Dr. Ikeda proferido na Reunião de Líderes do Ano-Novo em janeiro de 1993. Seguem abaixo alguns trechos das orientações do presidente Ikeda:

Numa carta enviada para o Lorde Ota Jomyo em 24 de janeiro de 1275, Nichiren Daishonin disse o seguinte:

“Em primeiro lugar, no que diz respeito à verdade secular (俗諦 zoku-tai) e à verdade suprema (真諦 shin-tai), será que o mais importante é determinar uma ‘superioridade ou inferioridade’, definindo qual delas é a vencedora e qual é a perdedora? Além disso, quanto ao mundo secular e ao mundo transcendente (o estado de renúncia e iluminação), será que se deve priorizar o estabelecimento de uma ‘hierarquia’ entre qual é o primeiro e qual é o segundo? (Não, certamente não deveria ser assim — ou será que realmente deveria?)”


Tanto na sociedade quanto no Budismo, é preciso deixar claro o que é superior e o que é inferior. E a justiça jamais deve ser derrotada pela falsidade.

No Budismo, na sociedade e na vida humana, "vencer ou ser derrotado" — esta é a questão fundamental. Seja o indivíduo, a família ou a organização, tudo é uma "questão de vitória ou derrota". É uma luta. Por isso, Daishonin nos ensina em Seus escritos: "Vença na sociedade. Vença também no Budismo."

Na "vitória" reside a "felicidade", a "esperança" e o próprio "Kosen-rufu".

Portanto, os honrados companheiros diretamente conectados a Daishonin jamais devem ser derrotados! Devem, infalivelmente, alcançar a vitória!

Foi justamente por manter essa fé de "vencer infalivelmente" que a Soka Gakkai superou todos os obstáculos e realizou uma grande vitória e um grande desenvolvimento considerados milagrosos.


Daishonin também afirmou o seguinte a Nanjo Tokimitsu no dia 11 de janeiro de 1280:
“A flor se abre e produz o fruto; a lua surge e infalivelmente fica cheia; a lâmpada aumenta sua luz quando se adiciona óleo; as plantas e árvores prosperam quando chove; e o ser humano infalivelmente prospera quando acumula raízes do bem.” (Gosho, pág. 1562)



O Budismo é razão.


Todos os dias, nós nos empenhamos fervorosamente na prática e no estudo em prol do Dharma, das pessoas e do Kosen-rufu.

É impossível que essa fé sincera não se torne uma raiz do bem em nossa própria vida, acumulando-se silenciosamente como a neve que cai. A pessoa de fé forte infalivelmente vencerá no final. Infalivelmente prosperará. O Budismo é aquilo que nos envolve em uma boa sorte imensurável pela eternidade dos três tempos, preenchendo-nos de felicidade, tanto material quanto espiritual. A fé é a certeza absoluta de que será assim.

Por isso, a fé deve ser mantida com seriedade e perseverança constante.

O Buda também é chamado de “Nonin” (Aquele capaz de suportar). É justamente ao suportar com firmeza, resistir e superar os diversos sofrimentos do Kosen-rufu, ou as vozes de incompreensão ao nosso redor, que alguém se torna um eterno vitorioso.

Além disso, outro título do Buda é “Herói do Mundo”. Como um “herói do mundo” que salva o povo, o Buda é aquele que luta com bravura mesmo nas batalhas mais difíceis e alcança a vitória.

Por outro lado, as pessoas que apenas agem com espertice e oportunismo podem até parecer bem na superfície, mas não acumulam boa sorte nem raízes do bem.

Seja quem for e por mais alta que seja a sua posição, aquele que apenas utiliza a Gakkai para proveito próprio e os ingratos que traem os membros da Gakkai perderão completamente todas as suas raízes do bem.


Fim

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Conceito de Demônio no Budismo

   No budismo, usa-se frequentemente termo "demônio".


  O que é esse demônio?
  É o mesmo que o Buda Shakyamuni enfrentou antes de atingir a iluminação?

  No cristianismo, demônios são seres sobrenaturais que se opõem a Deus e ao ser humano. São também conhecidos como Diabo, Lúcifer, Satã, Belzebu, Maligno, Belial ou Dragão. (Fonte: Infopédia)
 
  Na Wikipédia diz: Demónio ou demônio é, segundo o cristianismo, um anjo que se rebelou contra Deus e que passou a lutar pela perdição da humanidade. Na antiguidade, contudo, o termo tinha outra conotação, referindo-se a um gênio que inspirava os indivíduos tanto para o bem quanto para o mal.

demonio


santanas


  Como o Cristianismo moldou a figura de Satanás para combater outras religiões

      A figura do demônio foi criada pelo homem.
akuma1   No Ocidente, antigamente, o demônio ou diabo não era retratada como a maioria das pessoas estão familiarizadas, ou seja, com olhos vermelhos, enormes chifres, corpo vermelho com grandes asas de morcego nas costas - uma "besta" como dizem normalmente.
 
  No site da BBC News Brasil, há um artigo interessante que eu peguei emprestado como subtítulo dessa matéria. No site diz: - 
  "A partir do ano 1000, o diabo começa a ser representado com aparência grotesca e monstruosa, entre o humano e o animal. (...)  Um fato interessante, que Até o século 11, conforme aponta o pesquisador, ele quase sempre foi retratado com aparência humana.
  O escritor e semiólogo italiano Umberto Eco tratou dessa questão no livro "História da Feiura". "É somente a partir do século 11 que ele começa a aparecer como um monstro dotado de cauda, orelhas animalescas, barbicha caprina, artelhos, patas e chifres, adquirindo também asas de morcego".


   Por que Diabo é retratado com chifres, rabo e pé de bode?

   A intensão da igreja era criar "o inimigo de Deus" na forma mais hedionda possível. No site citado paga acima diz: "A assimilação da cultura grega e seus deuses por parte do cristianismo trouxe contribuições como os chifres, os pés de bode e o rabo, características do deus Pã. A entrada do cristianismo nos países celtas, ao norte da Europa, contribuiu para reforçar essa imagem próxima do deus Cernu, ou Cernunno".

   A figura pagã de Pã (Deus dos bosques, dos campos, dos rebanhos e dos pastores, da mitologia grega. Imagem à direita) é associada à várias atitudes criticadas pela igreja católica, como símbolo da sexualidade 'selvagem' e desregrada. As divindades mais antigas costumam ser animais ou humanos com partes de animais. Associar uma imagem dessas a algo maligno é também uma forma de criticar os cultos antigos. 


  Conceito de Demônios no Budismo:

  No 13º capítulo do Sutra de Lótus, “Devoção Encorajadora”, consta que os praticantes que propagarem o verdadeiro ensino budista (Sutra de Lótus) na era dos Últimos Dias da Lei, enfrentarão diversos insultos provocados por três tipos de perseguidores chamados de Três Poderosos Inimigos ou Três Tipos de Inimigos. (Fonte: Jornal Brasil Seikyo Edição 1846)

  No Budismo o "demônio" significa, “desejos mundanos” e “visão errônea” que existe dentro da nossa vida.  Essas funções negativas fazem com que as pessoas se afastam do Gohonzon (e recitar o Daimoku) e das atividades da organização.
  Além disso, os demônios têm a função de causar desordem no pensamento das pessoas e, consequentemente, a perturbação na sociedade, de modo que às vezes os demônios são usados ​​para representar aqueles que causam desordem no pensamento.
  Ainda no 13º capítulo do Sutra de Lótus, “Devoção Encorajadora”, há passagem que diz: “Demônios malignos se apossarão das pessoas”. As pessoas dominadas e controladas por “desejos mundanos” e “visão errônea”, aparentando diabo ou demônio, perseguem aqueles que protegem a Verdadeira Lei.

 Demônio do Bem e Demônio do Mal

  Há duas categorias de demônio no budismo. 
  Demônios que protegem os praticantes budistas (deuses demoníacos bons) e demônios que corroem a vida (deuses demoníacos maus). 
  No Sutra de Lótus, diz que o demônio do bem protege aqueles que defendem o Sutra de Lótus.
Deuses demoníacos bons, atuam como função de “shoten zenjin”, ou seja, como “deuses budistas”. 


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  “Deuses budistas”, “divindades celestiais” ou “deuses protetores”, entre vários outros nomes, referem-se às funções que protegem os ensinos corretos do budismo e os seus praticantes. (Brasil Seikyo, Edição 1840)
  As divindades celestiais (諸天善神) descritas no Gohonzon, como Brahma e Shakra, [as divindades do Sol e da Lua] atuam em proteção aos praticantes budistas. O budismo explica que suas funções protetoras são ativadas pela fé contidas nas orações. 
  Se praticarmos o verdadeiro budismo e vivermos uma vida de bem, as funções protetoras que existem ao nosso redor e no meio ambiente serão ativadas e nos apoiarão e protegerão como deuses budistas.
A Lei Correta é a fonte que aumenta os poderes de todas as divindades celestiais.  (fonte: site da Soka Gakkai)

  
  Iluminação do Buda Sakyamuni e a Luta com o Demônio

  Embora o Sakyamuni tenha nascido príncipe, desde muito jovem ele testemunhou o sofrimento das pessoas e ficou profundamente perturbado por isso. Resolveu então abandonar a vida real e tornar um monge em busca de soluções fundamentais para a vida.
  As escrituras budistas descrevem como “quatro encontros” que levaram Shakyamuni a tomar consciência dos quatro sofrimentos inevitáveis ​​do nascimento, envelhecimento, doença e morte, e a buscar uma solução para esses sofrimentos. 

  O Buda passou por práticas ascéticas por vários anos, mas percebeu que atormentar a si mesmo não o livraria do sofrimento, então ele parou com tais práticas. 
  Em seguida, perto do Palácio de Gaya, ele sentou-se sob uma árvore bodhi e entrou em meditação.
  Após alguns dias de meditação (algumas fontes dizem que foi mais de 20 dias de meditação), Shakyamuni percebeu a verdadeira natureza da vida e de todas as coisas. Por causa dessa iluminação, Shakyamuni passou a ser conhecido como Buda, ou “o Desperto”.

Imagem do Sakyamuni fazendo meditação.
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  O Buda Sakyamuni, após atingir a iluminação, ele permaneceu sob a árvore bodhi por algum tempo, regozijando-se com sua libertação do sofrimento, mas também ficou muito preocupado ao pensar que, como seria difícil transmitir a sua iluminação aos outros.
  No entanto, Shakyamuni decidiu pregar essa iluminação aos outros, a fim de abrir o caminho para a libertação de todas as pessoas do sofrimento do nascimento e da morte.

  
   Um fato interessante é que, as escrituras dizem que durante o período de sua meditação, Sakyamuni enfrentou demônio.
  Segundo escrituras,esse demônio era desejos mundanos provocados por Demônio do Sexto Céu.
   A percepção do Buda foi um evento transformador na história da humanidade, pois representou a libertação do sofrimento e a busca pela verdade. 
  Por esse motivo, a função de maldade - representado nesse episódio como Demônio do Sexto Céu, deve ter agido agressivamente para impedir isso.


Fim