segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Atingir o Estado de Buda Nesta Existência



O princípio de vitória ou derrota é a base do Budismo Nichiren. Esse conceito não se refere a escolher entre a vitória e a derrota, pois, para os praticantes do Budismo que cultivam uma poderosa fé, só há vitória.

Aplicar esse conceito na sociedade é vencer em tudo, independentemente de as circunstâncias serem favoráveis ou não. A derrota existe quando você desiste de lutar e abandona a fé e o mestre. (Terceira Civilização, Edição 528)



Orientação do Presidente Ikeda:
"O Budismo é Vitória ou Derrota; a Lei Secular é Recompensa e Punição"

(Fonte: O livro “Mundo do Gosho – Diálogo sobre a Religião do Humanismo”, 2003)

Ikeda: O princípio de que "o budismo é vitória ou derrota” pode ser encontrado em todos os escritos de Nichiren Daishonin, embora seja expresso de várias maneiras. Em particular, a "Resposta a Shijo Kingo" (também conhecida como O Herói do Mundo), afirma claramente que “o budismo se preocupa primordialmente com vitória ou derrota” (CEND Vol. 2, pág. 95). O Sr. Makiguchi também citava este ditado, afirmando que aqui reside "a vida de uma religião".
Morinaka: Primeiramente, faremos a leitura do trecho inicial deste Gosho:
“Recebi sua carta em linhas gerais e me senti tão aliviado quanto alguém que vê o fim de uma longa noite ou que finalmente retorna para casa após uma jornada para um local distante. Em suma, o Budismo se preocupa primordialmente com a vitória ou a derrota, ao passo que a lei secular se baseia na recompensa e na punição. Por esse motivo, o Buda é chamado de 'Herói do Mundo' e o rei, de 'Soberano com Autoridade Irrestrita'.” (Gosho pág. 1585)

Saito: A data em que esta carta foi escrita é incerta, mas, a julgar pelo seu conteúdo, provavelmente foi escrita no 2.º semestre de 1277. Nessa época, Shijo Kingo foi informado por seu senhor de que suas terras seriam confiscadas se não abandonasse a fé no Sutra do Lótus. Em resposta, Kingo jurou a Daishonin que nunca abandonaria sua fé. Ao elogiar sua determinação, Daishonin escreveu a Carta de Petição de Yorimoto (CEND Vol. 2, pág. 62) em nome de Kingo ao seu senhor, Lorde Ema.

Gosho no Sekai Ikeda: A partir dessa passagem, podemos deduzir que houve alguma boa notícia anunciando uma mudança naquela situação difícil. No entanto, a situação continuava tensa, a ponto de ser necessário apresentar a petição a qualquer momento. Por esse motivo, Daishonin ensinou o princípio de que “o Budismo é vitória ou derrota” para conectar essa mudança na situação a uma vitória definitiva.

O budismo é vitória ou derrota, assim como a vida. Não é exagero dizer que o budismo foi pregado para que todas as pessoas possam vencer a batalha fundamental da vida, que é a luta entre o Buda e a maldade (demônio). Ou se derrota a maldade e se alcança o Estado de Buda, ou se é derrotado por ela e se vive uma vida de ilusão. O significado supremo do budismo na vida consiste, em última análise, em vencer essa batalha fundamental.

Morinaka: Com sua explicação, o significado de "o budismo se preocupa primordialmente com vitória ou derrota” ficou bem claro para mim.
Ikeda: Nesse modo supremo de vida baseado no budismo, todos os aspectos da vida tornam-se uma sucessão contínua de batalhas entre vencer ou ser derrotado. Essa é, na verdade, a própria realidade da vida. E para aqueles que desafiam essas batalhas, tudo o que acontece na vida — mesmo assuntos seculares — está conectado à prática budista. Ou seja, está em conformidade com o princípio de que “o budismo é vitória ou derrota”.
Saito: Com isso, o significado do contraste feito por Daishonin entre “a lei secular é recompensa e punição” e “o budismo é vitória ou derrota” fica ainda mais evidente.
Ikeda: Na sociedade samurai à qual Shijo Kingo pertencia, pode-se dizer que recompensas e punições impostas por seu senhor eram a regra fundamental da vida de um samurai. Entretanto, Nichiren Daishonin ensina a Kingo que sua situação atual não deve ser vista como uma questão de recompensa ou punição em termos da sociedade, mas sim como um desafio de vitória ou derrota do budismo.
Saito: Daishonin nos ensina que devemos basear a nossa vida no princípio de que o budismo é vitória ou derrota.


Demônios / Maldades no Budismo: Significam os "desejos mundanos" e a "visão errônea" que existem dentro da nossa própria vida.


Shijo Kingo Quem foi Shijo Kingo?

Foi um dos principais discípulos de Nichiren Daishonin em Kamakura. Durante a Perseguição de Tatsunokuchi, acompanhou Daishonin até o local de execução. Ele servia ao Lorde Ema (do clã Hojo), mas sofreu com inveja e calúnias de seus colegas, correndo o risco de ter suas terras confiscadas e ser expulso. Entretanto, seguiu fielmente as orientações de Daishonin e continuou se dedicando com sinceridade. Quando seu senhor adoeceu, Kingo o tratou até a cura, recuperando totalmente a confiança do lorde e recebendo um terreno três vezes maior que o anterior.



Como Podemos Obter a Vitória?

Budismo é Razão! Budismo é Vitória ou Derrota




No Final, Aquele que Tem uma Fé Inabalável Vence!

O que prevalece no Budismo e na sociedade é: Vitória ou Derrota!

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Na ocasião da 40.ª Reunião de Líderes do Soka Gakkai da Nova Era do Kosen-rufu Mundial, realizada no Auditório Memorial Toda de Tóquio, foi exibido um vídeo do discurso do Dr. Ikeda proferido na Reunião de Líderes do Ano-Novo em janeiro de 1993. Seguem abaixo alguns trechos das orientações do presidente Ikeda:

Numa carta enviada para o Lorde Ota Jomyo em 24 de janeiro de 1275, Nichiren Daishonin disse o seguinte:

“Em primeiro lugar, no que diz respeito à verdade secular (俗諦 zoku-tai) e à verdade suprema (真諦 shin-tai), será que o mais importante é determinar uma ‘superioridade ou inferioridade’, definindo qual delas é a vencedora e qual é a perdedora? Além disso, quanto ao mundo secular e ao mundo transcendente (o estado de renúncia e iluminação), será que se deve priorizar o estabelecimento de uma ‘hierarquia’ entre qual é o primeiro e qual é o segundo? (Não, certamente não deveria ser assim — ou será que realmente deveria?)”


Tanto na sociedade quanto no Budismo, é preciso deixar claro o que é superior e o que é inferior. E a justiça jamais deve ser derrotada pela falsidade.

No Budismo, na sociedade e na vida humana, "vencer ou ser derrotado" — esta é a questão fundamental. Seja o indivíduo, a família ou a organização, tudo é uma "questão de vitória ou derrota". É uma luta. Por isso, Daishonin nos ensina em Seus escritos: "Vença na sociedade. Vença também no Budismo."

Na "vitória" reside a "felicidade", a "esperança" e o próprio "Kosen-rufu".

Portanto, os honrados companheiros diretamente conectados a Daishonin jamais devem ser derrotados! Devem, infalivelmente, alcançar a vitória!

Foi justamente por manter essa fé de "vencer infalivelmente" que a Soka Gakkai superou todos os obstáculos e realizou uma grande vitória e um grande desenvolvimento considerados milagrosos.


Daishonin também afirmou o seguinte a Nanjo Tokimitsu no dia 11 de janeiro de 1280:
“A flor se abre e produz o fruto; a lua surge e infalivelmente fica cheia; a lâmpada aumenta sua luz quando se adiciona óleo; as plantas e árvores prosperam quando chove; e o ser humano infalivelmente prospera quando acumula raízes do bem.” (Gosho, pág. 1562)



O Budismo é razão.


Todos os dias, nós nos empenhamos fervorosamente na prática e no estudo em prol do Dharma, das pessoas e do Kosen-rufu.

É impossível que essa fé sincera não se torne uma raiz do bem em nossa própria vida, acumulando-se silenciosamente como a neve que cai. A pessoa de fé forte infalivelmente vencerá no final. Infalivelmente prosperará. O Budismo é aquilo que nos envolve em uma boa sorte imensurável pela eternidade dos três tempos, preenchendo-nos de felicidade, tanto material quanto espiritual. A fé é a certeza absoluta de que será assim.

Por isso, a fé deve ser mantida com seriedade e perseverança constante.

O Buda também é chamado de “Nonin” (Aquele capaz de suportar). É justamente ao suportar com firmeza, resistir e superar os diversos sofrimentos do Kosen-rufu, ou as vozes de incompreensão ao nosso redor, que alguém se torna um eterno vitorioso.

Além disso, outro título do Buda é “Herói do Mundo”. Como um “herói do mundo” que salva o povo, o Buda é aquele que luta com bravura mesmo nas batalhas mais difíceis e alcança a vitória.

Por outro lado, as pessoas que apenas agem com espertice e oportunismo podem até parecer bem na superfície, mas não acumulam boa sorte nem raízes do bem.

Seja quem for e por mais alta que seja a sua posição, aquele que apenas utiliza a Gakkai para proveito próprio e os ingratos que traem os membros da Gakkai perderão completamente todas as suas raízes do bem.


Fim

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Conceito de Demônio no Budismo

   No budismo, usa-se frequentemente termo "demônio".


  O que é esse demônio?
  É o mesmo que o Buda Shakyamuni enfrentou antes de atingir a iluminação?

  No cristianismo, demônios são seres sobrenaturais que se opõem a Deus e ao ser humano. São também conhecidos como Diabo, Lúcifer, Satã, Belzebu, Maligno, Belial ou Dragão. (Fonte: Infopédia)
 
  Na Wikipédia diz: Demónio ou demônio é, segundo o cristianismo, um anjo que se rebelou contra Deus e que passou a lutar pela perdição da humanidade. Na antiguidade, contudo, o termo tinha outra conotação, referindo-se a um gênio que inspirava os indivíduos tanto para o bem quanto para o mal.

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  Como o Cristianismo moldou a figura de Satanás para combater outras religiões

      A figura do demônio foi criada pelo homem.
akuma1   No Ocidente, antigamente, o demônio ou diabo não era retratada como a maioria das pessoas estão familiarizadas, ou seja, com olhos vermelhos, enormes chifres, corpo vermelho com grandes asas de morcego nas costas - uma "besta" como dizem normalmente.
 
  No site da BBC News Brasil, há um artigo interessante que eu peguei emprestado como subtítulo dessa matéria. No site diz: - 
  "A partir do ano 1000, o diabo começa a ser representado com aparência grotesca e monstruosa, entre o humano e o animal. (...)  Um fato interessante, que Até o século 11, conforme aponta o pesquisador, ele quase sempre foi retratado com aparência humana.
  O escritor e semiólogo italiano Umberto Eco tratou dessa questão no livro "História da Feiura". "É somente a partir do século 11 que ele começa a aparecer como um monstro dotado de cauda, orelhas animalescas, barbicha caprina, artelhos, patas e chifres, adquirindo também asas de morcego".


   Por que Diabo é retratado com chifres, rabo e pé de bode?

   A intensão da igreja era criar "o inimigo de Deus" na forma mais hedionda possível. No site citado paga acima diz: "A assimilação da cultura grega e seus deuses por parte do cristianismo trouxe contribuições como os chifres, os pés de bode e o rabo, características do deus Pã. A entrada do cristianismo nos países celtas, ao norte da Europa, contribuiu para reforçar essa imagem próxima do deus Cernu, ou Cernunno".

   A figura pagã de Pã (Deus dos bosques, dos campos, dos rebanhos e dos pastores, da mitologia grega. Imagem à direita) é associada à várias atitudes criticadas pela igreja católica, como símbolo da sexualidade 'selvagem' e desregrada. As divindades mais antigas costumam ser animais ou humanos com partes de animais. Associar uma imagem dessas a algo maligno é também uma forma de criticar os cultos antigos. 


  Conceito de Demônios no Budismo:

  No 13º capítulo do Sutra de Lótus, “Devoção Encorajadora”, consta que os praticantes que propagarem o verdadeiro ensino budista (Sutra de Lótus) na era dos Últimos Dias da Lei, enfrentarão diversos insultos provocados por três tipos de perseguidores chamados de Três Poderosos Inimigos ou Três Tipos de Inimigos. (Fonte: Jornal Brasil Seikyo Edição 1846)

  No Budismo o "demônio" significa, “desejos mundanos” e “visão errônea” que existe dentro da nossa vida.  Essas funções negativas fazem com que as pessoas se afastam do Gohonzon (e recitar o Daimoku) e das atividades da organização.
  Além disso, os demônios têm a função de causar desordem no pensamento das pessoas e, consequentemente, a perturbação na sociedade, de modo que às vezes os demônios são usados ​​para representar aqueles que causam desordem no pensamento.
  Ainda no 13º capítulo do Sutra de Lótus, “Devoção Encorajadora”, há passagem que diz: “Demônios malignos se apossarão das pessoas”. As pessoas dominadas e controladas por “desejos mundanos” e “visão errônea”, aparentando diabo ou demônio, perseguem aqueles que protegem a Verdadeira Lei.

 Demônio do Bem e Demônio do Mal

  Há duas categorias de demônio no budismo. 
  Demônios que protegem os praticantes budistas (deuses demoníacos bons) e demônios que corroem a vida (deuses demoníacos maus). 
  No Sutra de Lótus, diz que o demônio do bem protege aqueles que defendem o Sutra de Lótus.
Deuses demoníacos bons, atuam como função de “shoten zenjin”, ou seja, como “deuses budistas”. 


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  “Deuses budistas”, “divindades celestiais” ou “deuses protetores”, entre vários outros nomes, referem-se às funções que protegem os ensinos corretos do budismo e os seus praticantes. (Brasil Seikyo, Edição 1840)
  As divindades celestiais (諸天善神) descritas no Gohonzon, como Brahma e Shakra, [as divindades do Sol e da Lua] atuam em proteção aos praticantes budistas. O budismo explica que suas funções protetoras são ativadas pela fé contidas nas orações. 
  Se praticarmos o verdadeiro budismo e vivermos uma vida de bem, as funções protetoras que existem ao nosso redor e no meio ambiente serão ativadas e nos apoiarão e protegerão como deuses budistas.
A Lei Correta é a fonte que aumenta os poderes de todas as divindades celestiais.  (fonte: site da Soka Gakkai)

  
  Iluminação do Buda Sakyamuni e a Luta com o Demônio

  Embora o Sakyamuni tenha nascido príncipe, desde muito jovem ele testemunhou o sofrimento das pessoas e ficou profundamente perturbado por isso. Resolveu então abandonar a vida real e tornar um monge em busca de soluções fundamentais para a vida.
  As escrituras budistas descrevem como “quatro encontros” que levaram Shakyamuni a tomar consciência dos quatro sofrimentos inevitáveis ​​do nascimento, envelhecimento, doença e morte, e a buscar uma solução para esses sofrimentos. 

  O Buda passou por práticas ascéticas por vários anos, mas percebeu que atormentar a si mesmo não o livraria do sofrimento, então ele parou com tais práticas. 
  Em seguida, perto do Palácio de Gaya, ele sentou-se sob uma árvore bodhi e entrou em meditação.
  Após alguns dias de meditação (algumas fontes dizem que foi mais de 20 dias de meditação), Shakyamuni percebeu a verdadeira natureza da vida e de todas as coisas. Por causa dessa iluminação, Shakyamuni passou a ser conhecido como Buda, ou “o Desperto”.

Imagem do Sakyamuni fazendo meditação.
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  O Buda Sakyamuni, após atingir a iluminação, ele permaneceu sob a árvore bodhi por algum tempo, regozijando-se com sua libertação do sofrimento, mas também ficou muito preocupado ao pensar que, como seria difícil transmitir a sua iluminação aos outros.
  No entanto, Shakyamuni decidiu pregar essa iluminação aos outros, a fim de abrir o caminho para a libertação de todas as pessoas do sofrimento do nascimento e da morte.

  
   Um fato interessante é que, as escrituras dizem que durante o período de sua meditação, Sakyamuni enfrentou demônio.
  Segundo escrituras,esse demônio era desejos mundanos provocados por Demônio do Sexto Céu.
   A percepção do Buda foi um evento transformador na história da humanidade, pois representou a libertação do sofrimento e a busca pela verdade. 
  Por esse motivo, a função de maldade - representado nesse episódio como Demônio do Sexto Céu, deve ter agido agressivamente para impedir isso.


Fim

segunda-feira, 24 de março de 2025

Prática da Fé é Vida Diária

  O que significa "Prática da Fé é Vida Diária"?


  No Budismo Nichiren, a prática da fé e a vida não podem ser compreendidas como entidades separadas. Portanto, a Soka Gakkai ensina que "Prática da Fé é Vida Diária" e, "Vida Diária é Prática da Fé". (Fonte: Sokanet)

  No escrito, Daishonin afirma: “Considere o serviço ao seu lorde como uma prática do Sutra de Lótus”  (END, vol. 1, p. 342)
   A expressão "serviço ao seu lorde" significa servir a um senhor ou a outra pessoa, mas se aplicarmos isso à nossa realidade atual, significa as tarefas, o trabalho ou a ocupação que devemos realizar — ou seja, o papel que desempenhamos na sociedade ou na família, o nosso cotidiano.
  Portanto, esta frase nos ensina que nossa vida diária é o local para o exercício budista e um palco para demonstrar nosso próprio modo de vida, baseado na prática da fé.

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  Então, a vida diária também é um lugar onde a fé é fortalecida?

 Quando enfrentamos dificuldades ou desafios, oramos com toda sinceridade para superá-los e vencer. 
 O acúmulo desses sinceros esforços em nossa vida diária, com base no Daimoku ao Gohonzon e na luta diária com a realidade (problemas e desafios), torna-se uma oportunidade para manifestar o estado de Buda em nosso coração e transformar o cotidiano em um palco para a revolução de nossas próprias vidas.  (Fonte: Sokanet)

Significado de Soku

 O termo "Prática da Fé é Vida Diária", em japonês, escreve-se 信心即生活 (Shinjin soku Seikatsu). Shinjin (信心) significa "ter fé" ou "acreditar, aceitar e praticar os ensinamentos do Buda" (fonte: Soka Gakkai), e Seikatsu (生活) significa "viver em meio à sociedade".
 Agora, o termo "soku" (即), que fica entre as duas palavras, Shinjin (prática da fé) e Seikatsu (vida diária), em português é traduzido como "é". No entanto, do ponto de vista do verdadeiro significado de "soku" (即), essa tradução não é totalmente precisa, pois o verbo "é" significa que são a mesma coisa, enquanto "Shinjin soku Seikatsu", no sentido original em japonês, não significa simplesmente que "a prática da fé é igual à vida diária".

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 O termo "soku", segundo a Enciclopédia de Filosofia Budista (仏教哲学大辞典), publicada pela Soka Gakkai, significa: "sem alterar sua forma original, manifestar uma característica diferente". Ainda nessa enciclopédia, consta nas anotações sobre o volume 1 da Grande Concentração e Discernimento (止観輔行伝弘決): "De acordo com Guangya*: 'soku' significa 'junção (ou união)'. Se seguirmos essa explicação, chega-se à interpretação de que 'soku' seria semelhante a chamar a 'união de duas coisas idênticas' com esse termo. Porém, essa interpretação ainda está longe do significado original. Seguindo a filosofia budista, seria a 'inseparabilidade do corpo' (体不二 - tai fuji), por isso é chamado de 'soku'. (...) É diferente do sentido de 'junção' (ou união)**."

 Portanto, em todos os princípios budistas que contêm o termo "é" ou "são" (ou seja, o verbo ser) na tradução em português — tais como "prática da fé é vida diária", "budismo é sociedade", "desejos mundanos são iluminação", "os sofrimentos do nascimento e da morte são nirvana", etc. — é preciso entender que não se trata exatamente da mesma coisa.

*Guangya: (chinês: 廣雅) um dicionário chinês do início do século III d.C., editado por Zhang Yi (張揖).
**Original em japonês: 即とは廣雅にいわく合なりと。若しこの釈に依らば、なお二物相合を即と名るに似たり。その理なお疎し。今義をもって求むるに体不二の故に、故に名付けて即と為す。(...)合の義と異なる。(仏教哲学大辞典 página 1156)


  Orientação para o Grupo Ikeda Kayokai
  (Publicado no Seikyo Shimbun em 20/08/2024)

 “A pessoa de sabedoria não é a que pratica o budismo à parte dos assuntos seculares; em vez disso, ela tem plena compreensão dos princípios que regem o mundo.” (Redução de Kalpas - CEND Vol. 2, p. 388)
  Os ensinamentos anteriores ao Sutra de Lótus viam as "leis da sociedade" e o "budismo" como entidades separadas, e ensinavam que o caminho para a iluminação estava em um "mundo transcendental", longe do "mundo atual".   
 Ainda hoje, a percepção geral é de que a religião não tem relação com a nossa sociedade ou com a nossa vida cotidiana.
  Em resposta a essa maneira de pensar, Nichiren Daishonin declarou no Gosho que "o budismo não é praticado isoladamente da sociedade".

  Essa frase mostra a importância de aplicar a sabedoria do budismo ao mundo real. Os princípios de "prática da fé é vida diária" e "budismo é sociedade" que a Soka Gakkai preza estão imbuídos no espírito de Nichiren Daishonin.
  Para nós, "aplicar a sabedoria do budismo na sociedade" significa enfrentar as realidades em rápida transformação do trabalho, da escola, da família, da saúde e dos relacionamentos amorosos com fé e, através disso, enriquecer nossas vidas.

  O importante é estar determinado a superar quaisquer preocupações ou desafios com base na prática da fé. Revigorar o espírito e transformar todos os seus problemas e desejos em orações ao Gohonzon — mesmo quando dizemos colocar em ação a "prática da fé é vida diária", tudo começa com a oração. 
  Olhe bem para o seu coração e ore com toda a seriedade para que consiga avançar "pelo menos um passo à frente". Quando se faz isso, você poderá expandir o seu potencial e romper os limites da situação atual.  

   Além disso, a razão pela qual praticamos todos os dias não é apenas para a nossa própria prosperidade. É também para iluminar a sociedade com a luz da esperança do Budismo e trilhar o caminho da felicidade juntamente com as pessoas ao nosso redor.
  Mesmo diante da rigorosa realidade, na qual as vidas das pessoas são colocadas em risco por ataques de países estrangeiros, Nichiren Daishonin ergueu sozinho a bandeira do Kosen-rufu e lutou destemidamente pela felicidade do povo e pela paz da sociedade.

  A sabedoria que traz felicidade às pessoas é o budismo. Separar as leis budistas das leis seculares e descartar ou menosprezar uma delas não é o "Caminho do Meio".
 Orar fervorosamente ao Gohonzon ao enfrentar desafios na vida real e, com contínuo esforço e sabedoria, empenhar-se no trabalho diário. 

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Os três primeiros presidentes da Soka Gakkai herdaram esse espírito e provaram o princípio de "Budismo é sociedade". Eles lutaram bravamente contra o mal que desrespeita a vida humana, promoveram a filosofia budista que ensina que todos, sem exceção, têm o direito de ser feliz, e ampliaram a rede de solidariedade e esperança.


  Diretrizes para a Nova Era do Kosen-rufu Mundial
                (Orientação do presidente Ikeda do livro editado em 2020) 

sisin  À medida que você persevera em sua fé no meio à dura realidade e vive a vida em prol do kosen-rufu, a sabedoria do Buda certamente surgirá dentro de você. Aqueles que enfrentam este desafio são verdadeiros sábios que seguem o Caminho do Meio de que a "prática da fé é vida" e "Budismo é sociedade". (…) 
  É no mundo real que se encontra a "prática do Sutra de Lótus" (Gosho p. 751). Nada é desperdiçado e tudo se torna treinamento para sua própria revolução humana.




Jornada do Mestre e do Discípulo na Luta pelo Kosen-rufu
  (Orientação do presidente Ikeda do livro publicado em 2023) 

Este mundo Saha pode parecer um atoleiro de sofrimento. Entretanto, somente quando alguém tem a coragem de se colocar no meio das pessoas sofredoras para demonstrar a compaixão e a sabedoria do budismo, contribuindo para a felicidade dos outros, é que pode ser chamado de "verdadeira pessoa de sabedoria". (...) Uma "religião viva" é aquela que continuamente produz valores humanos em prol da sociedade._A-Jornada


 A Terra Onde se Vive é a Terra da Prática da Fé

(Orientação do Pres. Ikeda na Universidade Soka da América em 27 de fevereiro de 1990)

Qual é o propósito da vida?
É a felicidade. No entanto, a felicidade tem muitas dimensões e não é de forma alguma uma coisa fixa. Há muita felicidade relativa.

 Nichiren Daishonin declarou categoricamente: “Não há felicidade maior para os seres humanos do que recitar Nam-myoho-renge-kyo”.
 Não importa o que aconteça, seja sofrimento ou alegria, continuaremos a recitar o Daimoku ao Gohonzon. Enquanto você mantiver uma fé inabalável, baseada no princípio de "desejos mundanos são iluminação", certamente alcançará uma vida de "todos os desejos são realizados".  A verdadeira felicidade está em estabelecer esta condição de vida. Ali se encontra uma vida digna, de alegria, tranquilidade e satisfação.

A organização do Kosen-rufu (Soka Gakkai) existe para ajudar cada um de vocês a alcançar a felicidade absoluta. Sua felicidade é o objetivo; todo o resto é um meio. Além disso, a terra onde vivemos (a sociedade) é a terra da verdadeira Lei e da prática da fé. Baseados na prática da fé, devemos sempre valorizar a sociedade, nossas vidas e nossos lares.  

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O kosen-rufu terá um progresso sólido. 

"Prática da fé é vida diária" é a nossa eterna diretriz.


FIM

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Desejos mundanos são iluminação

 O que são desejos mundanos?




No Catolicismo, os prazeres ou desejos mundanos dividem-se em:

   Concupiscência da carne (relacionada aos apetites e desejos carnais)
   Concupiscência dos olhos (relacionada à ganância e às aparências)
   Soberba da vida (relacionada ao orgulho e à busca por aplausos)


Definição de desejos mundanos no Budismo:

   O termo “desejos mundanos” muitas vezes pode ser associado à ideia de imoralidade ou de perversidade. Porém, esta é uma interpretação equivocada.
   A palavra “mundano” é utilizada no sentido de algo derivado do “mundo”. Portanto, “desejos mundanos” deve ser entendido como “desejos do mundo real” ou como “desejos materiais e humanos”.
   Muitas pessoas almejam um bom emprego, enquanto outras desejam uma bela casa. Há aquelas que lutam para superar o carma da doença ou para construir um bom relacionamento familiar.
   Todos estes desejos fazem parte da vida de qualquer ser humano e compreendem os desejos mundanos, que evidentemente não podem nem devem ser erradicados.
   Por meio da prática do Budismo de Nichiren Daishonin, estes desejos se transformam em iluminação — isto é, em verdadeira felicidade.  (Fonte: Brasil Seikyo, Edição 1722)


   No Budismo tradicional, os desejos mundanos eram vistos como emoções e comportamentos que levam inevitavelmente ao sofrimento.
   Alguns exemplos são:
Shakyamuni pregou os ensinamentos do Hinayana no início
       ambição Sakya
   ira
   fúria
   egoísmo
   inveja
   desprezo
   desdém
   crueldade
   obsessão
   apego à fama


   Mas essa visão negativa sobre os desejos mundanos pertencia ao Budismo Hinayana (vide a Comparação Quíntupla).
   O Budismo Hinayana pregava que os desejos mundanos eram a causa da infelicidade e, por isso, ensinava a "reduzir o corpo a cinzas e extinguir a mente", tentando eliminar a própria fonte dos desejos.

Desejos Mundanos no Budismo de Nichiren Daishonin:
Livro: O Budismo de Nichiren e o Pensamento de Daisaku Ikeda (Publicado em 2018 pelo Instituto Soka)
hon   No livro O Budismo de Nichiren e o Pensamento de Daisaku Ikeda, o presidente Ikeda afirma:
“Por meio do princípio de que 'desejos mundanos são iluminação', a Soka Gakkai ensina que a verdadeira felicidade está na coragem e na sabedoria de enfrentar e superar os sofrimentos da realidade.
Mesmo uma pessoa comum, cheia de desejos mundanos e atormentada por sofrimentos, pode manifestar o estado de Buda a partir do interior de sua vida. Ao evidenciar a sabedoria de Bodhi*, ela consegue libertar-se do apego ao sofrimento e atingir um estado de plena liberdade.”


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  “Desejos mundanos são iluminação” (Bon-no soku bodai) é um princípio revelado no 12º capítulo do Sutra de Lótus, o capítulo Devadatta.
   Neste capítulo, Devadatta — que representava um ser no estado de Inferno — recebe a predição de que alcançaria a iluminação no futuro. Isso demonstra que os desejos mundanos e a iluminação não são entidades separadas.
   No entanto, o simples fato de possuirmos desejos não significa que estejamos automaticamente “iluminados”.
   A chave para transformar os desejos mundanos em iluminação é a recitação do Nam-myoho-renge-kyo ao Gohonzon.

   Devadatta era primo de Shakyamuni e tornou-se seu discípulo, mas tomou-se de arrogância e hostilidade, causando graves danos a Shakyamuni e conspirando para dividir a ordem budista.
   Ele cometeu três das cinco graves ofensas: ① ferir o Buda, ② matar um Arhat e ③ provocar a divisão na comunidade budista.

Livro: Minha Visão sobre o Budismo, de Daisaku Ikeda
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   No livro Minha Visão sobre o Budismo (publicado em 1974), o presidente Ikeda explica:
“Há duas maneiras de encarar a vida.
Uma visão considera que o sofrimento é um carma que nos aprisiona e atormenta; o Hinayana buscava alcançar um estado de paz eliminando os desejos e escapando do doloroso ciclo de reencarnações.
Embora Shakyamuni tenha ensinado inicialmente que esta vida é repleta de sofrimentos, ele não permaneceu preso a esse pensamento.
Em vez de tentar escapar da realidade, ele encarou de frente os quatro sofrimentos fundamentais — nascimento, envelhecimento, doença e morte — e buscou meios para superá-los. É exatamente aí que reside a essência do Budismo.”

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Como transformar os desejos mundanos em iluminação?
(Fonte: Brasil Seikyo, Edição 1722)

  O simples fato de possuirmos desejos não significa que estejamos automaticamente “iluminados”. A palavra-chave para a transformação dos desejos mundanos em iluminação é a recitação do Nam-myoho-renge-kyo diante do Gohonzon.
  Quando oramos o Daimoku com fé sincera, desenvolvemos o autocontrole necessário para não sermos dominados pelos desejos, fazendo com que eles se tornem a força propulsora para o nosso próprio crescimento.


Orientação do Presidente Ikeda

Ikeda_n “No Budismo, ensina-se o princípio de 'Bon-no soku bodai' (os desejos terrenos são a iluminação). Para simplificar, 'bon-no' significa as preocupações e desejos que nos afligem, enquanto 'bodhi' significa a iluminação e o estado de felicidade plena.
Normalmente, os desejos e a iluminação são vistos como coisas separadas e opostas. Entretanto, no Budismo de Nichiren Daishonin é diferente.
Ele ensina que somente queimando a 'lenha' das preocupações é que se pode obter a 'chama' da felicidade. Você adquire a luz e a energia da verdadeira alegria.
A 'lenha' é queimada com a recitação do Daimoku. Quando você recita Daimoku, todas as suas preocupações se transformam em combustível para o avanço e energia para a felicidade. Aquele que mais sofre é quem se tornará o mais feliz.
A pessoa que enfrenta mais desafios acaba construindo a vida mais gratificante. Isto é o Budismo.”
(Fonte: Livro Diálogo sobre a Juventude)


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O Significado de SOKU
Explanação do Presidente Ikeda para a Divisão dos Jovens (Maio de 2023)
(Matéria: Registro dos Ensinos Transmitidos Oralmente)

“Tanto 'desejos mundanos são iluminação' (bon-no soku bodai) quanto 'nascimento e morte são nirvana' (shoji soku nehan) são conceitos aparentemente opostos, mas estão unidos pelo ideograma 'soku'.
Este 'soku' não significa simplesmente 'é' ou 'igual a'. 'Soku' é o princípio da transformação. Ao olharmos para a verdadeira natureza da vida através da sabedoria do Buda, percebemos que, mesmo numa vida cercada por desejos e pelos quatro sofrimentos (nascimento, velhice, doença e morte), existe inerente o estado de iluminação conhecido como Bodhi e Nirvana.”


*Nota: Bodhi (菩提) = iluminação do Buda. A palavra Bodhisattva vem do sânscrito: bodhi ("iluminação" ou "despertar") e sattva ("ser"). Significa literalmente "aquele cuja essência é a sabedoria perfeita".


Uma Analogia para Entender o "Soku": O Caqui e o Tanino

  Para compreender o conceito de Soku, podemos usar a analogia do caqui com tanino (caqui amargo/travoso). Se tentarmos comer um caqui do tipo Rama Forte logo após colhê-lo da árvore, o tanino fará a boca "travar" (sensação de adstringência) e será impossível apreciá-lo.
  No entanto, se aplicarmos um pouco de álcool no cálice (pedúnculo) do caqui e o deixarmos fechado por alguns dias, ele se tornará extremamente doce e saboroso.


  A substância do caqui que causa a sensação de travar a língua é o tanino solúvel, que se dissolve na saliva ao ser mastigado. O álcool não elimina o tanino; em vez disso, provoca uma reação química que transforma o tanino solúvel em  tanino insolúvel .
  Como o tanino insolúvel não se dissolve mais na saliva, a adstringência desaparece e o nosso paladar percebe apenas a doçura do fruto.


  Curiosamente, os caquis que originalmente "trava a língua" (como os caquis Rama Forte, Giombo e Taubaté) possuem um teor de açúcar natural (cerca de 20%) muito maior do que os caquis naturalmente doces, como o caqui Fuyu (cerca de 16%).


  O caqui seco (hoshigaki) também é feito a partir de caquis adstringentes. Ao passar pelo processo de desidratação, o tanino torna-se totalmente insolúvel e o teor de açúcar concentrado pode chegar a 50%.

  O princípio de **"Desejos Mundanos são Iluminação"** funciona exatamente como o tanino do caqui: o tanino (sofrimento/desejo) não é jogado fora. Quando elevado pela prática da fé (o Daimoku / álコール), a própria substância que causava dor é transformada, gerando uma felicidade imensamente mais profunda e doce.

O caqui seco atinge até 50% de teor de açúcar através da desidratação

Caquis pendurados para desidratar no processo tradicional


FIM